Arsenal entra em campo nesta quinta buscando vaga na Champions League, competição da qual está ausente há anos
O Arsenal entra em campo nesta quinta-feira para enfrentar o Wolverhampton pela Premier League, às 16h45 (de Brasília), com transmissão ao vivo e exclusiva para assinantes Star+. Na tabela, o time londrino é o sexto colocado e luta para voltar à Champions League após cinco anos de ausência.
Um dos gigantes históricos ingleses, o Arsenal se afastou dos holofotes nas últimas temporadas. Além de não chegar na principal competição europeia, os resultados dentro da Inglaterra também são decepcionantes: o último título da Premier League foi em 2004, há 18 anos.
Desapontada com o desnível em relação aos principais rivais como Manchester City, Liverpool e Chelsea, a torcida dos Gunners elegeu o vilão: Stan Kroenke, dono do clube e, por consequência, responsável por toda a operação do Arsenal.
O empresário estadunidense começou a comprar ações do Arsenal em 2007. Na época, o clube era de propriedade dividida de empresários britânicos, considerados “conservadores” em relação à cultura do futebol.
Kroenke foi adquirindo ações pouco a pouco e, em 2011, já tinha o controle do clube, com mais de 62% delas. O projeto foi completado em 2018, quando ele comprou o restante das ações.
Bilionário, o empresário também é dono de Los Angeles Rams (NFL), Denver Nuggets (NBA), Colorado Avalanche (NHL) e Colorado Rapids (MLS), entre outras equipes. Ele até investe quantias consideráveis no Arsenal, mas não o suficiente para competir com os rivais. Algo que ele poderia fazer, se quisesse.
O Los Angeles Rams, por exemplo, acabou de ser campeão da NFL no seu estádio recém-construído de 5 bilhões de dólares (R$ 25 bilhões). A divisão da atenção de Kroenke faz a torcida londrina ter a impressão de que ele não se importa tanto assim com o Arsenal, nem tem ambição de levar o clube à elite da Europa, estando satisfeito com a atual posição do time.
Em 2019, torcedores do Arsenal lançaram a campanha “Nós nos importamos. Você se importa?”, exigindo ações por parte do dono do clube para elevar o nível de competitividade do elenco. Dois anos depois, em 2021, a criação da Superliga Europeia levou milhares de pessoas ao Emirates Stadium para protestar, com cartazes pedindo a saída de Kroenke.
E não faltam interessados em pagar grandes quantias pelos Gunners. Em abril do ano passado, o sueco Daniel Ek, dono do Spotify, fez campanha pública para comprar o clube. Apesar da nacionalidade, ele revelou ser torcedor do Arsenal desde criança.
"Quando criança e durante minha adolescência, sempre torci pelo Arsenal desde que me lembro. Se a KSE (Kroenke Sports & Entertainment) quiser vender o clube, eu ficaria muito feliz em assumir as operações", afirmou Ek.
Até três lendas do clube entraram no consórcio de Daniel Ek para apoiar a compra: ninguém menos que Thierry Henry, Dennis Bergkamp e Patrick Vieira. Em vão.
Stan Kroenke afirmou publicamente que não tem nenhuma intenção de vender o clube. Dessa forma, não importa qual valor oferecido, o bilionário estadunidense poderá sempre recusar a proposta e se manter no comando.
Tal situação serve, no mínimo, de alerta para as torcidas brasileiras. Com a nova lei da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) no Brasil, os ativos de futebol de clubes tradicionais têm sido comprados por empresários de diferentes características.
O Cruzeiro foi vendido para Ronaldo Fenômeno, ex-jogador revelado pelo clube. Já o Botafogo foi comprado por John Textor, empresário norte-americano que também tem participação em outros clubes do mundo. Agora, o Vasco está em processo de fechar negócio com a holding americana 777 Partners.
Ainda que a SAF traga vários pontos positivos, a história do Arsenal – e de outros clubes pela Europa – mostra que nem sempre ter um dono traz os melhores resultados.
