Quando Luis Suárez deixou o Barcelona, poucos apostariam que ele seria o artilheiro de LaLiga na temporada seguinte, com 16 gols em 19 jogos pelo Atlético de Madrid. O uruguaio, porém, não teve dúvidas. A explicação, segundo ele mesmo? Um pouco de “cabeça dura”.
A ESPN conversou com o craque, que detalhou sua chegada ao clube de Madri depois da dura saída do Barcelona, revelou o que diferencia Diego Simeone dos demais e admitiu também que deve disputar no Catar em 2022 sua última Copa do Mundo pelo Uruguai.
Veja abaixo os principais trechos da entrevista exclusiva com Luis Suárez:
A chegada ao Atlético
"Obviamente o que te pode gerar e transmitir um treinador é o que se vê. Um técnico que acredita em suas condições, crê na sua capacidade de acrescentar algo à equipe, alguém que tem a ambição de conviver com o gol, mas é algo que tenho dentro de mim. O que sei é contribuir com o que posso contribuir com os anos de experiência. É antes de tudo o que passo a meus companheiros, de não te vejam como um a mais, mas como eles gostariam. Não gosto de ser o melhor, nem estar acima de ninguém, nunca fui assim. Que vejam que venho para ajudar, como estão fazendo vários outros, e tratar de aproveitar de uma etapa em que estou feliz, encantado. As mudanças as vezes vêm para o bem."
Simeone
"Obviamente que cada treinador tem sua forma de ser, tem sua filosofia de futebol. Cada técnico tem sua forma de planejar as partidas. Obviamente Cholo é um treinador que dá muita confiança ao jogador. Obviamente que na hora de planejar as partidas te corrige muitíssimas coisas, eu com a idade que tenho, segue me corrigindo coisas e aceito sem nenhum problema, porque por algum motivo é o técnico. Estou para ajudar, não se pode pensar que pela idade já sei de tudo, já fiz tudo, há detalhes táticos para aprender e para isso está o treinador."
'Cabeça dura'
"Sou desses jogadores que sempre me caracterizei por ser cabeça dura. Nesse sentido de quando tento duas, três, quatro vezes e não acontece, não sou desses jogadores que abaixa a cabeça, que vai desaparecer e que não vão me acontecer as coisas. Eu vou seguir tentando porque foi meu jeito de ser desde criança. Me criticavam com 18 anos, e os técnicos que tive, como Martín Lasarte, respondia: 'Mas olhem os gols que está errando o menino que tem 18 anos, erra 7 ou 8, mas vejam que ele segue insistindo e são coisas que vão fazer vocês chegarem longe'. E são coisas que guardei e vou ser assim, sou assim. Não esperava estar neste momento que estou vivendo hoje no Atlético, mas estou aproveitando muito e estou agradecido porque tanto a comissão técnica, como os companheiros acreditam em mim, confiam e isso é algo que tento pagar com gols ou o que quer que seja."
Copa no Catar: a última?
"Sim, sim, ali já terei quase 36 anos, e você já vai sendo consciente da idade. Primeiro, espero poder ter a possibilidade de chegar com a mesma vontade que tenho hoje em dia para competir por um lugar, sabendo que é difícil, por que à medida que você vai envelhecendo vai tendo mais dificuldades na hora de poder, mas com o DNA competitivo que tenho quero mostrar que posso jogar."
E o futuro?
"Sigo aproveitando o momento que estou vivendo hoje na elite do futebol, estando no Atlético, sigo na elite do futebol. Alguns não acreditavam que poderia continuar. Seguindo com a mesma vontade, espero seguir, no próximo ano, e nos anos seguintes, competindo ao máximo até que seja consciente e me dê conta que chegou o momento. Mas ninguém vai me dizer isso, eu vou decidir."
