O vascaíno, por muitos anos, amou Eurico Miranda.
A paixão do botafoguense por John Textor ainda deve existir, mas tenho sérias dúvidas se ela vai continuar por muito mais tempo.
Eurico e Textor, cada um a seu jeito, foram dirigentes truculentos.
O vascaíno com seu linguajar de botequim e palavrões na beira dos gramados ou em julgamentos no tapetão. O botafoguense com seu exército de advogados.
Mas é na trajetória em Vasco e Botafogo que o carioca filho de portugueses e o ex-skatista americano mais se assemelham.
Ambos levaram os dois clubes para onde nunca estiveram, conquistando títulos inéditos, contratando estrelas e dando a impressão que o domínio seria eterno.
Foi pura ilusão.
Evidente que Eurico e Textor tiveram alguns acertos. Também dá para entender que muito torcedor o tenha como ídolos.
Mas, como mostrou o final da história de Eurico no Vasco, e o que vem acontecendo no Botafogo de Textor, fica evidente que eles trocaram títulos e idolatria pessoal pelo futuro de seus clubes.
O Vasco paga até hoje os descalabros de Eurico. É o grande brasileiro mais rebaixado para a segunda divisão. Raras vezes consegue competir no Campeonato Carioca.
A derrocada do Botafogo é muito mais rápida.
O clube campeão da CONMEBOL Libertadores e do Brasileirão em 2024 hoje enfrenta transfer bans da Fifa, está no meio de uma enorme disputa judicial e tem dívidas que parecem cada vez mais impagáveis.
O Botafogo ainda tem um time forte, competitivo.
Adoraria errar nessa. Mas não acredito que esse time competitivo vai durar. O futuro do Botafogo, com ou sem Textor, é uma grande interrogação.
