Duda Sampaio, do Internacional, conquistou a Bola de Prata como uma das melhores meia-campistas do Brasileirão
Típica camisa 10, Duda Sampaio sempre se destacou pela qualidade com a bola no pé e pelo posicionamento apurado, sendo fundamental para a organização do meio-campo e criação de jogadas. Bola parada também é o forte da mineira, especialista em deixar as companheiras na cara do gol. E ela colocou todas essas características em campo para levar o Internacional a uma histórica final de Brasileirão. Não por menos, termina o ano com o Prêmio ESPN Bola de Prata Sportingbet como uma das melhores meias do país.
Natural de Jequeri, em Minas Gerais, Duda conquistou o seu espaço dentro do futebol feminino nacional mesmo com poucos anos de idade e de carreira.
A meio-campista de 21 anos começou sua trajetória no América-MG, onde atuou por duas temporadas antes de se transferir ao Cruzeiro, equipe que defendeu de 2019 a 2021. Duda chegou ao Internacional como um dos nomes de maior expectativa da torcida colorada para a temporada de 2022.
Nesta edição do Brasileirão, os números de Duda impressionam: 20 partidas, com 1.766 minutos em campo, somando 11 assistências, 4 gols marcados e 4,2 dribles certos por jogo. A meia foi a atleta que mais deu passes para gol na competição em 2022.
A atleta tem histórico recheado de convocações para as categorias de base da amarelinha e, apesar de jovem, chegou à seleção principal pela primeira vez em 2020, com 19 anos, se tornando presença frequente nas listas desde então, com a promessa de ser um dos grandes nomes da nova geração.
No currículo, soma uma Copa América e uma Liga Sul-Americana CONMEBOL Sub-19 com a seleção brasileira, três Campeonatos Mineiros, conquistados em 2017, 2018 e 2019, uma Copa BH, em 2017, um Brasileirão Sub-20, em 2022, e o prêmio individual de artilheira do Campeonato Mineiro em 2021. Ainda, foi vice-campeã do Brasileiro Série A2 em 2019.
A camisa 10 que se impõe dentro das quatro linhas, fora delas exala tranquilidade. Nos bastidores das Gurias Coloradas, Duda muitas vezes passa despercebida. Quieta, a meia é a legítima mineira da fala mansa, deixando o protagonismo para os 90 minutos em campo.
Criada no interior de Minas Gerais, em cidade de pouco mais de 12 mil habitantes, Duda cresceu com um campo ao lado de sua casa, onde jogava desde pequena com o irmão e os primos. A paixão pelo futebol surgiu dentro de casa e só aumentou com as brincadeiras no gramado vizinho. “Eu costumo até brincar que eu nasci no campo", contou em entrevista à CBF.
Com o passar dos anos, o talento de Duda foi amadurecendo e ela passou a se destacar entre os meninos com quem jogava. Aos 14 anos, começou a atuar nas categorias de base de Jequeri, sua cidade natal, se sobressaindo como artilheira e conquistando títulos.
Foi a oportunidade de ter o futebol como carreira que encontrou Duda, e não o contrário. A atleta foi abordada por um conterrâneo de Jequeri, que a viu jogar e marcou um teste no América-MG. Foram cerca de sete meses em um período de experiência até assinar seu primeiro contrato com a equipe.
Com a dedicação que o futebol exige, Duda se viu obrigada a sair de casa aos 17 anos, rumando à capital Belo Horizonte. Do interior para a cidade grande foram mais de 220 km de distância e, na bagagem, a saudade que só crescia da família. Os que mais faziam falta também foram os que mais a apoiaram nessa mudança de casa e de vida. Na época, o América-MG não possuía alojamentos e a então adolescente passou a morar com sua avó. Eram os tios que a levavam todos os dias aos treinamentos.
Duda aproveitou a oportunidade para amadurecer, aliando técnica e dedicação para mostrar todo o potencial de seu futebol. Ao longo dos anos, conquistou a atenção de comissões técnicas e amantes do esporte do Brasil inteiro. O clube onde jogaria na temporada 2022 foi um dos mais aguardados a serem definidos e ela mostrou a que veio.
E a Bola de Prata tem tudo para ser apenas a primeira de suas grandes conquistas individuais na carreira.
