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Da chegada como desconhecido a ídolo: 3 atos que resumem trajetória de Carli no Botafogo

Ídolo do Botafogo, Joel Carli escreverá nesta quinta-feira (29) o último capítulo de sua carreira como jogador profissional. Aos 36 anos, o zagueiro argentino foi relacionado para o duelo contra o Magallanes, às 21h30 (de Brasília), no Nilton Santos, pela CONMEBOL Sul-Americana, e a tendência é que ele entre em campo nos minutos finais para fazer sua despedida como atleta.

Segundo estrangeiro com mais partidas com a camisa alvinegra, atrás apenas de Gatito, o ''Capitán'' tem contrato válido até 1º julho. E, após pendurar as chuteiras, pretende continuar no clube, mas assumindo um novo cargo no departamento de futebol.

Em duas passagens pelo Botafogo, Carli viveu de tudo: chegada cercada de desconfiança, gol que valeu o título carioca, saída conturbada em 2020 e o retorno no ano seguinte para comandar o Alvinegro na volta à Série A do Campeonato Brasileiro.

Diante deste cenário, o ESPN.com.br resumiu a trajetória do eterno capitão em três atos. Veja abaixo.

1- A chegada

Em 2016, Joel Carli deixou o Quilmes para se aventurar pela primeira vez no Brasil. O argentino foi o primeiro reforço do Botafogo daquele ano.

Na época, o clube carioca tinha acabado de subir para a primeira divisão e, sem dinheiro para grandes contratações, apostava em nomes de equipes de menor expressão da América do Sul.

Além dele, o Alvinegro também fechou com o meio-campista Damián Lizio, que na ocasião defendia o Bolívar, e Gervásio Nuñez, que estava no Sarmiento, da Argentina.

Dos três, Carli foi o único que ficou no ano seguinte, quando o time comandado por Jair Ventura, tido por muitos como um dos candidatos ao rebaixamento, se classificou de forma heroica para a CONMEBOL Libertadores. Mas o melhor ainda estava por vir...

2- O gol do título

Foi em 2018 que Carli viveu o ápice de sua carreira. Com a lesão do goleiro Jefferson, o argentino, que já era chamado de xerife pelos companheiros, assumiu a braçadeira de capitão.

Na final do Campeonato Carioca daquele ano contra o Vasco, o rival já estava com a mão na taça. Até que aos 50 minutos do segundo tempo, quando a partida estava empatada sem gols, o zagueiro aproveitou um rebote dentro da área e empurrou a bola para o fundo das redes. O gol levou a decisão para os pênaltis. Nas penalidades, o Botafogo venceu por 4 a 3 e conquistou o título estadual.

''O gol é uma coisa que cada vez que encontro um torcedor na rua eles me fazem lembrar com alguma história. Foi um momento muito marcante na minha carreira. Foi meu terceiro ano (no Botafogo), foi realmente muito emocionante pela forma que foi'', disse Carli durante entrevista coletiva.

Com a conquista, o zagueiro caiu de vez nos braços da torcida e se tornou uma figura de liderança incontestável no grupo.

''O Carli é um grande líder. O que você vê de fora é realmente o que ele é no dia a dia, é um cara que ajuda, dedicado, um atleta super respeitado, profissional. Eu tive uma boa relação com ele e vou ter sempre um respeito muito grande por ele. Mesmo jogando ou não, estava sempre apoiando, queria o bem e quer o bem do Botafogo. Isso me impressiona muito, esses atletas experientes que têm certa moral no clube e sabem respeitar o momento de cada jogador. Com certeza é um grande líder'', disse o lateral Moisés, companheiro de Carli na conquista do título, em entrevista à ESPN.

3- A reafirmação da idolatria

Assim com alguns relacionamentos com uma história, Carli e Botafogo romperam em um determinado momento dessa trajetória. Em 2020, o defensor não aceitou os acordos propostos pela diretoria, que decidiu rescindir o vínculo com o argentino alegando que não tinha como mantê-lo devido à crise financeira somada à perda de espaço do atleta no elenco.

Na época, o zagueiro agradeceu o carinho da torcida e afirmou que ainda tentou continuar no clube.

''Não me deram outra opção. Tentei de tudo, mas encerro um ciclo de quase cinco anos, no qual me dediquei ao máximo para estar à altura de um clube tão glorioso. Recebi inúmeras manifestações de carinho e agradecimento. Isso me faz pensar que tanto esforço por esse clube que eu aprendi a amar valeu a pena. Simplesmente, obrigado. Vocês ficarão eternamente no meu coração'', escreveu o jogador nas redes sociais.

Mas a distância durou pouco. Quis o destino que, dez meses depois, Carli retornasse ao Botafogo em uma negociação visando o pagamento de dívidas. Só que em um cenário bem pior...

O time estava novamente na Série B, mas com uma nova diretoria. Chegou como reserva de Marcelo Chamusca e assumiu a titularidade com a chegada de Enderson Moreira. A partir de então não saiu mais e assumiu um papel de extrema importância no acesso à elite.

Em 2022, Carli atingiu uma importante marca como ídolo do Botafogo. Na vitória por 3 a 0 contra o Ceilândia, que culminou na classificação às oitavas da Copa do Brasil, o argentino se tornou o segundo atleta estrangeiro com mais jogos pelo clube. Na ocasião, o defensor chegou a 181 partidas com a camisa alvinegra e ultrapassou o também argentino Rodolfo Fischer.

Agora, mesmo longe dos gramados, Carli ídolo pretende continuar fazendo história pelo clube.

Próximos jogos do Botafogo:

Magallanes (C) - 29/06, 21h - CONMEBOL Sul-Americana

Vasco (C) - 02/07, 16h - Brasileirão

Grêmio (F) - 09/07, 18h30 - Brasileirão