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Raí, Kaká, Lugano e agora Miranda: relembre 10 ídolos que voltaram ao São Paulo e compare passagens

O acerto de Miranda com o São Paulo, anunciado no sábado (6) pelo presidente Julio Casares antes do clássico com o Santos, dá sequência à rotina do clube de repatriar jogadores de sucesso no passado.

Nos últimos anos, o Tricolor apostou bastante em ídolos que tinham boa relação com a torcida e excelente desempenho em campo. Alguns funcionaram muito bem, mas nem todas as recontratações funcionaram.

Nomes como Müller, Raí, Leonardo e Luís Fabiano tiveram bastante sucesso em suas segundas passagens pelo Morumbi (dois deles ainda voltaram em uma terceira oportunidade), enquanto outros como Kaká e Hernanes também corresponderam à expectativa, ainda que sem conquistar títulos.

Já outros, como Cicinho, Alex Silva e Lugano, chegaram após inúmeros pedidos da torcida, mas não conseguiram repetir o nível de primeira etapa no São Paulo. O novo desafiante da escrita é Miranda, de volta ao clube após dez anos e passagens por Atlético de Madrid, Inter de Milão e futebol chinês.

Relembre e compare as passagens de 10 ídolos pelo Tricolor:

Müller

Um dos integrantes dos "Menudos do Morumbi", o atacante surgiu na metade dos anos 1980 e foi destaque no time bicampeão paulista (1985 e 1987) e campeão brasileiro (1986), que tinha, entre outros nomes, os zagueiros Oscar e Dario Pereyra, o meia Silas e o atacante Careca.

Parecia impossível melhorar, mas a segunda passagem foi ainda mais histórica. De volta ao clube em 1990, Müller foi estrela da equipe de Telê Santana, que venceu praticamente tudo no início da década, incluindo duas Conmebol Libertadores e dois Mundiais de Clubes consecutivos.

O atacante ainda teve uma terceira passagem pelo Tricolor, em 1996, mas dessa vez não conquistou títulos. Ficou apenas um semestre, até ir embora para jogar no Santos.

Raí

Um dos maiores nomes da história são-paulina teve uma primeira passagem super vencedora. De 1987 a 1993, Raí ganhou sete grandes títulos, entre eles dois da Libertadores e um Mundial de Clubes, em que foi decisivo ao marcar dois gols na vitória sobre o Barcelona, em 1992.

O "Terror do Morumbi" saiu após a Libertadores do ano seguinte, passou cinco temporadas no PSG e voltou em 1998 para, em sua estreia, ser campeão paulista em cima do Corinthians. Sofreu uma grave lesão na sequência, ficou meses parado e jamais retomou o mesmo nível. Ficou até 2000, quando se aposentou campeão paulista e vice da Copa do Brasil.

Leonardo

Outro ex-jogador com três passagens, mas todas curtas. Na primeira, de 1990 a 1991, Leonardo jogou de lateral e foi campeão brasileiro, no primeiro título da geração de Telê Santana que ganhou o mundo.

Leonardo foi negociado com o Valencia, da Espanha, e retornou em 1993 para substituir Raí. Já como camisa 10, foi importante no bicampeonato mundial sobre o Milan. Ficou até o vice da Libertadores de 1994.

O último ato foi em 2001, quando aceitou voltar ao Brasil após longa passagem pelo Milan. Sofreu com problemas físicos, fez somente 18 jogos e saiu em baixa para o Flamengo.

Luis Fabiano

O primeiro ato do "Fabuloso" com a camisa tricolor foi em 2001. Ao lado de Kaká e França, foi campeão do extinto Torneio Rio-São Paulo e fez um bom Brasileirão, tanto que o clube não conseguiu comprá-lo do Rennes, da França.

De volta um ano depois, Luis Fabiano viveu o auge no São Paulo. Artilheiro do Brasileirão de 2002, o atacante liderou o time até a semifinal da Libertadores de 2004, quando o resultado o fez ser criticado pela torcida. Foi vendido ao Porto.

A terceira passagem começou em 2011, quando desembarcou como aposta milionária para levar o clube de novo aos títulos. Foi campeão da Sul-Americana de 2012, é verdade, mas viveu muitos problemas de lesão e acumulou cartões até encerrar o ciclo, no fim de 2015.

Marcelinho Paraíba

O meia-atacante de chute potente com a perna canhota chegou ao clube em 1997 e ficou até 2000, quando foi negociado com o Olympique de Marselha. Venceu dois títulos estaduais e se firmou como peça importante da equipe.

Após rodar por muitos clubes, acertou o retorno ao Morumbi em 2010, mas não repetiu o nível de outros momentos da carreira. Estreou com gol contra a Portuguesa, mas passou a ser muito mais reserva que titular até ser emprestado ao Sport, meses depois.

Cicinho

De aposta para a lateral à protagonista de três títulos em 2005, Cicinho teve uma primeira passagem histórica no São Paulo. Foi campeão paulista, da Libertadores e do Mundial até chegar à seleção brasileira e ser vendido ao Real Madrid.

Voltou ao Tricolor em 2010 para um empréstimo curto de seis meses, vindo da Roma. Sua chegada animou a torcida, mas o desempenho em campo em nada lembrou o decisivo camisa 2 que brilhara no clube anos antes. Saiu sem deixar saudades meses depois.

Alex Silva

Natural de Amparo, no interior de São Paulo, o jovem zagueiro fez parte da geração que conquistou três títulos brasileiros seguidos, entre 2006 e 2008. Seu futebol o levou à seleção e garantiu uma transferência ao Hamburgo, da Alemanha.

Sem emplacar na Europa, o "Pirulito" retornou em 2010. Retomou a parceria com Miranda, mas não teve o mesmo desempenho, individual e coletivo, a ponto de sair em baixa, logo após a eliminação para o Avaí, na Copa do Brasil de 2011.

Kaká

Um dos poucos casos que teve uma boa segunda passagem, ainda que sem títulos. Entre 2001 e 2003, Kaká surgiu como promessa de craque do futebol brasileiro, fez os gols que decidiram o Rio-São Paulo, mas ficou marcado pela torcida após uma série de eliminações em mata-mata. Saiu para o Milan por "míseros" 8,5 milhões de dólares.

Já consagrado, mas em final de carreira, Kaká retornou ao clube do coração em 2014, antes de jogar no Orlando City, dos Estados Unidos. Se o auge técnico e físico já havia passado, o astro liderou a equipe de Ganso, Alan Kardec e Pato, que foi vice-campeã brasileira e semifinalista da Sul-Americana.

Lugano

O uruguaio chegou ao Morumbi como "zagueiro do presidente", por ser contratado diretamente pelo cartola Marcelo Portugal Gouvêa, em 2003. Dois anos depois, entrou para a história ao comandar a defesa campeã paulista, da Libertadores e do Mundial. Saiu em 2006, após o vice sul-americano.

Dez anos depois, Lugano topou o desafio de retornar ao Tricolor. Já em final de carreira, não atuou com tanta frequência, mas foi um líder importante para o vestiário na campanha da Libertadores de 2016 e luta contra o rebaixamento no Brasileiro de 2017. Em seguida, virou diretor. Hoje é comentarista dos canais Disney.

Hernanes

Mais um com três passagens pelo Morumbi. A primeira rendeu dois títulos históricos, os Brasileiros de 2007 e 2008, e um lugar no panteão de ídolos recentes do São Paulo. Saiu em 2010, negociado com a Lazio, após a eliminação na Libertadores para o Internacional.

A segunda passagem foi tão boa quanto, ao menos individualmente. Hernanes entrou em um time que parecia fadado ao rebaixamento no Brasileirão 2017 e foi super-decisivo para evitar a queda, com belos gols e assistências. O clube tentou mantê-lo, mas não conseguiu.

Hernanes retornou ao clube em 2019 para dar sequência à boa imagem deixada, mas nunca mais repetiu o que mostrou. Prejudicado por lesões, o "Profeta" foi muito mais vezes reserva, às vezes usado nos minutos finais dos jogos e às vezes até ignorado pelos técnicos. Em 2021, espera recuperar a boa fase.