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Atlético-MG aprova SAF: as perguntas e respostas para entender, do dinheiro às polêmicas, o que está em jogo

Atlético-MG aprovou a venda de 75% da SAF nesta quinta-feira (20) em votação realizada pelo Conselho Deliberativo Twitter/@Atletico

O Atlético-MG aprovou nesta quinta-feira (20) em votação no Conselho Deliberativo o modelo e a venda de 75% da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do clube para o grupo dos 4R's. O pleito teve início às 8h e atingiu os 273 votos - dois terços dos conselheiros - às 18h20.

Para entender melhor o que está em jogo para o Atlético-MG, o ESPN.com.br separou oito perguntas e respostas que ajudam a explicar por que a SAF é vista como "única saída" para o clube para os atuais gestores, mas também gerou polêmica e protestos por parte de alguns torcedores.

Quem são os donos da SAF do Atlético-MG?

A SAF do Atlético-MG terá como principal acionista um grupo chamado de "Galo Holding". Essa holding, por sua vez, será majoritariamente formada pelos chamados 4R’s (Rubens Menin, Rafael Menin, Ricardo Guimarães e Renato Salvador). Outros dois fundos, de investidores e torcedores atleticanos, também terão participação, minoritária.

Como será a divisão do Atlético-MG com a SAF?

A Galo Holding será dona de 75% das ações do negócio, enquanto a associação ficará com 25%. Além do comando do futebol, também passam para a SAF a totalidade da dívida do clube, a Arena MRV e também a Cidade do Galo. A sede administrativa, o Labareda e a Vila Olímpica seguiriam como patrimônio da associação.

Na divisão da Galo Holding, 78% serão ações dos 4R’S, 11% será um dos fundos, que já está constituído, e outros 11% serão de um segundo fundo, que ainda captará investimento, formado por torcedores do Atlético-MG.

Qual o valor da SAF do Atlético-MG?

O Atlético-MG aponta o valor de R$ 2,1 bilhões como o total do negócio. Para chegar à cifra, o Galo fez contas diferentes, mas que "convergem", nas palavras do CEO Bruno Muzzi. O primeiro dos modelos tem como base os ativos. O Atlético contratou duas empresas para que fizessem laudos para avaliar a Arena MRV e o CT do clube, que serão repassados à SAF.

O clube chegou ao valor de R$ 1,3 bilhão com os dois bens. Os outros R$ 800 milhões, que justificariam o montante de R$ 2,1 bilhões, são o atual patrimônio do clube, incluindo jogadores e também o valor da marca Atlético – que não será "vendida", mas passará a também ser explorada, claro, pela SAF.

O segundo tem relação com o atual valor da dívida atleticana, de R$ 1,8 bilhão, que passaria a ser responsabilidade da SAF; e o capital que seria da associação no negócio: R$ 300 milhões.

Quanto será, de fato, investido no Atlético-MG com a SAF?

Embora o clube afirme que o aporte inicial será de R$ 913 milhões, apenas R$ 600 milhões serão "dinheiro novo" – e, desse valor, quase a totalidade dele será direcionado para pagamento de dívidas, e não investimento. O "desconto" de R$ 313 milhões é referente a uma dívida que o Atlético já tem com os R’s. Como o valor seria diretamente abatido, o clube o considera "aporte".

Desses R$ 600 milhões, R$ 400 milhões serão dos 4R's; R$ 100 milhões de um fundo de investidores já constituído; e outros R$ 100 milhões do fundo que ainda captará recursos com torcedores atleticanos.

Por que SAF do Atlético-MG gerou protestos entre torcedores?

Há alguns questionamentos feitos por torcedores. Um deles é, inclusive, referente aos valores envolvidos, já que, no passado, o Atlético já havia feito estudos de "valuation" maiores do que o de R$ 2,1 bilhões. Outro é que o processo foi apressado, uma vez que a primeira apresentação com detalhes sobre a SAF só foi feita aos conselheiros no último dia 30 de junho.

Também gera insatisfação o envolvimento dos 4 R’s tanto do lado "vendedor", já que os quatro formam o Conselho Gestor que toma as principais decisões do clube hoje, quanto do "comprador", uma vez que serão os maiores acionistas da SAF, gerando possível conflito de interesses.

SAF vai elevar o patamar de reforços do futebol?

Dos R$ 600 milhões que o Atlético receberia à vista, a maior parte será direcionada para negociação com credores da dívida de R$ 1,8 bilhão. Não significa que, automaticamente, o clube reduzirá seus débitos para R$ 1,2 bilhão, por exemplo, mas que conseguirá, ao menos na teoria, ter melhores condições para administrar os pagamentos. A intenção é de manter o equilíbrio nas contas até 2026.

"Vamos dar prioridade a bancos, agentes, clubes, evitando processo na Fifa, etc. Tentando reduzir juros, alongando a dívida. E, nesse período, vamos manter a folha competitiva. Ideia é que a gente tenha um teto orçamentário, que estamos definindo, e não vamos passar, respeitar", disse o CEO Bruno Muzzi, citando também os atuais gastos com o futebol.

Hoje, o Atlético tem folha salarial na casa de R$ 215 milhões por ano. É um patamar que o clube tem tido dificuldade de honrar, com problemas no fluxo de caixa – nesta temporada, por exemplo, houve atrasos com o elenco. Mas, com a SAF e a dívida melhor administrada, acredita ser possível manter.

O mais importante, segundo Muzzi, será ser fiel aos valores previstos em orçamento com a SAF. Vale tanto para a folha salarial, quanto para a projeção a possíveis investimentos em reforços. "Precisamos ser eficientes. Se a gente não conseguir resultados, não vamos mexer na nossa projeção. Vamos segurar pressão, porque não podemos cometer nenhum tipo de excesso", afirmou.

E os investidores internacionais? Grupo City fez proposta pela SAF do Atlético-MG?

O Atlético-MG afirma que mais de 100 investidores foram abordados sobre o negócio pela SAF do clube. Entre todos, o que esteve mais próximo de se tornar "dono" foi o norte-americano Peter Grieve, possibilidade que acabou não se concretizando, com o atual comando alvinegro justificando que a SAF administrada por "atleticano" é o melhor caminho para o futuro.

Houve conversas também com o City Football Group, donos do Manchester City, mas sem avanços para uma proposta formal. "O Grupo City nunca chegou a fazer uma proposta. Nem o Fenway (Sports Group, donos do Liverpool), nem o QSI (Qatar Sports Investments, que administra o PSG), nenhum deles. Muito relacionado ao perfil do clube, ao perfil da dívida, e o que eles gostariam de ter. Nunca houve proposta formal. Houve conversas, ver se fazia sentido, mas o Atlético não era o perfil do Grupo City", disse Bruno Muzzi.

"Os perfis não eram o que os dois buscavam, na verdade. Basicamente, o City queria ter um clube com 90% de controle deles e que eles pudessem usar o clube para formação de jogadores e poder fazer essa transição para a Europa. É o que tem um grupo do peso desse", completou.

Quais os próximos passos da SAF do Atlético-MG com a aprovação?

Com a aprovação nesta sexta-feira (21), o Atlético-MG prevê a confecção de todos os documentos necessários para a formalização do negócio no mês de agosto, assim como a aprovação dos órgãos regulatórios, pelo fato de a SAF envolver nomes como Rubens Menin, que já possui uma série de outros negócios. Nesse cenário, o aporte inicial previsto seria feito entre o final de setembro e outubro.


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