Em entrevista ao ESPN.com.br, Lulinha revelou que recebeu ligação de Neto antes de partida que acabou rebaixando Corinthians e lembrou situações com a torcida após a queda
Neste domingo (5), o Corinthians encara o Grêmio podendo decretar o rebaixamento tricolor para a Série B. Em 2007, porém, a situação era oposta. Um dos nomes presentes na partida que rebaixou o Alvinegro contra os gaúchos, Lulinha fez revelações sobre o fatídico dia e a pressão que o time enfrentava.
“A gente tentava se blindar da melhor forma possível, mas no dia do jogo estava uma muvuca de torcedores do Grêmio no hotel gritando ‘segundo divisão’. Tinham torcedores do Corinthians também nos incentivando. A gente foi consciente do que precisava fazer. Hoje, parando para pensar, nosso elenco era muito limitado. Hoje, o time do Grêmio é muito melhor que o nosso naquela época”, disse ao ESPN.com.br.
“Com poucos minutos tomamos um gol do Grêmio. Para recuperar mentalmente, é complicado. No intervalo fomos para o vestiário empatados. Como o Goiás não estava vencendo, a gente estava escapando. Nisso, o treinador falou para gente: ‘não pensa no Goiás, vamos fazer a nossa parte porque depende muito mais da gente do que deles’. Infelizmente, o Goiás venceu e caímos”, completou.
Antes da partida, porém, a motivação vinha de muitos lugares. Até mesmo de ídolos do passado da equipe. O meia revelou que recebeu uma ligação de Neto para tentar passar confiança para a decisão.
“Lembro que a gente estava entrando no ônibus indo para o estádio quando o Andrés, que era o presidente, falou: ‘Tem um rapaz aqui querendo falar com você’. Era o Neto, ídolo e campeão brasileiro que fez uma história gigantesca no Corinthians”, relembrou.
“Ele disse: ‘Vamos lá, vai com tudo. A gente confia em vocês, não deixa a gente cair, pelo amor de Deus’. Era aquela coisa de motivação. Ele tem uma identificação muito grande com o Corinthians”, acrescentou.
Pressão após a partida
Lulinha viveu um dia ainda mais atípico após o rebaixamento. Além do rebaixamento, o jogador ainda foi sorteado para o exame antidoping. Depois, ainda teve dificuldades para conseguir chegar no aeroporto.
“Eu fui sorteado para o exame antidoping com o Moradei e outros dois jogadores do Grêmio. A gente chorava muito e não conseguia urinar com aquele sentimento ruim. Demorou muito tempo para conseguir. A gente pegou um táxi no Olímpico e foi para o aeroporto com o avião quase fechando as portas. Tinham muitos torcedores bravos no nosso voo. Os jogadores ficaram quietos e parados. Alguns torcedores falaram que iam derrubar o avião, outros dizendo que não tinha mais motivo para viver porque tinha sido rebaixado”, apontou.
“A polícia entrou e tirou alguns torcedores porque não poderia decolar com torcedores dizendo que iriam derrubar o avião ou abrir a porta. No voo, a gente foi no fundo do avião e com torcedores espalhados no avião e cobrando. Ouvimos muita coisa, porque eles estavam sentindo naquele momento. eles são apaixonados e amam. Eu soube depois que o Metaleiro, da Gaviões da Fiel, se escondeu no banheiro do ônibus e tentou agredir os jogadores do Corinthians”, ressaltou.
Na chegada em São Paulo, a situação foi ainda mais complicada. Os jogadores ficaram impedidos de sair do hotel por uma semana, pois seus carros tinham sido apedrejados no Parque São Jorge.
“A gente chegou e sabia que os carros dos jogadores tinham sido apedrejados e precisamos ir para um hotel, e só depois de uma semana a gente foi retirar. Foi muito difícil para poder se reerguer mentalmente forte. A torcida ajudou muito os meninos que estavam subindo e não nos pressionaram tanto e precisavam da gente para colocar o time na Série A de novo. Na reapresentação tiveram torcedores que nos cobraram e outros que nos incentivaram”, disse.
Mas, para Lulinha, o sentimento ainda foi de que algo a mais poderia ter sido feito, com sofrimento maior por sua história na base do clube.
“Em 2007 eu não consegui jogar tanto porque joguei muitas convocações das seleções de base e cheguei na reta final. Não quero tirar o meu da reta, mas cheguei com o Corinthians enforcado para tentar ajudar. Eu sofri o dobro por que entrei no Corinthians com 8 anos de idade. Eu estava dentro de campo e poderia ajudar”, finalizou.
