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Flamengo: onde dupla Gabigol e Bruno Henrique está na história do futebol brasileiro? Veja números e opine

Gabigol e Bruno Henrique formam a principal dupla de ataque do Brasil nos últimos anos, com atuações memoráveis, muitos gols e títulos de sobra. Já é possível colocá-los no mesmo patamar de outras grandes parcerias da história do futebol nacional?


Certas vezes a história passa assim, quase que imperceptível pelos olhos de quem a acompanha, e só vai receber o devido valor quando já é tarde demais para ser apreciada. Pois bem, amante do futebol: independentemente do clube que torça, não custa nada olhar com atenção ao que uma certa dupla de ataque fez, faz e possivelmente ainda fará com a camisa do Flamengo.

Desde que se juntaram, primeiro no Santos em 2018 e depois no rubro-negro no ano seguinte, Gabigol e Bruno Henrique tornaram-se a grande dupla ofensiva do futebol brasileiro. O casamento perfeito rendeu gols históricos, títulos inesquecíveis e momentos de pura alegria, em especial aos flamenguistas, que sonham com mais um título de Libertadores daqui alguns dias.

Palmeiras x Flamengo, final da Conmebol Libertadores, tem transmissão AO VIVO pelo FOX Sports e pela ESPN no Star+ no dia 27, às 17h (de Brasília).

É tanto entrosamento que já não parece errado perguntar: seria essa dupla uma das maiores da história do futebol brasileiro? Se é impossível comparar épocas e contextos históricos diferentes, o ESPN.com.br selecionou algumas das grandes parcerias de ataque do país, listou feitos e trouxe à mesa para o debate.

De Pelé e Coutinho (que jogavam em uma linha de cinco, mas fizeram história lado a lado pelo Santos) até Bebeto e Romário, passando por outras grandes duplas marcantes, veja abaixo números de gols, coleção de títulos, opinião dos comentaristas dos Canais Disney e um breve resumo do que cada parceria de sucesso deixou como legado na história do país.

Ao fim do texto, deixe seu voto na enquete e escolha qual a melhor dupla entre todas as citadas abaixo!


GABIGOL E BRUNO HENRIQUE

Duração: desde 2018, pelo Santos, e 2019 em diante, pelo Flamengo

Jogos: 141 (112 pelo Flamengo e 29 pelo Santos)

Gabigol: 79 gols (76 pelo Flamengo, 3 pelo Santos)

Bruno Henrique: 57 gols (56 pelo Flamengo, 1 pelo Santos)

Títulos: 9 (Libertadores 2019, Brasileiro 2019 e 2020, Recopa Sul-Americana 2020, Supercopa do Brasil 2020 e 2021, Carioca 2019, 2020 e 2021)

Faro de gol, presença de área, capacidade de assistência, movimentação inteligente, explosão. Tudo isso faz parte do repertório da dupla, que só foi explodir mesmo no Flamengo, já que, no Santos, os dois tiveram pouca sequência devido a problemas físicos de Bruno Henrique.

No Rio, são nove títulos em quase três temporadas, incluindo a segunda Libertadores da história do Flamengo, em uma final épica contra o River Plate, em 2019.

Gabigol e Bruno Henrique somam 136 gols quando estão lado a lado, uma prova da potente parceria que faz a torcida crer no tricampeonato sul-americano no Uruguai. Anular essa dupla, por mais difícil que pareça, é a saída para evitar a festa flamenguista em Montevidéu.


PELÉ E COUTINHO

Duração: 1958/67 e 1969/70, pelo Santos, e 1960/63, pela seleção

Pelé: 769 gols pelo Santos*

Coutinho: 368 gols pelo Santos

Títulos: 20 (Paulista 1960, 61, 62, 64, 65 e 67, Taça Brasil 1961, 62, 63, 64 e 65, Torneio Rio-São Paulo 1959, 63, 64 e 66, Libertadores 1962 e 63, Mundial de Clubes 1962 e 63, Copa do Mundo 1962)

Pelé é o Rei, inigualável para a maioria dos amantes de futebol e quase perfeito em praticamente todos os fundamentos. Mas engana-se quem pensa que o maior de todos não teve uma companhia incrível a seu lado para brilhar, em especial pelo Santos.

Coutinho chegou à Vila Belmiro em 1958, ainda adolescente, quando Pelé, tão jovem quanto, já aprontava das suas. Os dois fizeram parte do quinteto ofensivo mais decorado da história: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Eram cinco à frente, mas os camisas 9 e 10 acabaram criando uma dupla infernal.

Juntos, fizeram o Santos ser dominante em São Paulo, no Brasil, na América do Sul e no mundo, desde os títulos mais importantes até excursões sem fim para todos os cantos. O único porém é a breve história da parceria na seleção, com apenas nove jogos.

Pelé, campeão do mundo em 1958, formaria com Coutinho o ataque na Copa de 62, mas ambos acabaram se machucando e não conseguiram repetir a dobradinha do Santos. Coutinho ainda abriria mão de algumas convocações no futuro e viu a parceria ser abreviada por problemas no joelho. Mas nem isso tira o brilho da, provavelmente, maior dupla de ataque que o país já viu.

* Número de gols enquanto os dois estavam no Santos, não necessariamente quando atuaram juntos na mesma partida


MÜLLER E CARECA

Duração: 1984-87, pelo São Paulo, de 1986 a 93, pela seleção, e 1997, pelo Santos

Jogos: 114 (82 pelo São Paulo, 24 pela seleção, 8 pelo Santos)

Müller: 45 gols (38 pelo São Paulo, 5 pela seleção, 2 pelo Santos)

Careca: 71 gols (57 pelo São Paulo, 12 pela seleção, 2 pelo Santos)

Títulos: 3 (Brasileiro 1986, Paulista 1985 e 1987)

Caso raro de uma dupla de ataque que defendeu a seleção brasileira em duas Copas do Mundo, em 1986 e 1990. Antes, brilharam com a camisa do São Paulo, na geração chamada de "Menudos do Morumbi".

Foram campeões brasileiros, em 1986, e duas vezes do Paulista, em 85 e 87, antes de Careca ser vendido ao Napoli para atuar com Maradona. Müller também foi para o exterior, mas voltou ao Morumbi para formar outra parceria história com Raí e Palhinha, no time bicampeão da Libertadores e do Mundial em 1992/93.

Além de São Paulo e seleção, fizeram um breve revival pelo Santos, em 1997, quando Careca já vivia os últimos dias como jogador e Müller já não era o velocista de outros momentos. O entrosamento já não era mais o mesmo, naturalmente, mas ainda foi possível comemorar alguns gols lado a lado.


EDMUNDO E EVAIR

Duração: 1993/94, pelo Palmeiras, e 1997, pelo Vasco

Jogos: 102 (76 pelo Palmeiras, 23 pelo Vasco e 2 pela seleção)

Edmundo: 47 gols (27 pelo Palmeiras, 19 pelo Vasco, 1 pela seleção)

Evair: 58 gols (49 pelo Palmeiras, 8 pelo Vasco, 2 pela seleção)

Títulos: 6 (Brasileiro 1993, 94 e 97, Paulista 1993 e 1994, Torneio Rio-São Paulo 1993)

Um grande exemplo, talvez o maior, de como personalidades absolutamente diferentes podem formar uma grande dupla. Edmundo, o explosivo que ganhou até alcunha de Animal, teve no introvertido Evair talvez seu melhor parceiro na carreira. E isso não é pouca coisa para quem atuou com Romário, Ronaldo, Batistuta...

Juntos, tiraram o Palmeiras da fila com o título paulista de 1993, depois ganharam o bicampeonato estadual, dois Brasileiros e mais um Rio-São Paulo, no auge da parceria alviverde com a Parmalat.

Atuaram duas vezes lado a lado na seleção, mas sem desbancar a concorrência para a Copa de 1994. Anos depois, uniram-se novamente no Vasco para garantir um terceiro título brasileiro, na possivelmente melhor fase de Edmundo na carreira.


BEBETO E ROMÁRIO

Duração: 1989 a 97, pela seleção, 1996, pelo Flamengo, e 2001, pelo Vasco

Jogos: 29 (24 pela seleção, 4 pelo Vasco, 1 pelo Flamengo)

Bebeto: 17 gols (todos pela seleção)

Romário: 25 gols (18 pela seleção, 6 pelo Vasco, 1 pelo Flamengo)

Títulos: 3 (Copa América 1989, Copa do Mundo 1994, Copa das Confederações 1997)

Possivelmente o grande ataque que a seleção brasileira já teve (levando em conta que Garrincha e Pelé, pelo primeiro ser ponta, não eram exatamente uma dupla). Um exemplo de entrosamento puro, em especial quando os dois estavam no auge da forma física.

Juntos, venceram a primeira Copa América do Brasil desde 1949 e tiraram o país de uma fila de 24 anos sem levantar um Mundial. Ainda levantaram a Copa das Confederações, quando Bebeto já era reserva de Ronaldo 'Fenômeno'.

Chama atenção, porém, que o sucesso com a camisa amarela nunca se repetiu em clubes. Jogaram uma vez só pelo Flamengo, em 1996, e fizeram quatro partidas pelo Vasco, mas só uma como titulares (o fiel escudeiro de Romário era Euller). Nessa última passagem, Bebeto já vinha de um ano parado e se aposentou logo em seguida.


PAULO NUNES E JARDEL

Duração: 1995/96, pelo Grêmio

Jogos: 70

Paulo Nunes: 22 gols

Jardel: 58 gols

Títulos: 4 (Libertadores 1995, Recopa Sul-Americana 1996, Gaúcho 1995 e 96)

Parceria intensa, histórica na vida do Grêmio, mas que durou bem menos do que poderia. Paulo Nunes, vindo do Flamengo, encontrou em Jardel, o artilheiro grandalhão e desengonçado que era do Vasco, o principal companheiro de ataque numa fase áurea do Tricolor gaúcho.

Sob a batuta de Luiz Felipe Scolari, os dois lideraram um Grêmio campeão da Libertadores, que perdeu a final do Mundial de Clubes nos pênaltis para o Ajax, e que se impôs como grande time do Brasil após o sucesso do São Paulo, de 1992 e 93, e do Palmeiras, de 1993 e 94.

Os embates com o Alviverde, aliás, estão até hoje marcados na memória da torcida gremista, com direito a goleada por 5 a 0 em 1995 (e derrota por 5 a 1 na volta, que não impediu a classificação na Libertadores). Bateram na trave na hora de beliscar um bicampeonato sul-americano, em 1996, e viram a parceria ser interrompida com a venda de Jardel ao Benfica. Paulo Nunes voltou a formar bela dupla entre 1998 e 1999 com Oséas, no Palmeiras.


DONIZETE E TÚLIO

Duração: 1995, pelo Botafogo, 1997, pelo Corinthians, e 2000, pelo Botafogo

Jogos: 45 (25 pelo Botafogo, 19 pelo Corinthians, 1 pela seleção)

Túlio: 30 gols (23 pelo Botafogo, 7 pelo Corinthians)

Donizete: 10 gols (6 pelo Botafogo, 3 pelo Corinthians, 1 pela seleção)

Títulos: 2 (Brasileiro 1995, Paulista 1997)

Outra dupla que teve vida curta, bem curta, apesar de ter se juntado em três anos diferentes. O auge, claro, foi logo de cara, quando Donizete e Túlio lideraram um desacreditado Botafogo rumo ao título brasileiro de 1995. O camisa 7, apelidado de "Maravilha", contou com a ajuda do "Pantera" para ser o artilheiro do campeonato.

O desempenho levou ambos para a seleção, mas a parceria não rendeu frutos com a camisa amarela. Eles se reencontraram depois no Corinthians campeão paulista em 1997, mas em uma época que Túlio, reforço contratado a peso de ouro pelo Banco Excel, foi prejudicado por problemas de relacionamento com colegas de time.

A despedida da dupla foi em 2000, novamente pelo Botafogo, mas com uma campanha melancólica na Copa João Havelange, o Brasileiro da época: 16º lugar e fora da classificação para o mata-mata. Antes, Donizete brilhou ao lado de Luizão, no Vasco campeão da Libertadores de 1998.


ROMÁRIO E RONALDO

Duração: 1997/99, pela seleção

Jogos: 19

Ronaldo: 15 gols

Romário: 18

Títulos: 2 (Copa América 97 e Copa das Confederações 97). Ganharam também a Copa do Mundo de 1994, mas Ronaldo não atuou nenhuma vez

Ataque que foi praticamente imposto pela opinião pública e torcida ao técnico Zagallo, em 1997, e que uniu dois dos maiores atacantes da história do país em uma curta, porém memorável, temporada.

Entre 1997 e 1998, a dupla Ro-Ro venceu dois títulos de forma inquestionável (um deles, a Copa das Confederações, com direito a 6 a 0 na final contra a Austrália, três gols de cada), enfileirou goleadas mundo afora e parecia pronta para liderar o pentacampeonato na Copa do Mundo da França, em 1998.

No entanto, o corte de Romário às vésperas da estreia impediu que uma das maiores duplas da história jogasse junta em um Mundial. Eles voltaram a se encontrar em 1999, já acompanhados por Rivaldo, num amistoso do Brasil contra o Barcelona, em comemoração ao centenário do clube espanhol. O Baixinho deu assistência para Ronaldo deixar sua marca.


EDILSON E LUIZÃO

Duração: 1999/00, pelo Corinthians, e 2001/02, pela seleção

Jogos: 57 (54 pelo Corinthians, 3 pela seleção)

Edilson: 16 gols (todos pelo Corinthians)

Luizão: 39 gols (37 pelo Corinthians, 2 pela seleção)

Títulos: 2 (Brasileiro 1999, Mundial 2000), além da Copa

A junção de um atacante arisco e driblador e um centroavante no auge da carreira não poderia dar errado. E não deu! Edilson e Luizão foram duas das estrelas do Corinthians campeão brasileiro em 1999 e mundial em 2000.

Para coroar a parceria, faltou apenas a conquista da Libertadores, mas a derrota para o Palmeiras, nos pênaltis, em 2000, impediu o título que parecia encaminhado. A eliminação para o rival causou ira na torcida e, consequentemente, a saída de Edilson, um dos mais cobrados por não ter batido pênalti contra o Verdão.

Já em clubes diferentes, eles voltaram a atuar juntos pela seleção e fizeram bonito: 3 a 0 na Venezuela em 2001, no jogo que carimbou o passaporte do Brasil à Copa que, meses depois, ganharia. Luizão foi o destaque, com dois gols.


MARQUES E GUILHERME

Duração: 1999 a 2002, pelo Atlético-MG

Jogos: 133

Marques: 44 gols

Guilherme: 100 gols

Títulos: 2 (Mineiro 1999 e 2000)

Certamente não entram para o rol em termos de títulos, mas o que Marques e Guilherme eram capazes de fazer juntos em campo não é descritível em um parágrafo. Os dois foram pilares do Atlético-MG vice-campeão brasileiro em 1999, perdendo a final para o Corinthians, de Edilson e Luizão.

A inteligência e capacidade de assistência de Marques encontraram em Guilherme, um artilheiro em grande fase, o melhor parceiro de ataque possível. Ambos ganharam juntos o bicampeonato mineiro, entre 1999 e 2000, e tiveram espaço na seleção durante as eliminatórias. Mas, pelo Brasil, jamais atuaram lado a lado.


RAFAEL SÓBIS E FERNANDÃO

Duração: 2004/06, pelo Internacional

Jogos: 80

Sóbis: 30 gols

Fernandão: 29 gols

Títulos: 2 (Gaúcho 2005 e Libertadores 2006)

Um garoto recém-saído da base, com muito apetite para mostrar serviço, e um experiente e inteligente atacante de volta ao Brasil. Foi isso que o Internacional juntou em 2004, para fazer a alegria da torcida por duas temporadas.

Sóbis e Fernandão foram campeões gaúchos em 2005 e bateram na trave no Brasileirão do mesmo ano, quando o time de Muricy Ramalho perdeu a disputa pelo título para o Corinthians.

No ano seguinte, já com Abel Braga, a dupla atuou pouco, mas o suficiente para vencer a primeira Libertadores da história colorada. Após a conquista, Sóbis mudou-se para o Betis, abrindo caminho para um certo Alexandre Pato surgir...


OPINIÕES

Celso Unzelte
Comentarista dos Canais Disney

Acho que essa questão de duplas de ataque é relativamente recente, porque antes não se jogava com dupla. Se jogava com cinco no ataque, depois com três, então isso já ajuda bem o Gabigol e o Bruno Henrique, pois eles não têm tantos concorrentes dos tempos antigos. Tem Pelé e Coutinho, porque aí realmente é uma coisa excepcional. O Pelé é o melhor de todos os tempos, e o Coutinho era um gênio na área. Mas mesmo Pelé e Coutinho jogavam em um ataque de cinco, com Dorval, Mengálvio e Pepe. (...) Dupla era Romário e Bebeto, na Copa de 1994, até pelo esquema. Então Bruno Henrique e Gabigol são mais comparáveis à duplas como essa. Edmundo e Evair não eram só os dois, tinha o Edilson, tinha outros jogadores. Em relação a duplas, tem dois parâmetros bastante separados: os mais antigos, com Pelé e Coutinho como símbolos maiores, e Bebeto e Romário, que, claro, ganharam coisa mais importante que Gabigol e Bruno Henrique. De duplas de atacantes, eles já ocupam um espaço, ainda abaixo, mas brigando pelo mesmo espaço, com Pelé e Coutinho, e Bebeto e Romário, de terem feito uma dupla sensacional na seleção brasileira. Acho que é ali que eles se situam.

Paulo Calçade
Comentarista dos Canais Disney

Um ponto fundamental para entender as duplas é entender as equipes que abrigaram essas duplas. Dificilmente uma dupla será fenomenal e lembrada na história sem ter um time para suportar essa dupla. Time que seja bom, coeso com e sem a bola, que funcione. É um ponto fundamental, porque às vezes ficamos muito em cima da dupla e não observamos o resto. O outro ponto é o entendimento entre os jogadores. Talvez não seja uma regra, mas, quanto mais essa dupla é afinada dentro e fora de campo, o resultado lá dentro vai ser melhor. Exemplo claro disso é Messi e Suárez, amigos fora do campo e, dentro, uma capacidade incrível. Não havia barreiras entre eles. (...) Sobre os dois, o que acho mais interessante é que eles não nascem como dupla. Era mais natural encontrar uma dupla em Arrascaeta e Gabigol do que em Gabigol e Bruno Henrique. Porque o Bruno já foi jogador de lado de campo, o Gabigol alguém que circula mais e o Arrascaeta um grande servidor. E não é assim: o Bruno está cada vez mais na área, cada vez mais atacante, tanto que em vários momentos é ele que está na área, numa bola alta, recebendo do Gabigol, e não o contrário. Eles foram se aproximando até se tornarem uma verdadeira dupla. Foi uma dupla formada aos poucos e é gigante. E não sabe onde vai parar. Não dá para dizer isso hoje.

João Guilherme
Narrador dos Canais Disney

A dupla Bruno Henrique e Gabigol sem dúvida conseguiu feitos extraordinários. Gabigol recentemente atingiu a marca de 100 gols com a camisa do Flamengo, se tornou o maior artilheiro da história do clube na Libertadores da América. Bruno Henrique foi escolhido melhor jogador da América em 2019. Juntos conquistaram nove títulos com a camisa do Flamengo. Então, não há como negar: eles estão na galeria de grandes duplas que serão para sempre faladas e históricas, com grandes conquistas e muito tempo pela frente para jogar juntos. Bruno Henrique e Gabigol estão no caminho para se tornar a maior dupla de ataque da história do Flamengo.

Leonardo Bertozzi
Comentarista dos Canais Disney

É importante sempre ter contexto histórico. O Brasil não tem, neste século, os seus melhores atacantes jogando aqui no país, como em boa parte da história. Nem vou falar de Pelé e Coutinho, mas, na época das grandes duplas dos anos 80 e 90, o Brasil não tinha muitos jogadores indo para o exterior, e muitos também preferiam ficar por aqui, já que o cenário brasileiro nos anos 90 ainda era economicamente muito forte. Então a diferença é o nível internacional desses jogadores. Mas, como importância para torcida, se daqui 20 ou 30 anos você falar de Gabigol e Bruno Henrique, certamente sim, vai lembrar [como uma das principais duplas da história]. Vai lembrar que era a dupla do bicampeonato brasileiro, do título da Libertadores, eventualmente de um segundo. Que já estão na história, sim, isso parece bem claro.

Gian Oddi
Comentarista dos Canais Disney

A dupla certamente cavou seu lugar entre as grandes parcerias de ataque do futebol brasileiro. Primeiro porque qualquer dupla que chegue aos seus resultados, até aqui dois Brasileiros na sequência e uma Libertadores, terá enorme chance de entrar na lista. O mais significativo para garanti-los na relação, porém, foi o nível do jogo mostrado por ambos nessas conquistas: num Brasileiro excepcional como foi o de 2019 do Flamengo, é até difícil afirmar quem deles foi o melhor do time; na final da Libertadores do mesmo ano contra o River, mesmo se não jogaram tanto durante os 90 minutos, foram eles os responsáveis pela virada. Como dupla, como parceiros, eles fizeram a diferença no longo e no curto prazo, nos pontos corridos e no mata-mata. Em campeonatos gigantes. É muita coisa.

André Kfouri
Comentarista dos Canais Disney

Não é simples dizer onde eles estão como dupla num contexto histórico, mesmo porque, hoje, eles nem sempre atuam como uma dupla de ataque. Sim, são jogadores que se conhecem e se procuram, e, nessa ideia, é preciso considerar o que eles já conseguiram. O futebol exibido, o altíssimo nível que são capazes de alcançar, as conquistas. Os bons times aqui na América do Sul não costumam passar muito tempo juntos, pelos motivos que conhecemos. Por isso, também, deve-se valorizar quando uma equipe como o Flamengo reúne o mesmo núcleo por temporadas em sequência. Gabriel e Bruno Henrique têm muita influência no sucesso atingido.