A Eagle Football Holdings, dona de 90% da SAF do Botafogo, se manifestou à Justiça e não deu aval para a venda do zagueiro Alexander Barboza ao Palmeiras por R$ 18 milhões.
Apesar do contrato de venda já estar assinado desde 1º de maio, como revelou a ESPN em primeira mão, e da primeira das quatro parcelas já ter até caído na conta do Glorioso, o grupo acusou a SAF de fala de transparência ao não "apresentar elementos suficientes para demonstrar que o valor de R$ 18.000.000,00 reflete o valor de mercado do ativo" - no caso, o defensor argentino.
"A Eagle Bidco esclareceu que não recebeu elementos para se manifestar quanto à higidez econômica da operação pretendida pela SAF Botafogo, já que não teve acesso às informações necessárias para avaliar a alienação. A Eagle Bidco não participou das tratativas que antecederam a operação, não teve acesso aos seus termos integrais e desconhece os atos que a atual administração da SAF Botafogo vem praticando", escreveram os advogados da holding.
"Não há nos autos avaliação independente, parâmetros de mercado, propostas alternativas, histórico das negociações, condições integrais da cessão, forma e cronograma de pagamento, eventuais retenções, comissões ou ônus incidentes, percentual exato dos direitos cedidos, destinação dos recursos ou impacto financeiro da operação", seguiram.
"Sem essas informações, a Eagle Bidco não está em posição de aferir a adequação econômica da alienação. Sua manifestação, portanto, não pode ser interpretada como anuência à operação", acrescentaram.
Explica-se: a Eagle não deu negativa à venda de Barboza, mas alegou à Justiça que não tem elementos suficientes para dar o aval para a negociação.
"Quanto à pretendida alienação dos direitos federativos e econômicos do atleta Alexandre Barbosa, a Eagle Bidco consigna que não recebeu os elementos necessários para avaliar a operação e, por isso, não pode emitir manifestação sobre sua higidez econômica, sem prejuízo de seus direitos", salientou.
Cabe lembrar que a Eagle está afastada do poder político na SAF por ordem judicial desde 12 de maio. Neste momento, o controle da SAF alvinegra é do economista Eduardo Iglesias, eleito na semana passada.
A holding se manifestou no processo por ordem da 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que pediu pronuciamento da Eagle e do Ministério Público após a SAF do Botafogo pedir, no dia 7 de maio, para a Justiça liberar a venda de Barboza ao Alviverde.
Como a ESPN mostrou, a operação foi fechada em quatro parcelas, a serem quitadas até dezembro de 2027. A documentação já foi assinada por Leila Pereira (presidente do Verdão), Durcesio Mello (então presidente da SAF do Glorioso), Alessandro Brito e Danilo Caixeiro (dirigentes da SAF e testemunhas), além do próprio Barboza.
Ao poder judiciário, o time carioca informou que o valor da primeira parcela caiu em sua conta no dia 6 de maio.
Barboza, por sua vez, segue aguardando o desenrolar da situação. Ele já realizou os exames médicos protocolares para assinar com o Palmeiras, que passaria a defender a partir da reabertura da janela de transferência, em 20 de julho.
No último domingo (17), ele se emocionou muito em sua "despedida" no Estádio Nílton Santos e depois fez um fortíssimo desabafo de mais de 15 minutos em entrevista.
Próximos jogos do Botafogo:
Independiente Petrolero (F) - 20/05, 21h (de Brasília) - CONMEBOL Sul-Americana
São Paulo (F) - 23/05, 17h (de Brasília) - Brasileirão
Caracas (F) - 27/05, 19h (de Brasília) - CONMEBOL Sul-Americana
