"O futebol não é feito só dos atletas, é feito de muita coisa. Esse grupo merece mais”. O desabafo de Alex Telles, após a eliminação do Botafogo da CONMEBOL Libertadores, com derrota em casa por 1 a 0 para o Barcelona-EQU, deixou claro que os desafios alvinegros hoje vão além das quatro linhas.
Quando disse que “o clube não é feito só de jogadores”, o capitão do Botafogo não citou qualquer nome, mas mirou também em um clima de instabilidade que tem definido o ano da equipe até aqui.
Segundo apurou a ESPN, ouvindo diferentes fontes, a figura de John Textor, e sua personalidade, é uma peça-central nesse cenário. Pessoas ouvidas pela reportagem definiram o dono da SAF com palavras como “imprevisível” e “instável”, o que traz impactos para o dia a dia do vestiário.
O técnico Martín Anselmi, por exemplo, apesar das críticas da torcida e pressão após a queda em pleno Nilton Santos, segue contando com a confiança do comando do futebol do Botafogo, segundo soube a reportagem. Ele não corre risco de demissão neste momento.
Mas pessoas ligadas ao treinador são bem mais cautelosas ao tratar do futuro do treinador, citando essa “imprevisibilidade” de Textor em momentos de decisões importantes.
Vale lembrar que Renato Paiva foi demitido após o Mundial de Clubes nos Estados Unidos em 2025, mesmo depois de ter vencido o PSG na fase de grupos, algo que o português nunca digeriu bem.
O clima de incerteza também já foi explicitado por outro líder de elenco do Botafogo, o zagueiro Alexander Barboza, que tem contrato até o final do ano e tem a renovação “parada”, como ele mesmo definiu. “Eu já falei o que eu quero para renovar, não é muita coisa. Em termos de contrato está tudo acordado, só que preciso de segurança. Só isso", disse ele, no último final de semana.
Barboza também já havia desabafado no último mês, após derrota para o Flamengo, em um cenário em que o Botafogo ainda estava impedido de inscrever novos jogadores, pelo transfer ban imposto pela Fifa por dívida na contratação de Thiago Almada, dizendo que o time só tinha meninos (da base) no banco.
“Precisamos cada um, não só os jogadores, todo mundo, desde o dono do clube ao roupeiro, começar a dar um pouco mais para poder sair deste momento ruim que estamos vivendo. Neste clube não pode ser assim", disse, na ocasião. “Hoje você olhava para o banco e eram só meninos (da base). Eles estão preparados para jogar, mas não é normal”, complementou.
Já após a derrota para o Barcelona, o defensor evitou maiores comentários sobre o momento alvinegro. “Difícil falar agora a coisa que eu estou pensando, porque acho que falar quando acabamos de ser eliminados... São muitas emoções juntas, que provavelmente se eu falo alguma coisa, amanhã vou me arrepender. Prefiro pensar um pouco e seguir", afirmou.
Fato é que a eliminação da Libertadores antes da fase de grupos também impacta o planejamento financeiro do Botafogo, que terá que se contentar com a disputa da CONMEBOL Sul-Americana.
O contexto maior ainda tem Textor em disputa com a Eagle na Justiça, o que afeta diretamente o “caixa único” do grupo de clubes que já teve o comando do empresário norte-americano.
Todos fatores que aumentam as incertezas para o Botafogo na temporada, que continua no próximo sábado (14), já em clássico contra o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro.
Próximos jogos do Botafogo:
Flamengo (C): 14/03, 20h30 (de Brasília) - Brasileirão
Palmeiras (F): 18/03, 19h (de Brasília) - Brasileirão
Red Bull Bragantino (F): 21/03, 16h (de Brasília) - Brasileirão
