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Em grande fase, Stones revê Everton, de onde saiu para o City como zagueiro mais caro do mundo

"Money can't buy you Stones!"

Era isso, algo como "Dinheiro não pode te comprar Stones", que cantavam os torcedores do Everton em meados de 2015, ao ritmo de Beatles, após o clube rejeitar uma proposta milionária do Chelsea pelo promissor zagueiro inglês, que acabara de completar 21 anos.

Neste sábado (20), quase seis anos depois, o mesmo Stones volta a pisar em Goodison Park, só que como adversário. Ele enfrenta o ex-clube e tenta liderar o Manchester City rumo a mais um passo no sonho da "temporada perfeita". A partida pelas quartas de final da Copa da Inglaterra acontece às 14h30 (de Brasília) e define quem avança.

Muita coisa aconteceu na vida de Stones desde aquela celebração dos torcedores. O Chelsea não conseguiu comprá-lo, mas é verdade que, meses depois, o City desembolsou incríveis 55,6 milhões de euros para fazer do zagueiro o primeiro reforço da "Era Guardiola".

Tanto dinheiro transformou o inglês no defensor mais caro do mundo, posto que ele perdeu depois para Harry Maguire, Matthijs de Ligt, Virgil van Dijk, Aymeric Laporte e Rúben Dias. Os dois últimos, aliás, são seus companheiros de clube em Manchester.

Só que, apesar dos valores, Stones não conseguiu corresponder às expectativas no novo clube. Viveu uma primeira temporada muito irregular, com falhas e, para muitos, sem mostrar segurança o bastante para exercer a função de zagueiro em um time de Guardiola, com linhas altas e a exigência de saber jogar bem com os pés.

"John Stones tem mais personalidade que todos nós juntos aqui nessa sala. Sob pressão, com as pessoas o criticando, ele vai lá e joga, joga e joga. Amo esse tipo de jogador com essa personalidade. Porque é difícil ser zagueiro para esse treinador. Fácil é defender lá atrás e só ficar dando chutão. Ele (Stones) tem que defender a 40 metros do gol e cobrir tudo", defendeu Pep, em uma coletiva na sua primeira temporada.

Stones, com o tempo, passou a errar menos. Atuou pouco na conquista da Premier League em 2017-18, teve mais chances na temporada seguinte e foi decisivo ao evitar um gol praticamente certo do Liverpool, no Etihad Stadium, milímetros antes de a bola entrar na baliza.

Voltou a perder espaço entre 2019 e 2020, quando foi alvo de especulações constantes sobre sua saída. Até uma possível volta ao Everton foi cogitada, ainda mais depois da contratação de Rúben Dias pelo City. Só que o inglês ficou e, como num passe de mágica, virou peça fundamental da equipe.

Hoje, Stones vive a melhor temporada da carreira. Presente em 26 dos 45 jogos do City, Stones formou uma dupla de respeito com Dias e ajudou a construir uma defesa que até agora sofreu apenas um gol na Uefa Champions League e que passou 16 rodadas sem ser vazado no Campeonato Inglês.

Tamanha boa fase o fez recuperar espaço na seleção inglesa. Stones foi, ao lado de Kyle Walker, Phil Foden e Raheem Sterling, um dos quatro convocados do City para defender o país no início das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022. E ganhou elogios do técnico Gareth Southgate.

"Por um período não tínhamos certeza se ele recuperaria a velha forma. É decepcionante quando você investe tanto tempo em um jogador e ele simplesmente desaparece", disse o treinador.

"Mas John merece créditos por dar a volta por cima e encontrar a regularidade. Ele tem papel fundamental na incrível e bem-sucedida temporada do City, mesmo que eles ainda não tenham ganhado nada. É ótimo tê-lo de volta", reafirmou.

No reencontro com o ex-clube, Stones espera manter o nível de atuação e mostrar que valeu a pena investir tantos milhões de euros em sua contratação. Se não é o zagueiro mais caro do mundo, pelo menos faz aprte de uma das melhores defesas do planeta na atualidade.