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Real Madrid x Celta: Galhardo abre o jogo sobre saída do Inter, rumor com Palmeiras e negociação com Corinthians

Vice-artilheiro do último Campeonato Brasileiro pelo Internacional, Thiago Galhardo realizou um sonho que parecia impossível aos 32 anos: jogar na Europa. Após passar por negociações frustradas com algumas equipes, o atacante chegou ao Celta de Vigo por empréstimo de uma temporada.

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Na equipe espanhola, o brasileiro reencontrou Eduardo Coudet, treinador com quem viveu seu melhor momento na carreira.

Na primeira parte da entrevista exclusiva à ESPN, o atacante conta os bastidores da saída do Internacional, as propostas que teve de outros clubes e a chegada ao time espanhol.

Galhardo estreou pelo Celta ao entrar no segundo tempo na última rodada do Espanhol, contra o Athletic Bilbao.

Como foram negociação para ir para o Celta?
A negociação começou na terça à noite para resolver direto com o Celta. Na quarta, passou ao Inter depois de chegar aos valores. No mesmo dia, o Paulo me disse que estava tudo ok. Como toda negociação, têm algumas coisas para fechar o contrato. Sábado fui me despedir e pegar as minhas coisas e deu tudo certo. Não consegui pegar quase nada e domingo fiz o PCR para pode viajar. Foi mais ou menos o que aconteceu com Al Hilal, a diferença é que dessa vez eu vim e na outra tive que retornar ao clube. Cheguei na terça, treinei na sexta e sábado estreei. Após o jogo, já comecei a me condicionar fisicamente.

Por que outras negociações com outros times não deram certo e com o Celta aconteceu?
Todos sabem que negociações são difíceis de acontecer. Há três lados: clube interessado, jogador e o clube com os direitos. Quando é bom só para uma ou duas das partes, acaba não se concretizando, por mais que eu quisesse ter saído para o Al Hilal. Quando veio o negócio do Palmeiras, que as coisas foram só ventiladas, não teve nada de concreto. E depois de concreto mesmo teve o Corinthians. Também era uma vontade minha sair pela valorização, desejo de jogar em São Paulo. Mas quando o Chacho liga, é o sonho de poder jogar fora, de jogar LaLiga e estar com o cara que é o melhor treinador com quem já trabalhei. É o cara que conseguiu tirar meus melhores números. Não tinha preço. Hoje, eu volto a sonhar de novo em fazer gols, dar alegria não só para minha família e para mim, mas para ele, que é um cara que consegue me tirar o máximo. E obviamente poder pensar em coisas maiores: classificar o time para uma UEFA, poder voltar à seleção brasileira.

Como foram os bastidores da negociação?
Muito curioso dentro daquela problemática toda que falaram do jogo do Fluminense, em que fui ao Rio para resolver um problema particular. Eu estava resolvendo no dia e recebi uma ligação do Ariel (Broggi), que é o auxiliar do Chacho [Coudet]. Foi ele quem me chamou e eu nem pude atender naquele momento. Mas, diante de tudo que já tinha sido veiculado e por nos falarmos todo mês, eu já imaginei que pudesse vir algo. Imaginei que o Inter não fosse travar por ser um desejo, um sonho. E até pela situação que eu encontrava: muito desencontro de notícias e tudo mais. Foi uma coisa casada. Quando surgiu o problema, eu estava vendo a solução das coisas. Ele me liga, não posso atender na hora e ligo uma hora depois. Começa toda conversa sobre eu estar com vontade, com “ganas” de vir. E ali começa um processo que foi tudo muito rápido. Na terça eles passaram contato do direto para falar com meus representantes. Quero agradecer ao [diretor executivo] Paulo Bracks e parabenizar por ter conduzido a situação quando muitos queriam travar.

Como é chegar à Europa pela primeira vez aos 32 anos?
Estou ainda vivendo esse sonho. Aos 31 anos, eu consegui chegar à seleção brasileira. Aos 32, jogar na Europa. Eu sou um cara que gosta muito de dados, de números e fui pesquisar se já tinham jogadores que vieram para cá aos 32 anos. Vi o quão difícil é. São pouquíssimos jogadores. Dá para contar nos dedos os que conseguiram vir com esta idade para atuar em uma liga tão disputada como LaLiga, o sonho de todos. Uma liga que teve Messi e Cristiano Ronaldo, ganhadores da Bola de Ouro. Muito feliz de poder estar aqui.

A estreia contra o Athletic Bilbao
Hoje estar aqui é um sonho. Por mais que eu tenha estreado, não tinha condição nenhuma, porque teve atraso na documentação, então fiquei sem treinar. Os treinos no Brasil são muito abaixo na comparação com o pensamento do Coudet. Então, falei para ele que não tinha condição. E ele: “Que não tem! Você vai para o banco, sim e, se precisar, vai entrar”. Acabou que precisei (entrou aos 35 do segundo tempo contra o Athletic Bilbao). Teve esse tempo da data Fifa. Estou correndo igual um maluco. Sei que agora a gente reclama, brinca e xinga, mas no final a gente sabe que é para o nosso bem. E que depois vai colher os frutos de todos esse trabalho.

Por que o Coudet é especial?
Em primeiro lugar a parte física. A questão de “tem que correr, tem que correr, não parar de correr”. Isso é um ponto que diferencia das demais comissões que eu peguei. Ele exige o máximo sempre. Sempre que estive bem fisicamente, eu consegui corresponder. A diferença que, com ele, eu tive substância física. Eu consegui aguentar quase todos os jogos. E os demais, quando jogava quarta e sábado, eu não consegui manter. Então, pode ser um problema meu, de não estar me cuidando tanto quanto precisava, até porque sobrava mais energia e você acabava fazendo mais coisas. E com ele não tem como. Você tem que ser totalmente profissional: ir para casa e se cuidar. Senão você não consegue acompanhar o ritmo de treino. Para você ter uma ideia, eu corria 50 quilômetros em 5 dias. E a pretensão é fazer 70 na semana. É uma exigência muito grande. E para (Coudet) ele não tem diferença do menino mais jovem, do mais velho, do cara que é da seleção, do cara que não é de seleção… Ele trata todos igualmente. Isso obviamente eu vi dentro do Internacional. O tratamento ser igual com o menino que acabou de subir, comigo - que tinha acabado de chegar - e com o D’Alessandro, ídolo e referência. Isso faz com que ele ganhe o grupo e passe confiança. Ele coloca para jogar de fato os melhores. Pode cometer uma injustiça no pensamento de um torcedor, jogador ou jornalista. Mas dentro do trabalho ele consegue comprovar em tudo: com números e com treinos, que ele filma e mostra.

Vocês se entendem...
Com outros treinadores eu acabo correndo menos num jogo puxado do que com o Coudet em baixa intensidade. Mas com o Coudet eu corro mais em alta intensidade. Só que você corre para frente. Para quem é atacante, correr para frente é sempre mais fácil. E normalmente você tem muita bola. Quando você tem a posse de bola, você consegue respirar com ele. De fato, foi um casamento perfeito, em que tive números extraordinários. Em 39 jogos, fiz 21 gols e dei 10 assistências. Espero repetir agora com ele e com os companheiros que são de grande escalão: Iago Aspas, Nolito, Santi Mina...