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Libertadores: Daniel, do Internacional, teve oferta de clube da Série A do Brasileiro e esperou sete anos para ser titular

Depois de esperar uma oportunidade por muitos anos, Daniel virou titular e conseguiu uma sequência no gol do Internacional. O time gaúcho conta com um bom desempenho do goleiro no duelo contra o Olimpia, no Paraguai, nesta quinta-feira (15/07), às 21h30 (de Brasília), válido pelas oitavas de final da Conmebol Libertadores.

O Fox Sports transmite o duelo, que terá acompanhamento em tempo real do ESPN.com.br.

"É a primeira vez que jogarei uma Libertadores depois de ter ficado no banco. Fomos superiores no Gre-Nal e vimos uma evolução defensiva. Quinta-feira é outra competição, sabemos que é mais difícil, truncado e pegado. É mata-mata e não podemos vacilar, vamos fazer um grande jogo", disse à ESPN.

Nascido em Barra do Garças-MT, Daniel começou no futsal antes de migrar para o campo. Ele passou por Goiás e União Rondonópolis antes de chegar ao Internacional, aos 16 anos.

"Eu joguei pouco na base porque sempre tinha os caras da seleção. Eu nunca tinha sido chamado para a seleção e respeitava. Eu trabalhava e acreditava. No sub-23, o Alisson [hoje no Liverpool] descia para jogar e eu ficava no banco de reservas. É um cara fora de série e merece tudo que está conquistando porque é uma pessoa muito boa. Aprendi muito vendo ele jogar e treinar", afirmou.

Em 2016, Daniel quase deixou o clube. Mesmo assim, continuou treinando firme para não ser dispensado.

"Aos poucos, fui entrando no profissional até começar a aparecer. Toda vez que alguém lesionava eu era chamado e consegui mostrar para eles que poderiam acreditar em mim. Aproveitei essa oportunidade e acabei tendo meu contrato renovado por um ano", contou.

Ele estreou em 2017 como profissional depois que os goleiros Marcelo Lomba e Danilo Fernandes se machucaram. Ele jogou na Série B do Campeonato Brasileiro - contra Londrina, ABC-RN e Paysandu - e enfrentou o Palmeiras na Copa do Brasil. "Depois dessa sequência, o Inter teve uma visão diferente de mim", admitiu.

Nos anos seguintes, Daniel venceu o Brasileiro de Aspirantes (sub-23), mas fez pouquíssimo jogos pelo profissional. No começo do ano, ele quase deixou o Beira-Rio rumo ao Ceará.

"Estava tudo organizado para eu ir, mas no fim não deu certo porque o Inter disse que tinha planos para mim e que eu tinha futuro. Eu acreditei no clube, e eles honraram. No fim, deu tudo certo. Falaram que teria sequência no começo do Gaúcho porque o pessoal ia ter férias e teria três jogos para jogar. No primeiro eu fui bem, mas nos outros dois nem tanto. Faz parte, estava quatro anos sem jogar pelo profissional. Mesmo assim, o pessoal me incentivou e acreditou em mim o tempo todo", afirmou.

Titular do Inter

O goleiro voltou à reserva, mas o desempenho irregular de Danilo e Marcelo Lomba mudou a situação. Escalado como titular contra o Vitória, pela Copa do Brasil, em junho, o goleiro não saiu mais da equipe.

"Eles me deram oportunidade, mas em nenhum momento falaram que seria titular. Mas fui ganhando minutos, o que é muito importante para o goleiro. Estou mais solto e me sentindo muito bem", afirmou.

Por muito pouco, porém, Daniel não viu a sequência ser interrompida por uma bolada no rosto no jogo contra o América-MG. Nos acréscimos da partida, ele precisou sair e o volante Edenílson assumiu a meta colorada.

"Eu levei a bolada e continuei no jogo. O curioso é que na minha cabeça eu achei que tinha saído logo depois do lance, mas eu fiquei mais uns 7 minutos em campo. Só que eu não lembro de nada. Na minha cabeça eu tinha falado para o médico que estava com a vista escura, não enxergava nada e saí. Eu fiquei sabendo disso só depois", afirmou.

"Fiquei escorado na trave, e parecia que o campo estava com refletor apagado. Eu olhava para o Patrick lá longe e não via quase nada. Quando eu saí da trave rodou tudo! Sai de campo, fiquei dois dias sem poder mastigar e só tomando sopa e água. Estava com dor no queixo e muita dor nos dentes de baixo", contou.

"Logo em seguida, eu fui para o jogo contra o Palmeiras com muita dor no queixo. Não podia me machucar agora porque era a minha chance. Se acontecesse algo, eu sairia. Eu nunca fui de estar com dor e não jogar. Eu me cuido, mas nos jogos é 100%", contou.

Fã de Petr Cech, Daniel gosta de observar nomes como Neuer, Ederson, Alisson e Ter Stegen para evoluir a cada dia. No momento, ele luta para se firmar na equipe colorada e realizar seus objetivos na carreira.

"Eu comecei a jogar agora e sigo buscando ocupar meu espaço no Inter. Estou disputando posição, e a cada jogo preciso mostrar que tenho condições. O Inter tem grandes goleiros, quem jogar o time estará bem servido. Tenho o sonho mais para frente de jogar uma Champions Legue na Europa, assim como o Alisson, que é um grande espelho na minha carreira", finalizou.