<
>

'Não devemos nada aos europeus': coordenador do Palmeiras prevê Chelsea desgastado e revela preparação para Mundial

ESPN.com.br conversou com Daniel Gonçalves, coordenador científico do Palmeiras, sobre a preparação para o Mundial de Clubes


Bicampeão da Conmebol Libertadores com duas conquistas no ano de 2021, o Palmeiras enfrentou uma verdadeira batalha nos últimos meses por conta do acúmulo de partidas e problemas com o calendário.

De acordo com levantamento realizado pelo CIES Football Observatory, o Verdão foi o time que disputou mais partidas no mundo entre novembro de 2020 e novembro de 2021. Ao todo, foram 97 jogos no período. A efeito de comparação, o Manchester City foi a equipe europeia que mais disputou jogos, com 67, mesmo número do Dínamo Zagreb, da Croácia.

Mesmo com o calendário apertado e o acúmulo de partidas entre torneios locais e internacionais, o Palmeiras terminou a temporada com o título de campeão da Libertadores pela terceira vez em sua história. Um dos nomes mais importantes para o êxito palmeirense pouco aparece, mas tem papel fundamental na estrutura alviverde. Trata-se de Daniel Gonçalves, coordenador científico do clube.

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o profissional detalhou como que o Palmeiras se organizou ao longo de todo ano para chegar ao final da temporada sem desfalques por graves lesões e com o departamento médico zerado no último mês do ano.

"O que determina um mecanismo de prevenção de lesões e desempenho é o controle de carga. A gente monitora tudo em tempo real e sabemos com exatidão como ele perfoma no treinamento e no campo. A gente sabia que o calendário seria extenuante. E nós sabíamos que a partir das quartas de final da Libertadores teríamos 100% do elenco à disposição graças a esse trabalho de prevenção", explicou.

Fracasso no primeiro Mundial e 'ausência de tempo hábil'

Após o título da Libertadores diante do Santos, em janeiro deste ano, o Palmeiras teve um intervalo de oito dias entre a conquista e a estreia no Mundial de Clubes, no Catar, diante do Tigres, do México. Abaixo fisicamente e psicologicamente em relação ao rival, o Verdão perdeu por 1 a 0 e deu adeus ao sonho do título.

A competição foi um fracasso como um todo, uma vez que o time sequer marcou gols e ficou na última posição possível ao Palmeiras - o time ainda perdeu a disputa de terceiro lugar nos pênaltis para o Al-Ahly, do Egito. Nas palavras de Daniel Gonçalves, o Palmeiras teve apenas três dias para se preparar e não conseguiu competir à altura.

"O calendário da temporada anterior foi muito sacrificante. Vencemos a Libertadores no sábado, tivemos partida do Brasileirão na terça e logo em seguida fomos ao Catar. Tivemos três dias de preparação. Não foi adequado. Não houve adaptação ao fuso horário, aclimatação, mobilização mental. Os atletas precisavam extravasar a comemoração da Libertadores e não houve tempo", disse o profissional.

Preparação correta para o Mundial e 'não devemos nada' aos rivais

Desta vez, a situação do Palmeiras visando o Mundial de Clubes será bastante diferente. Campeão da Libertadores no dia 27 de novembro, o Verdão antecipou as férias do elenco principal e da comissão técnica, cumprindo o restante das partidas do Campeonato Brasileiro com o time sub-20.

Com o Mundial marcado para o início de fevereiro, o Palmeiras terá dois meses para dar descanso aos atletas, realizar uma pré-temporada correta e, principalmente, trazer reforços ao elenco. Até o momento, conforme antecipado pelo ESPN.com.br, Eduard Atuesta, do Los Angeles FC, Valber Huerta, da Universidad Católica, e Marcelo Lomba, do Internacional, estão acertados com o time paulista.

"Desta vez, a gente espera conseguir realizar todos os ciclos pós-conquista. Eles precisam descansar, ter o período de transição e se reestabelecerem mentalmente e fisicamente. A partir daí, teremos programação de pré-temporada e, em seguida, toda a preparação de pré-competição, com jogos-treino e preparatórios uma semana ou 15 dias antes do Mundial".

"A gente aprendeu com o Mundial anterior. Sabemos da necessidade de fazer diferente desta vez. As demais equipes terão suas peculiaridades para este Mundial dos Emirados Árabes. Sobre a preparação física, com o mundo globalizado, a obtenção do conhecimento é muito facilitada pela internet".

Daniel destacou ainda que o Palmeiras conta com tecnologia de ponta e que não fica atrás neste quesito para a disputa do Mundial. "Nós não devemos nada aos europeus ou aos mexicanos. Contamos aqui com o que há de mais moderno. O clube tem um processo de investir neste recurso ciente do calendário exaustivo que temos. Isso ajuda a prevenir lesões e ter uma melhor performance no ano".

O coordenador científico do Palmeiras explicou ainda que, assim como o Palmeiras no início do ano, o Chelsea também poderá chegar ao Mundial de Clubes desgastado por conta do calendário de final de ano para as equipes europeias.

"Futebol inglês tem o Boxing Day no final do ano, no período festivo, é um momento exaustivo aos atletas. O Chelsea deve ter algum atleta do continente africano que pode ser convocado para a Copa Africana de Nações, o que geraria um novo problema, além de estar disputando a liderança da Premier League", finalizou.