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Presidente do TJD diz que clubes paulistas vão romper com Governo e cogita Paulistão fora de São Paulo

Presidente do TJD-SP (Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo), Antônio Olim disse que o Campeonato Paulista deve mesmo ser paralisado por ordem do governo do estado de São Paulo. A informação do mandatário foi dada em entrevista ao programa SportsCenter, da ESPN Brasil, na manhã desta quinta-feira (11) - depois, por volta das 13h, o governador paulista, João Doria (PSDB), anunciou oficialmente a decisão.

Isso ocorre porque o estado entrará na fase emergencial do "Plano São Paulo" de combate à pandemia de COVID-19, restringindo vários tipos de atividades, inclusive o futebol profissional.

Olim antecipou que jogos e treinos serão suspensos, no que ele descreveu como um "ato autoritário".

Assim como a FPF (Federação Paulista de Futebol) fez na última terça-feira, o presidente do TJD também argumentou que o futebol oferece poucos riscos de contaminação.

"Os jogos estão temporariamente suspensos. Se os jogadores ficarem parados, voltarem a jogar, precisam voltar ao ritmo, atrapalha. O futebol tem poucas pessoas em campo, todos os clubes mantêm o protocolo de saúde, não tem motivo de parar o futebol, mas é um ato autoritário do governador. Hoje ele vai manter algumas coisas a mais além do futebol. Vai parar o futebol", afirmou.

"Acho que suspende tudo. Se pode treinar e não pode jogar, é o mesmo. Pelo que senti, também não (terá treino)", completou, sem saber se a paralisação já será iniciada neste meio de semana ou apenas no sábado.

"Eu não sei. Como ele (governador) fala (hoje), isso tem que ser publicado, se tiver jogo hoje, acho que ainda vai. Se fala hoje, geralmente começa no sábado", ressaltou.

Clubes romperão com o Governo estadual?

Olim ainda informou que a FPF estuda romper com o Governo para seguir o Campeonato Paulista.

A ideia é realizar as partidas do torneio, que está em sua 4ª rodada da fase de grupos, em outro Estado.

"Ele (Doria) vai falar hoje, vamos aguardar. Conversando com o Reinaldo (Carneiro Bastos, presidente da FPF), falei: 'O que nós vamos fazer?’ Ele disse: 'Não sei'. Como que ele me falou a palavra? 'O futebol estaria deixando de apoiar o governo'”, contou.

"Pode ser até que ele faça (o Paulistão) em outros estados, não sei. Fui hoje para Brasília, não consegui comer em lugar nenhum. Tudo fechado, voltei com fome. É assim que está em todo Brasil. Ele faria os jogos em outros Estados e continua o campeonato, mas não sei se isso teria condições também", acrescentou.

"Com certeza os clubes vão romper com o governo. Eu tenho um exemplo da última vez que o campeonato, que ia voltar o futebol em São Paulo, porque vazou... O vice-governador Rodrigo Garcia me ligou dizendo que o Doria ia autorizar a volta do campeonato, porque vazou antes na imprensa, e o senhor Doria demorou mais de uma semana para informar isso e quem perdeu foi o esporte", reclamou.

"Conversando hoje com o presidente da federação, com certeza os clubes vão romper com o governo de São Paulo. Falou num comentário que poderia até ser em outros estados, mas eu não sei como seria montado esse esquema para jogar fora, mas foi falado isso hoje comigo", finalizou.