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De quase demitido a campeão no Morumbi: como Ceni tirou o Flamengo da crise para conseguir o bi seguido do Brasileiro

Rogério Ceni chegou ao Flamengo para sarar as feridas de uma saída traumática de Jorge Jesus e uma sequência ruim com Domènec Torrent. Com muito esforço, críticas e incertezas, o treinador botou o time no trilho certo e acabou campeão do Brasileirão. O ESPN.com.br lista momentos importantes da passagem do treinador, que salvou a temporada rubro-negra.

Início de pressão

Ele deixou o Fortaleza para assumir o Flamengo diante do mesmo São Paulo, clube em que foi ídolo e reencontrou nesta quinta-feira, às vésperas das quartas de final da Copa do Brasil. Foi eliminado e viu a pressão aumentar no Ninho.

Outra eliminação e improvisações no time

O clube ainda tinha pela frente a Libertadores. No entanto, mais uma queda, desta vez para o Racing, fez a crise explodir no Ninho. Rogério Ceni tinha a aprovação do elenco nos treinos, mas os resultados não vinham. A demissão chegou a ser cogitada, mas a direção decidiu manter o treinador.

Em campo, Ceni chegou a barrar Gabigol, conviveu com a pressão de não escalar o camisa 9 com Pedro, mas recuperou o ídolo da conquista da Libertadores 2019. E improvisou. Trouxe Arão para a zaga e recebeu críticas da torcida.

No entanto, com a volta de Diego ao time titular, o time ganhou mais saída de bola. Volante de origem, Arão dava velocidade na construção das jogadas. Diego se entrosou rápido com Gerson e deu o encaixe que faltava ao Flamengo.

Buscando o trilho certo

Aos poucos, Rogério Ceni foi ganhando a confiança da torcida. Mas a cada resultado ruim, a pressão aumentava, como nas derrotas para Athletico-PR e Ceará. O treinador decidiu seguir com suas convicções, como Gustavo Henrique na zaga quando não tinha Rodrigo Caio, apenas um centroavante e até mesmo a utilização do esquecido Pepê. E foi do garoto revelado no Ninho o importante gol na vitória por 2 a 0 sobre o Palmeiras.

Jogo da mudança

Só que a partida que virou a chave rubro-negra foi em Porto Alegre. Depois de sair perdendo para o Grêmio, Rogério Ceni mudou a equipe sem trocar peças. Repetiu o desenho tradicional da equipe de Jorge Jesus: dois volantes, dois meias e dois atacantes. Gabigol cresceu. E colocou o Flamengo na briga pelo título. Uma virada impressionante em 20 minutos, vitória por 4 a 2 e empolgação para a reta final.

Depois disso, o Flamengo foi derrubando um adversário por vez. Venceu Sport e Vasco, mas tropeçou no Red Bull Bragantino. Sinal de alertado ligado, mas foco nas rodadas decisivas. Bateu o Corinthians e chegou no confronto direto com o Inter precisando da vitória para assumir a ponta. E conseguiu. Triunfo por 2 a 1, que deixou a equipe com o caminho livre ser campeão na última rodada.

O jogo do título

Não foi da forma que a torcida rubro-negra esperava, mas mesmo com a derrota por 2 a 1 para o São Paulo na última rodada, o Flamengo garantiu o título do Brasileirão com o Inter sendo incapaz de vencer o Corinthians no Beira-Rio. Por um ponto, sofrido, até o último minuto. Foi assim que Rogério Ceni colocou um sorriso no rosto da nação.

Futuro promissor

Rogério Ceni sempre foi tratado como um dos treinadores mais promissores da nova geração. Até o momento, um trabalho muito bom no Fortaleza, mas experiências ruins por São Paulo e Cruzeiro. Retornou ao time nordestino, mas a missão por lá já estava cumprida. Precisava de um desafio maior. Veio o Flamengo. Título conquistado e garantia para iniciar a temporada 2021. E Ceni sabe da importância da conquista que muda a sua carreira de patamar.