<
>

Nino Paraíba, do Bahia, cuidava de gado por R$ 30/dia antes de se destacar no Brasileiro

O lateral direito Nino Paraíba, autor de um dos gols do Bahia na vitória sobre o Vasco da Gama, por 2 a 0, em São Januário, superou Marcos Rocha (Palmeiras) e Fágner (Corinthians) e entrou para a seleção do 50º prêmio ESPN Bola de Prata Sportingbet ao final da 18ª rodada.

Vivendo um dos melhores momentos da carreira aos 33 anos, Severino de Ramos Clementino da Silva teve que lutar muito para realizar o sonho de ser jogador de futebol. Durante a infância e adolescência em Aldeia Jaraguá, na Paraíba, ele trabalhou em um ramo bem diferente para ajudar em casa.

"Antes de ser jogador, eu trabalhava com gado. Começava a tirar capim às 5h da manhã, limpava o gado, aí tomava café em casa, voltava e tirava mais capim. Cuidava do gado, almoçava, voltava e ia tratar do capim", conta Nino, em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, em 2017.

"Depois, buscava o gado no mato... E essa era a minha rotina para ajudar a minha família. Recebia uns R$ 30 reais para cuidar de seis cabeças de gado", recorda.

Além disso, o hoje ala direito não tinha o apoio da família para tentar virar jogador.

"Minha mãe não queria que eu jogasse futebol. Quando ela me via no campo, eu tomava uma surra. E levei cada surra (risos)! Eu saía escondido, mas, quando ela me descobria, eu apanhava (risos)", gargalha o veterano.

Mas não tinha jeito: o destino estava traçado para que Nino se tornasse um veloz lateral direito.

"Quando fiz 16 anos, comecei a jogar em um time do meu bairro. Comecei a chamar a atenção de uns times do interior e aí tomei coragem para pedir à minha mãe para me dar a permissão de eu tentar virar jogador, porque até então eu jogava escondido. Por fim, Deus tocou o coração dela e ela permitiu, porque era meu sonho de moleque", rememora.

O ala, inclusive, conta que chegou a profetizar que um dia vingaria no futebol.

"Falava isso sempre pra minha mãe e meu tio. Quando eu tinha oito anos, eles estavam vendo TV na sala e eu disse: 'Um dia vou ser jogador e vocês vão me ver na televisão'. Eles caíram na risada achando que não ia acontecer, mas minha vontade e a fé em Deus foram maiores do que tudo", exalta.

"Depois, consegui realizar isso que profetizei quando era moleque. Só tenho que agradecer por tudo que está acontecendo na minha vida", completa o atleta do Bahia.

Da Paraíba à Bola de Prata

Nino começou a jogar por um time local e um dia se destacou em um amistoso contra o América-RN. Foi chamado para os juniores da equipe, mas ficou só dois meses em Natal.

Na volta, tentou uma vaga para jogar a Copa São Paulo de Futebol Júnior pelo Botafogo-PB, de João Pessoa, mas novamente as coisas não deram certo. Nessa época, pensou em desistir.

"Voltei para casa e não surgia nada... Ia desistir da bola e fazer outra coisa, porque nada dava certo para mim. Eu pensava: 'Faço teste, vou bem, mas não sou aproveitado. Nem treinando estou...'", relembra o veterano.

Quem lhe abriu as portas foi a pequena Desportiva Guarabira, equipe fundada em apenas em 2005 que lhe acolheu.

"Fui convidado por um treinador, fiz um teste e joguei bem. Os torcedores ficavam pedindo pra eu ficar, porque eu bagunçava os zagueiros nos treinos (risos)", diverte-se.

"Aí esse treinador que gostou de mim foi demitido na segunda-feira, acredita (risos)? Achei que iam me dispensar de novo... Aí fomos ver um jogo do Carlinhos Paraíba, que jogava no profissional e era da minha cidade. O presidente me chamou e mandou eu me apresentar na segunda, que iam ficar comigo. Foi uma felicidade enorme", relata.

Dali em diante, a carreira de Nino deslanchou. Da Desportiva, seguiu para o Náutico, passando depois por Sousa e Campinense, ambos de seu Estado natal. Em 2009, ele acertou com o Vitória, clube que defenderia por cinco anos e mais de 150 partidas. Depois, passou avaí e Ponte Preta antes de chegar ao Bahia, pelo qual foi bicampeão baiano (2018 e 2019).

Agora, Nino Paraíba quer seguir "voando" na equipe de Salvador para se manter na seleção da Bola de Prata até o fim do ano. A seleção após a 18ª rodada ficou assim: Douglas Friedrich (Bahia), Nino Paraíba (Bahia), Rodrigo Caio (Flamengo), Víctor Cuesta (Internacional) e Jorge (Santos); Rodrigo Lindoso (Internacional), Willian Arão (Flamengo) e Éverton Ribeiro (Flamengo); Dudu (Palmeiras), Arrascaeta (Flamengo) e Gabriel (Flamengo).

Veja os melhores de cada posição na disputa do prêmio: