Prestes a completar uma década vestindo a camisa do Chelsea, o lateral espanhol César Azpilicueta tem moral de sobra no Stamford Bridge. Não por acaso, ele usa a braçadeira de capitão dos Blues e foi o responsável por erguer, nada mais nada menos, do que a taça de campeão da Champions League, conquistada na última temporada sobre o rival Manchester City. E segundo o espanhol, a ambição por mais títulos segue em alta no grupo comandado pelo técnico Thomas Tuchel.
Neste domingo (22), a partir das 12h30, você acompanha todas as emoções do clássico entre Arsenal e Chelsea, pela segunda rodada da Premier League, com transmissão ao vivo e exclusivo da ESPN Brasil.
Em entrevista exclusiva à repórter da ESPN Brasil Natalie Gedra, Azpilicueta relembrou a última temporada mágica do Chelsea, exaltou o trabalho de Tuchel e ainda contou alguns detalhes, em particular, de dentro e fora dos gramados.
Em relação à conquista da Liga dos Campeões, o espanhol lembrou que muitos não acreditavam no poder dos Blues para serem mais uma vez vencedores da principal competição de clubes do mundo, e que a resposta veio em campo. Em relação à atual temporada, deixou claro que ambição segue grande.
"Ganhar a Champions League foi um momento de alegria para todos nós, para os torcedores, para o clube, para os jogadores, estafe, foi algo especial. Nem todos confiavam em nós, pensavam que não éramos capazes e conseguimos. Fizemos um trabalho fantástico, trabalhamos duro e agora temos que demonstrar o nosso nível nesta temporada. Acho que quando começa uma nova temporada, você tem novos desafios e a equipe, e o grupo como um todo, têm muita ambição e vontade de sair conquistando títulos", começou por dizer.
Em relação à chegada de Tuchel, contratado como substituto do ídolo Frank Lampard, demitido no fim de janeiro, Azpilicueta revelou que o técnico alemão foi muito importante para o seu futebol, inclusive individualmente. Os resultados, por sua vez, logo, logo vieram após a sua chegada em Londres.
"Sou muito agradecido ao mister. Desde que ele chegou, me deu muita confiança, tive a chance de ter muitos minutos em campo, ajudar fora dele também. Para mim mudou bastante desde que ele chegou, e ainda culminou com esta final (de Champions League) e com estes momentos que vivemos foi muito especial", disse.
"Não é fácil chegar no meio de uma temporada, não estávamos na posição que gostaríamos, não estávamos tendo os resultados que nos eram exigidos. E desde que ele chegou, tentou ser o mais claro possível, disse a forma como queria que a equipe jogasse, tanto coletivamente quanto individualmente. Jogávamos a cada três, quatro dias, havia pouco tempo para trabalhar, mas a cada dia os resultados vinham, a confiança aumentava, a equipe ia melhorando. Todo o grupo fez um trabalho fantástico e agora queremos seguir melhorando e crescendo como grupo", complementou.
O espanhol também falou sobre a sua personalidade dentro de campo. É mais do que normal vê-lo "elétrico" durante as partidas do Chelsea e, segundo ele, isso é algo que o acompanha até mesmo no dia a dia, durante os treinamentos. Só mesmo em casa, ao lado dos filhos, ele consegue ficar mais tranquilo.
"Acho que é a minha personalidade. Quando chego no treino, encaro como se fosse uma partida. Não sei treinar ou disputar uma partida sem ter este espírito. É a minha vontade de vencer. Às vezes falam para eu ficar mais tranquilo, mas a verdade é que nos treinos e tudo mais eu sou assim. Para mim é importante se preparar, cuidar do mental a cada dia, para quando chegar nas partidas, na competições, eu poder estar o melhor possível", disse.
"A verdade é que eu mudo bastante depois que saio (do trabalho), sou bastante tranquilo, os meus filhos também demandam esta energia. É diferente, mas sou uma pessoa que durante o dia preciso desta energia (risos)", complementou.
Por último, Azpilicueta deixou o futebol um pouquinho de lado e contou sobre dois dos seus hobbies fora das quatro linhas. O primeiro deles, o fato de estar se dedicando aos estudos, mais especificamente numa escola de negócios, profissão que ele quase seguiu antes de se tornar jogador profissional. E tudo começou durante o lockdown, no início da pandemia de COVID-19.
"Ainda não terminei (os estudos), ainda falta um ano. Está tudo bem, comecei durante a pandemia de COVID-19, quando estávamos em confinamento e não podíamos treinar e, no fim das contas, sempre tive interesse neste mundo. Quando mais jovem, comecei na universidade empresarial e agora com este mestrado posso recuperar o que perdi e começar coisas novas", disse.
"Sim, me ajuda (no futebol), primeiramente porque é em inglês e me exige ler e entender linguagens que não são do futebol. É um momento em que também me concentro em outras coisas, que no futuro podem ser úteis, ou até agora mesmo no presente. Exige muita disciplina, tem horas que você não está tão afim de estudar, mas temos muitos momentos de viagens, hotéis, e por isso utilizar o tempo da melhor forma possível", prosseguiu.
Por último, também falou sobre o Falcons, o seu próprio time de e-sports do jogo de videogame FIFA, que ele decidiu criar com o intuito de ajudar as crianças, que desde cedo já estão acostumadas com tecnologia.
"Quando menor eu gostava muito de jogar videogame, o FIFA, e tinha esse inquietamento na parte de negócios. Hoje as crianças já nascem com a tecnologia, vejo meus filhos com os ipad's e para os pais muitas vezes é difícil entender o funcionamento, é tudo online, com gente de todo o mundo, então criei um clube de e-sports, onde fossem transmitidos valores, onde os pais pudessem entender porque seu filhos passam tanto tempo em frente às telas. E para que isso não fosse apenas uma profissão, mas sim algo que, bem utilizado e com equilíbrio, fosse positivo para o desenvolvimento das crianças e acho que este foi o principal objetivo para criar o clube. E para quando competirmos, chegarmos o mais longe", finalizou.
