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Ex-Palmeiras conta como foi para o Arsenal e conheceu astros: 'Jogo com você no PlayStation'

Luiz Gustavo, ex-jogador de Palmeiras e Vasco, contou à ESPN como foi o período no Arsenal


Ex-zagueiro de Palmeiras e Vasco, Luiz Gustavo teve uma passagem ainda na adolescência pelo Arsenal. Em 2008, o jovem tinha apenas 14 anos, mas já era um dos destaques das equipes de base do Mirassol, que tinha nomes como Nikão e João Denoni.

“Jogava uma categoria acima e a gente tinha safra muito boa que chamava atenção porque estávamos bem no Paulistão. Eu era capitão do time e despertei interesse do Sandro Orlandelli, scout do Arsenal. Ele gostou do meu futebol e no fim do ano ele trouxe a carta do para os meus empresários para ficar um período de experiência e adaptação em Londres”, disse ao ESPN.com.br.

O defensor chegou ao time inglês e foi apresentado ao lendário técnico Arsene Wenger, que comandou os Gunners por mais de duas décadas.

“Ele nos recebeu muito bem, deu boas vindas e falou para aproveitarmos a oportunidade de ouro porque ele estava de olho”, afirmou.

Mesmo sendo muito jovem, Luiz impressionou nos treinos com o time b do Arsenal, que tinha jovens de 16 a 23 anos. “O pessoal achava que não era da idade certa. Fizeram exames em mim e comprovaram a minha idade (risos). Meus empresários na época falaram que se o Arsenal não quisesse, tinha o Chelsea e o Manchester United me queriam. Isso ficou marcado”, contou.

Além disso, o garoto teve a oportunidade de dividir o mesmo vestiário e as instalações do CT do time principal ao lado nomes como Van Persie, Fabregas, Adebayeor, Denilson e Eduardo da Silva.

“Eu era muito garoto e não falava inglês, por isso sempre tinha um intérprete do nosso lado para traduzir. Infelizmente não consegui conversar tanto com os jogadores porque lá fora o pessoal é mais sério. Não eram de muita conversa ou resenha. No vestiário você via as estrelas e a gente pedia para tirar foto, porque eu era quase uma criança. Lembro que falava para eles: ‘Jogo com você no Playstation' (risos). Daí, o Sandro ia traduzindo e os caras respondiam. Os brasileiros receberam a gente de uma forma sensacional e nos davam conselhos. Eles queriam passar uns toques”, afirmou.

O jovem disse que conseguiu aprender muito no mês em que ficou na Inglaterra e sentiu o gostinho de ser jogador do Arsenal, vendo partidas no camarote do Emirates Stadium.

“A gente conheceu a loja gigantesca da fornecedora de material esportivo do Arsenal. Recebemos várias chuteiras, roupas e acessórios. Era algo para nós que víamos as lojas de shopping no Brasil, eles faziam a chuteira na forma do seu pé. Era muito diferente. Vi neve pela primeira vez na minha vida, foi bem marcante”.

Apesar de ter ido bem nesse período, Luiz Gustavo preferiu voltar ao Brasil. Por não falar inglês e estar muito longe de casa, ele achou que teria muitas dificuldades para se adaptar à Inglaterra. Passados 13 anos, o brasileiro acredita que sua carreira poderia ter sido bem diferente caso tivesse permanecido em Londres.

Vai jogar o Paulistão

Pouco mais de um ano após a aventura na Europa, ele ingressou nas categorias de base do Palmeiras e defendeu as seleções de base do Brasil. Em 2012, foi promovido ao elenco principal pelo técnico Luiz Felipe Scolari, mas não teve muitas chances. Depois de fazer apenas oito partidas pelo Verdão, ele foi emprestado ao Vitória de 2013 a 2015. Ele passou depois por Ferroviária, Avaí, Oeste e Vasco, que o contratou no começo de 2018.

Depois, o zagueiro passou por Guarani, Goiás e Cuiabá antes de chegar ao Santo André para a disputa do Paulistão de 2022. Na equipe do ABC, ele será treinado outra vez por Thiago Carpini, que o comandou no Bugre.

“Eu tenho um respeito enorme por ser um baita profissional e uma pessoa do bem, um cara ético. É um treinador que tem critérios, sou suspeito para falar. A gente teve uma conversa e pelo momento que passei da lesão, a gente conversava sempre. Ele me propôs de vir para cá e aceitei, achei interessante. Até pelo conhecimento que temos na época do Guarani, fui capitão com ele. Foi um momento marcante na minha carreira. Eu tinha outras situações, mas foi um ponto chave para fechar. Acreditava no trabalho dele e no projeto como seria. A gente quer chegar o mais longe possível e fazer história no Paulistão”.