Fred, centroavante do Fluminense, fará sua última partida como profissional neste sábado (9), diante do Ceará, no Maracanã
Um dos maiores artilheiros da história do futebol brasileiro e ídolo do Fluminense, o centroavante Fred se despedirá dos gramados neste sábado (9), na partida contra o Ceará, no Estádio do Maracanã, em duelo válido pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Aos 38 anos, o atacante teve uma ‘prévia’ no último sábado de como será festa diante do Vozão, ao anotar um belo gol, na vitória por 4 a 0 diante do Corinthians, no Rio de Janeiro. Emocionado após a partida, Fred falou, dentre outros temas, sobre o problema de visão que tem o atrapalhado desde meados de julho de 2020, quando o centroavante descobriu sofrer com a diplopia, uma doença que causa ‘visão dupla’.
“Eu não consigo jogar. Por isso que muitas vezes não entrei no jogo. Hoje (sábado), Deus foi tão bom que consegui acertar o chute ali (e marcar o gol). Procurei a bola do meio para chutar, a bola desviou e eu fiz o gol”, contou o atacante.
O ESPN.com.br conversou com o dr. Luiz Roisman, oftalmologista da Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro. O profissional explicou o que é exatamente a chamada ‘visão dupla’ e especificou qual é o problema que Fred tem no olho.
“Diplopia significa visão dupla. Diversas alterações podem levar a visão dupla, desde simples grau de astigmatismo até alterações na movimentação dos olhos. Cada tipo de causa vai exigir um tratamento diferente. No caso do Fred, houve um defeito na movimentação dos olhos”.
Em julho de 2020, Fred realizou uma cirurgia para correção do problema. Porém, a diplopia voltou a aparecer, o que fez com que o atacante optasse por marcar uma data para se aposentar, uma vez que não consegue mais jogar em alto nível.
“Cada olho tem seis músculos que funcionam por estímulo de três nervos. Os olhos têm um sistema de estímulo que os leva a funcionar juntos, ou seja, se olhamos para a direita os 2 olhos vão juntos para a mesma direção, de forma conjunta, mas independente. Se um destes nervos deixa de funcionar, ou o músculo em si deixar de funcionar, ocorre o estrabismo e por consequência a visão dupla”.
O doutor afirma ainda que a disfunção dos músculos ou dos nervos não causa a perda da visão, mas ressaltou como é desconfortável ter uma visão dupla. Os tratamentos para a doença variam desde melhorias sem intervenções após alguns meses, utilização de óculos especiais e até mesmo cirurgia, algo realizado por Fred, mas sem sucesso.
“A profundidade da investigação e a gravidade vão depender da história clínica e do exame oftalmológico. Considerando uma simples disfunção do nervo ou músculo sem gravidade, levando apenas ao estrabismo e a diplopia, não há risco de perda de visão, mas a diplopia é algo extremamente desconfortável. Imagina enxergar tudo duplicado o tempo todo?”.
No caso de um atleta de futebol como no caso de Fred, a diplopia se torna ainda mais incômoda, uma vez que atrapalha e muito o desempenho e praticamente o impede de exercer a profissão. Além disso, como o futebol é um esporte de contato, existe um risco ainda maior de lesões e traumas, o que poderia impulsionar um agravamento da situação.
Além de Fred, Marc Márquez, espanhol multicampeão na MotoGP, sofre do mesmo problema. O piloto sofre com a condição desde 2011. Ao longo dos últimos anos, o espanhol foi diagnosticado com a doença em duas oportunidades, uma delas, ocasionada após um grave acidente que causou um duro impacto de Márquez com o chão após ser ‘ejetado’ da moto.
“O esporte de forma geral, exige precisão. Certamente a diplopia atrapalha muito a precisão, ainda mais num alto nível. São 2 bolas para acertar, são zagueiros em duplicidade para driblar. O trauma também pode ser causa de lesão nos nervos que inervam os músculos dos olhos, ou ainda lesão nos próprios músculos. Além disso, o trauma direto no olho pode levar a outras alterações graves do olho em si que também podem causar diplopia. Sem contar que a dificuldade de visão e perda de precisão pode aumentar o risco de lesões e traumas”, finalizou.
