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Ex-Palmeiras, Lopes detona Celso Roth e diz que treinador não acrescentou em nada na carreira: 'Só me humilhava'

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Ex-Palmeiras quase foi para o 'Super-Milan' em 2001 e revela por que transferência não deu certo: 'Poderia ser um grande ídolo mundial' (1:34)

Lopes deu entrevista exclusiva para o ESPN.com.br (1:34)

Com passagem por grandes clubes do país como Flamengo e Santos, o ex-meia-atacante Lopes, que nos gramados recebeu o apelido de "Tigrão", teve maior destaque com a camisa do Palmeiras no futebol brasileiro. Foram três temporadas no antigo Parque Antarctica, atual Allianz Parque, com um título da Copa dos Campeões (2000) e uma artilharia da Conmebol Libertadores entre as suas conquistas coletivas e individuais no clube.

Em 2001, ano em que o Palmeiras caiu nos pênaltis para o Boca Juniors na semifinal da Libertadores, Lopes viveu um dos seus melhores momentos da carreira. Foram nove gols marcados com a camisa alviverde, que o fizeram o máximo goleador daquela edição da competição continental.

Se por um lado o meia-atacante brilhava dentro das quatro linhas, nos bastidores o, hoje ex-jogador, também viveu momentos nem tão prazerosos no gigante paulista. Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, Lopes lembrou da relação com o técnico Celso Roth, comandante do Palmeiras naquele ano mágico de 2001 na carreira.

Apesar de ter sido titular em 39 dos 40 jogos que disputou na temporada, o ex-meia-atacante revelou que a sua experiência com o treinador, hoje com 63 anos, não acrescentou em nada na carreira.

"Uma vez nós nos encontramos de novamente no Atlético-MG, tivemos alguns problemas lá também. Ele falou 'você só jogou comigo, só conseguiu jogar comigo'. Tudo bem, eu até acredito porque com eles foram alguns dos jogos mais importantes da minha carreira no Verdão, mas para mim foi um cara que não me ajudou em nada, teoricamente não me acrescentou em nada porque ele só me humilhava e só falava besteira para mim. Que iria me tirar do time, que iria colocar um volante, que ia tirar eu ou Alex para botar outro volante, mandava eu me levantar no meio das reuniões falando besteira para mim, e eu um cara novo, ia para o quarto chorando", começou por dizer.

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Ex-Palmeiras detona treinador do clube que não acrescentou em nada na carreira: 'Só me humilhava'

Lopes deu entrevista exclusiva para o ESPN.com.br

"Inclusive o gol lá que eu fiz contra o Universidad de Chile (na estreia na Libertadores), que foi 2 a 1 para a gente, no Parque Antárctica, que foi o primeiro jogo da Libertadores, ele me humilhou a noite toda para me colocar no jogo e ele me humilhou até que aquela bola entrasse porque foi aí que começou a grande história do Lopes Tigrão. Para mim ele não teve influência nenhuma e nem me ajudou, só me atrapalhou, para ser mais sincero. Foi um cara que sempre me humilhava no meio dos outros jogadores e nunca me botava em êxtase. Mas aí também tem uma parcela boa de que me colocou para jogar, fui errado muitas vezes, errei com ele, com o grupo, com os caras todos, tenho consciência disso. Mas também se não fossem os jogadores, eu acredito que eu não estaria lá jogando, então para mim foi um cara que para mim ficou no meio termo", prosseguiu.

Celso Roth chegou ao Palmeiras no início de 2001, como substituto de Marco Aurélio, que foi demitido ainda durante a disputa do Paulistão. Foram 30 jogos à frente do Verdão, com 12 vitórias, 11 empates e sete derrotas. No Campeonato Brasileiro, porém, o clube paulista sequer se classificou para a fase final para tentar disputar o título. Desta forma, o treinador sofreu a demissão em outubro do mesmo ano.

Em relação ao elenco do Palmeiras, Lopes negou qualquer problema entre os jogadores do time, relembrou a passagem pelo Parque Antarctica e a definiu como a melhor da carreira.

"Não, pelo contrário (não tinha problema). Nosso elenco era muito formado na parte de amizade. Tinha os velhos e os novos, os velhos eu falo daqueles que já estavam no Verdão há muito tempo, e nosso caso tínhamos chegado para ser alguém na vitrine do Palmeiras e nacionalmente. Juntou isso, foi do útil ao agradável, tanto que fomos campeões (em 2000). Depois teve as futilidades, que o Palmeiras foi indo com dificuldade, a Parmalat saiu, para trazer atletas, e aí foi formando. Até que chegou 2001, a equipe estava com uma formação boa dos que tinham ficado e conseguimos fazer uma Libertadores linda, mas não conseguimos manter no Brasileiro, mais por parte do treinador (Roth), que passava desconfiança, ao invés de passar que era um treinador de ponta e tudo, ele passava desconfiança porque os outros jogadores mandavam praticamente no que ele fazia em campo", disse.

"No Palmeiras, eu acredito que foi a maior (fase da carreira) porque foram as competições mais internacionais que eu disputei, a não ser pelo Santos. Disputei Mercosul, Sul-Americana, Libertadores, as competições mais importantes para o nosso país", prosseguiu.

"Para mim foi uma satisfação. Primeiro de vestir a camisa e depois pela história do Palmeiras, tão grandiosa, de grandes craques e, em terceiro, poder disputar campeonatos importantes e ganhar", concluiu.

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Chance de Copa e rebaixamento em 2002

Durante o período em que atuou no Palmeiras, Lopes também ficou próximo de realizar um outro grande sonho na carreira: disputar uma Copa do Mundo. Segundo ele, em 2002 o técnico Luiz Felipe Scolari garantiu que ele poderia ser convocado para o Mundial. Entretanto, uma lesão numa partida contra o Asa de Arapiraca, pela Copa do Brasil, quando Vanderlei Luxemburgo era o técnico, fez tudo ir pelo ralo.

"Nós fomos jogar, foi Palmeiras e Grêmio, no Olímpico, e (Felipão) conversou comigo, almoçamos juntos, mandou eu esperar para conversarmos e falou 'se você ficar quietinho e tal, as coisas vão mudar e você vai para a Copa'. Eu falei 'tudo bem, isso aí é mole, fica tranquilo e vamos esperar o que acontece'. Só que nesse intervalo, teve esse jogo contra o Asa de Arapiraca, pela Copa do Brasil. Nesse jogo, não daria para ir porque era muito longe e tivemos pequenas confusões com o Mustafá Contursi (presidente) e o Vanderlei (Luxemburgo) para não jogar esta partida para eu poder ser convocado. E nisso tudo houve todos esses problemas, que eu me machuquei lá, não consegui retomar e depois voltei para São Paulo", disse Lopes, que descartou que Luxemburgo tenha tido culpa por ter perdido a Copa.

"Claro que eu lesionando não é culpa dele (Luxemburgo), mas seria uma situação que poderia ter sido evitada. Se ele tivesse falado 'deixa o Lopes aí, ele vai ter outras oportunidades, vamos levar outro garoto', poderia ter evitado. Culpa dele, jamais", prosseguiu.

Ele ainda lembrou de uma história hilária com o ex-meia Alex, hoje técnico do sub-20 do São Paulo. Naquela mesma época, os dois estavam machucados e recorreram a um bruxo em busca de uma cura milagrosa. (Veja no vídeo abaixo).

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Ao lado de Alex, ex-Palmeiras lembra ida frustrada a bruxo para tentar curar lesão que o tirou da Copa de 2002: 'Acabou o ano para mim'

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Por último, Lopes ainda lembrou do ano de 2002, quando o Palmeiras foi rebaixado pela primeira vez à Série B, e falou sobre os motivos que levaram à queda, citando inclusive Luxa e outros treinadores.

"Luxemburgo, ele também teve culpa porque o elenco que já estava montado em 2002, ele foi destruindo todo mundo, mandando embora os jogadores que já tinham no Palmeiras adaptação e tudo, e depois ele foi reformulando, trazendo, e ninguém ia se adaptando, aí ele trouxe o Itamar, um jogador que falavam que era dele, ele não brigava com o cara, o cara não tocava a bola para ninguém, aí começaram as brigas internas, o Arce falava com ele. Acabou que aquilo tudo ali transformou e gerou aquela confusão da queda do Palmeiras, para mim esse foi o início. Depois foram as transferências de treinador, cada um levou um treinador, depois leva outro e outro. Então para mim foi uma circunstância muito desagradável, muitos treinadores para pouco tempo de modificação. Um gostava de um jogador, outro de outro jogador, e aí botava as suas preferências, acabou não dando certo e aí o time teve essa queda. Logo depois teve a minha permanência no Palmeiras", finalizou.