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Ex-Corinthians lembra gol no São Paulo que o levou a delegacia: 'Falavam que a gente era time de Série B'

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Renê Júnior mostra gratidão ao Corinthians, mas revela o que o magoou em saída: 'Tinha condições' (1:42)

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Cristian conta como gol diante do São Paulo, na semifinal do Paulistão de 2009, o levou à delegacia por conta de uma comemoração com gesto obsceno


Imagine decidir um clássico entre Corinthians e São Paulo, no Pacaembu lotado, com um gol praticamente no último lance?

Foi exatamente essa sensação que o volante Cristian vivenciou, ainda em 2009, na vitória do Corinthians por 2 a 1, na partida de ida da semifinal do Campeonato Paulista. Em entrevista ao podcast Podpah, o jogador contou como que um golaço diante do arquirrival e a comemoração o credenciaram a ir a uma delegacia.

O Corinthians havia conseguido o retorno à primeira divisão do futebol brasileiro no final de 2008 e enfrentaria na semifinal do Estadual um São Paulo tricampeão brasileiro e com um elenco mais renomado, favorito para o clássico. Neste contexto, os dois times se enfrentaram em um 'raio-x' para saber quem iria para a decisão.

"Na realidade eu já era puto com o São Paulo há muito tempo! Eles tinham um timaço. A gente tinha acabado de subir, era um time bom, mas sempre tinha aquela dúvida. E aí você escuta umas bobeiras no campo, bagulho doido. Nego fala m** pra c**. Nesse jogo, então, foi o que mais falaram! ‘Time de Série B, time fraco...’".

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"Eu ia sempre com ódio (para tomar a bola). Jogar no Corinthians é doido! Nesse jogo aí eu estava com muito ódio, irmão. Tinha aquela conversa furada que o time era ruim, que o jogador de lá era melhor. Sempre desvalorizando a gente. E você tem família, as pessoas não respeitam isso, acham que ninguém tem família em casa. Falam o que quer e acham que tá tudo certo, acham que jogador não sente".

Essa 'raiva acumulada' de Cristian foi liberada na comemoração do gol. Praticamente no último lance do jogo, o volante ganhou a bola de Jorge Vagner, caminhou alguns passos e encheu o pé direito em uma bomba, que morreu no canto esquerdo de Rogerio Ceni, sem chances de defesa. Na comemoração, por conta de gestos obscenos, o volante contou que precisou ir à delegacia prestar depoimento.

"Eu nem imaginava que ia acabar o jogo. Na hora que eu peguei a bola, dei dois passos e falei: é agora. Quando acertei o chute, já sabia que ele não ia pegar não. Já saí comemorando, fui para a torcida, o bagulho ficou doido! Na realidade eu nem imaginava fazer aquilo (a comemoração). Foi do momento, aconteceu".

"Esse gol me deu trabalho, irmão! Fui embora do jogo correndo, escondido, fui para delegacia...Eu não arrependo de nada na minha vida, irmão. Pode ser que se fosse hoje eu não faria. Mas já foi, não tem como voltar atrás".

"Meu filho estava internado com pneumonia, nos dois jogos. Quando acabou o jogo, pensei em comemorar e nego já falou para eu meter o pé porque queriam me pegar. Dali já fui para o hospital. Depois começou aquele negócio de polícia querer ir atrás porque era gesto obsceno em horário nobre, quatro horas da tarde. Na semana antes do jogo de volta, na quarta ou na quinta eu fui na delegacia depor. Mas foi bem rápido também, o delegado falou umas coisas lá e pediu para pagar umas cestas básicas. O Corinthians pagou e me liberou", contou.

Na partida de volta, no Morumbi, o favorito São Paulo viu ruir por terra qualquer chance de ida à final do Paulistão. Após abrir o placar com Douglas, o Corinthians ainda anotou o segundo com Ronaldo Fenômeno. Mais uma vez, Cristian quem começou o lance em linda enfiada de bola para o craque.

No entanto, o próprio Cristian admite que o passe saiu errado e que contou com uma ajuda da sorte para achar Ronaldo livre mesmo assim. "Se você olhar, eu chutei sem querer (passe para o Ronaldo no jogo de volta). Eu chutei o chão, irmão. E a bola foi certinha. Deus foi tão bom comigo que a bola foi certinha para o homem. Meu DVD sempre tem esse passe para o Ronaldo", finalizou.