Dedé revelou detalhes sobre a sua saída do Cruzeiro, afirmou que se sentiu abusado e humilhado no fim de sua passagem pelo clube
O zagueiro Dedé explicou os motivos que o levaram a entrar com um processo na Justiça do Trabalho contra o Cruzeiro. O jogador disse que decidiu buscar seus direitos quando o clube mineiro afirmou que não quitaria os débitos que tinha com ele.
Durante participação no Charla Podcast, o defensor revelou que preferiu esperar alguns meses antes de deixar a Toca da Raposa, pois tinha a expectativa de que seus salários atrasados seriam devidamente pagos.
"O maior julgamento é que entrei na Justiça contra o Cruzeiro. Não é culpa minha, é mais das pessoas que comandam o Cruzeiro... Veio uma mensagem lá de dentro, chamaram meu empresário falando que iria priorizar quem estava dentro para pagamento e não iria pagar o Dedé. Isso com salário reduzido, falaram que não queria reduzir, nunca briguei, fiquei quatro meses sem receber, falaram um monte de coisa, um absurdo, desabafou Dedé antes de completar:
''Falaram que iriam priorizar quem estava lá. Eu acreditei, falei: 'Vamos esperar, não é possível que vão fazer isso comigo'. Quando estava batendo o quinto mês (de atraso), um amigo de lá me ligou perguntando como estava. E falou: 'E aí, os caras te pagaram. Porque acertaram aqui'. Eu falei 'Não sei, vou parar pra ver'. Vi a conta, não caiu. Não sei se estão me sacaneando'', afirmou o jogador.
Sabendo que o clube havia quitado dois meses de vencimentos aos atletas e funcionários e que ainda assim, não havia recebido, Dedé resolveu acionar a Justiça em janeiro deste ano e cobrou um montante de mais de R$35 milhões, incluindo atraso de pagamentos, férias, FGTS, 13º salário, cláusula compensatória, verbas rescisórias, além de indenização por danos morais.
Em julho, após um acordo, clube e jogador acertaram um valor de R$ 16,6 milhões, que serão pagos pelo Cruzeiro até dezembro de 2026, parcelado em 60 vezes de R$ 277 mil. Também ficou decidida a saída de Dedé da equipe. O atleta admitiu que se sentiu ''abusado'' pelo clube, que alegou que ele não estava mais apto para jogar por causa de lesões.
''Estava na maca, arrebentado e não tive acompanhamento de ninguém do clube...Você ficou três anos machucado. Não importa, me machuquei servindo o clube, tentei ficar até o fim, ferrado. Pro torcedor é mole chamar de mercenário, chamar de doutor. As coisas deram certo na Justiça. Fiz de tudo para o Cruzeiro chegar num acordo legal'', afirmou.
''Eles abusaram muito de mim, alegaram que eu estava inválido, fui lá, fiz perícia, o perito aprovou. O Cruzeiro reverteu pra eu voltar de novo. Fui de novo. Gastei com perito, fizeram de tudo para eu desabafar, apelar, mas fiquei quieto. Deu tudo certo. O torcedor não vai entender, mas para que eles saibam de tudo que eu passei'', concluiu.
Durante oito anos na Toca da Raposa, Dedé foi campeão sete vezes, conquistando dois Campeonatos Brasileiros (2013 e 2014), duas Copas do Brasil (2017 e 2018) e três Campeonatos Mineiros (2014, 2018 e 2019).
