'O Palmeiras é campeão da Copa do Brasil de 2015 com um herói bem definido: Fernando Prass'. Foi assim que Paulo Andrade, apresentador e narrador dos canais ESPN detalhou o início da comemoração do Verdão, que havia acabado de conquistar o torneio nacional em cima do Santos, nos pênaltis, no Allianz Parque.
Seis anos após o tricampeonato da competição, o Palmeiras está mais uma vez em uma final de Copa do Brasil. Neste domingo (7), diante do Grêmio, em casa, o Alviverde precisa apenas de um empate para ficar com mais uma taça. Na ida, na Arena Grêmio, o Verdão venceu por 1 a 0 com um gol do zagueiro Gustavo Gómez.
Herói 'bem definido' na decisão de 2015, Fernando Prass, que encerrou a carreira na última semana com a camisa do Ceará, concedeu entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.
O ídolo do Palmeiras contou o que sentiu durante a decisão diante do Santos, desde a homenagem da torcida antes do apito inicial, até o pênalti decisivo que deu o título ao Alviverde.
Após perder na Vila Belmiro por 1 a 0, o Alviverde precisava de uma vitória por dois ou mais gols de diferença para ser campeão. No tempo normal, Dudu anotou os dois gols que estavam dando a taça ao Palmeiras. Porém, nos minutos finais, o experiente Ricardo Oliveira marcou e deu um tom ainda mais dramático para a grande final.
"Se eu pegasse o pênalti do Ricardo Oliveira, o quinto do Santos, acabaria ali. Eu sabia o canto que ele ia bater. Mas eu pensei, ele também sabe que eu o estudei, então ele vai trocar. Ele ia bater no meio e falei comigo mesmo: Vou ficar no meio. Não sei por que, na hora, eu decidi pular para o lado direito. E ele bateu mesmo no meio e eu quase peguei. A bola ficou com o Héber. Eu fui até ele para pegar a bola e ele puxou de mim. E eu disse para ele seria eu quem bateria. E ele se assustou e disse: 'É tu?' e eu respondi que sim".
A partir daquele momento, grande parte dos torcedores que estavam no Allianz Parque e fora dele, uma vez que todas as ruas próximas ao estádio estavam abarrotadas de torcedores, se assustaram.
Fernando Prass nunca havia batido um pênalti em toda a carreira como profissional. E seria o nome homenageado pela torcida quem decidiria, de pé direito, o destino do Palmeiras na Copa do Brasil de 2015.
"Naquele gol estava escorregando muito. O pênalti que eu pego do Scarpa, na semifinal, ele escorrega. Na própria final, o Marquinhos Gabriel escorrega também. Até por conhecer o campo, a gente treinou pênalti ali, eu estava com uma chuteira diferente da habitual, estava com uma trava de alumínio bem maior para evitar escorregar. Eu mudei um pouco o jeito de bater. Foi muito complicado, nunca tinha batido um pênalti, ia bater o quinto e último. Mas graças a Deus a bola entrou e nos sagramos campeões".
O título da Copa do Brasil de 2015 por parte do Palmeiras foi, além de um ressurgimento do clube que por muito pouco não foi rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro no ano anterior, também uma espécie de resposta para boa parte dos críticos e ao próprio Santos.
Nas semanas que antecederam a final, uma grande parcela da imprensa tratava o Peixe como franco favorito ao título, algo que mexeu com o brio do elenco do Palmeiras.
Além disso, ao longo daquele ano, os dois times travaram batalhas dentro de campo recheadas de provocações e momentos marcantes. Além da Copa do Brasil, Palmeiras e Santos decidiram também o Campeonato Paulista no primeiro semestre daquele ano. Na ida, no Allianz Parque, o Verdão venceu por 1 a 0 com um gol de Leandro Pereira. Mas, a partida ficou mesmo marcada pelo pênalti perdido por Dudu, que daria o 2 a 0 aos donos da casa.
Ao longo da semana, nomes como Robinho, Ricardo Oliveira, Renato e outros davam o título na Vila Belmiro como 'bola cantada'. Em Santos, o Peixe chegou a abrir 2 a 0 e ainda viu Dudu, personagem central, ser expulso por reclamação. No lance, o atacante Geuvânio também recebeu o vermelho. No segundo tempo, o Palmeiras descontou com Lucas, gol que levou a decisão aos pênaltis. Na cal, vitória do Santos por 4 a 2 e festa santista na Vila.
Nos duelos seguintes pelo Campeonato Brasileiro houve mais provocação, principalmente entre Fernando Prass e Ricardo Oliveira. Em uma vitória por 2 a 1 na Vila Belmiro, no Campeonato Brasileiro, o centroavante do Santos marcou um dos gols e fez questão de tirar sarro da cara do goleiro.
Muito por conta disso, além da rivalidade em si, a decisão da Copa do Brasil foi um clássico tenso e nervoso. Apesar de todo o drama envolvido, Fernando Prass conta que 'nem ele próprio' faria um roteiro tão impressionante como aquele da Copa do Brasil.
"Acho que não mudaria nada. Se me pedissem para eu escrever um roteiro antes daquela partida eu não faria algo melhor. Óbvio, eu poderia pensar em bater um pênalti, mas não bater o quinto e fechar a série. Às vezes você bate o quinto e tudo continua. Aquele mosaico da torcida também. Foi uma surpresa total, o grupo tinha Zé Roberto, Dudu e eu fui o escolhido. Parecia até que a torcida estivesse prevendo algo".
Mesmo com todo o heroísmo na partida de volta da Copa do Brasil, Fernando Prass destacou que, para ele, a sua melhor atuação naquela competição foi justamente a derrota por 1 a 0, na Vila Belmiro, no primeiro jogo da final.
"Aquela foi minha melhor partida pelo Palmeiras. Lembro que a gente teve uma chance no começo e nada mais. Foi um sufoco incrível. Coloco como uma das três melhores partidas que fiz com a camisa do Palmeiras. Tiveram também outras grandes atuações. Me lembro da semifinal do Campeonato Paulista em Itaquera, contra o Corinthians, que eu peguei dois pênaltis. E também contra o Rosário Central, pela Libertadores de 2016", finalizou Prass.
Após seis temporadas de Palmeiras, entre 2013 e 2018, o goleiro se despediu do clube e se transferiu para o Ceará. Pelo Vozão, Fernando Prass foi um dos pilares da conquista invicta da Copa do Nordeste de 2020 e encerrou a carreira, aos 42 anos, na última rodada do Campeonato Brasileiro do mesmo ano, na vitória por 2 a 1 contra o Botafogo, no Castelão.
Veja outros trechos da entrevista com Fernando Prass:
