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Por que Textor foi afastado de SAF do Botafogo: de recuperação judicial a três assinaturas no mesmo documento

A notícia que agitou General Severiano na última quinta-feira (23) foi o afastamento de John Textor do comando da SAF do Botafogo. Mas por que essa decisão aconteceu? O ESPN.com.br teve acesso à integra do documento que determinou a queda do empresário norte-americano.

Quem determinou o afastamento foi o Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas, na última quinta-feira (23). A decisão, de caráter imediato, aconteceu após pedido da Eagle Bidco, sócia majoritária da empresa, principalmente após Textor ter comandado o pedido de recuperação judicial protocolado no dia anterior na Justiça do Rio de Janeiro.

O intuito da recuperação judicial é tentar aliviar a situação financeira do clube, que tem um passivo de R$ 2,5 bilhões, dando um processo de pagamento mais organizado e facilitado para quitar dívidas, ficando livre de penhoras ou bloqueio.

A alegação alvinegra é de que a continuidade do clube estaria em risco caso a recuperação judicial não acontecesse. No entanto, a Eagle, por meio de documento que a ESPN teve acesso, criticava a postura de Textor e afirmava ser contra a recuperação judicial.

"A Eagle Football Holdings Bidco Limited (Eagle Bidco), na qualidade de detendora de 90% do capital social da SAF Botafogo e, portanto, suas acionista controladora, vem , por meio da presente notificação, registrar, para todos os fins de direito, que não concorda, não anui ou aprova, tampouco concordará, anuirá ou aprovará, a adoção de qualquer medida judicial ou extrajudicial pela atual administração da SAF que tenha relação com um potencial pedido de recuperação judicial ou extrajudicial da SAF".

Além disso, outro ponto abordado no documento foi o fato de John Textor tentar avançar com o pedido de recuperação judicial sendo o representante das três partes envolvidas: Eagle Bidco, Eagle Football Group e SAF Botafogo.

O documento que a ESPN teve acesso mostra a tentativa de Textor de conseguir a recuperação judicial com as três assinaturas dele como representante das partes.

A decisão de afastar foi tomada por Adriana Braghetta, presidente do Tribunal Arbitral, com as seguintes alegações.

"Nesses termos, o Tribunal Arbitral, a título meramente conservatório, DETERMINA o afastamento automático e imediato do Sr. John Charles Textor da administração da SAF do Botafogo, o que será objetivo de reanálise após a apresentação da manifestação da Companhia prevista para 29/04/2026".

O Botafogo se manifestou oficialmente na madrugada desta sexta-feira (24) sobre a decisão do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas que afastou John Textor do comando da SAF do clube.

Em comunicado, a administração ressaltou que “a medida de afastamento temporário de John Textor da administração da companhia não encontra correspondência nos pedidos submetidos à apreciação do Tribunal, tendo sido determinada sem requerimento específico das partes”, e que “a decisão avança sobre matéria tipicamente societária, substituindo, de forma excepcional e sem a devida deliberação, a vontade dos acionistas — cuja manifestação, por definição legal e estatutária, deve ocorrer em assembleia regularmente convocada”.

“A SAF Botafogo ressalta que a observância dos limites objetivos da arbitragem, bem como o respeito à confidencialidade, à autonomia privada e à governança societária, são pressupostos essenciais para a segurança jurídica e a integridade do procedimento arbitral”.

O clube anunciou ainda que Durcesio Mello foi nomeado para ocupar interinamente o cargo de Diretor Geral. E segundo apurou a ESPN, a prioridade de Durcesio é a auditoria após assumir a função.

*Também contribuiu Luciano Borges

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