O Vasco foi derrotado pelo Internacional pelo Brasileirão, mas saiu na bronca com a arbitragem por conta do primeiro gol colorado, em que um possível impedimento de Rodrigo Dourado não foi checado no VAR por problemas técnicos.
Depois da CBF pedir explicações à Hawk-Eye, empresa com sede no Reino Unido que controla a tecnologia do VAR, a mesma se posicionou nesta segunda-feira, explicando o problema ocorrido e pedindo desculpas a torcedores e à Confederação Brasileira de Futebol.
"Esse inconveniente foi causado pelo baixo ângulo das câmeras, em conjunto com a sombra se movendo no campo. Embora seja uma ocorrência muito incomum no software, a equipe operacional imediatamente seguiu o procedimento para recalibrar o sistema, o que foi concluído em poucos minutos. Infelizmente, esse processo não havia sido concluído quando a revisão foi solicitada e as linhas não estavam disponíveis para uso", se explicou a Hawk-Eye, em comunicado.
"A Hawk-Eye gostaria de pedir desculpas à CBF e aos torcedores de futebol em geral por este inconveniente, e garantir que temos o compromisso de innovar continuamente e aprimorar a tecnologia para tornar todos os esportes", disse a empresa.
Após o final da partida, o diretor de futebol do clube, Alexandre Pássaro, afirmou que, antes da bola rolar, fiscais da CBF pediram que uma câmera da Vasco TV fosse desligada para que não se pudesse desmentir qualquer decisão do árbitro de vídeo.
“Nós temos um grande problema nesse campeonato que é o VAR. Isso que aconteceu hoje foi inadmissível. A gente estava no vestiário, na hora que a gente saiu para o jogo, o pessoal da Vasco TV, a gente fica sempre com uma câmera, na lateral, que a gente utiliza para fazer imagens, pegar bastidores, uma coisa comum, sempre esteve ali, com VAR ou sem”, apontou.
“E foi pedido, pelo pessoal do VAR, que essa câmera fosse retirada dali, sob o argumento de que ela poderia captar alguma imagem que pudesse desmentir o VAR. Isso foi inédito para a gente, tentamos resistir, não fomos atendidos e tivemos que retirar. A gente não sabia o motivo. Muito provavelmente porque a CBF já sabia que a linha do impedimento estava descalibrada”, alegou
Pássaro ainda relembrou que, no primeiro turno, a CBF e a Comissão de Arbitragem já haviam afirmado que o VAR tinha errado em uma decisão na partida entre Atlético-MG e São Paulo, além de reafirmar que o Cruzmaltino irá pedir a anulação da partida contra o Internacional.
“Gaciba afirmou que a linha veio para acabar com a injustiça do futebol, que era perfeita. Vou recapitular, no jogo Atlético-MG e São Paulo, no primeiro turno, a linha errou em um gol legal do São Paulo. A Comissão de Arbitragem só divulgou essa imagem 30 dias depois. Ou seja, mostrou que a linha era passível de falha, contrariando o que já havia sido dito”, disse.
“Hoje, a linha, ao que nos foi indicado e ao que o juiz mesmo falou para os nossos atletas durante o jogo, e o Rodrigo Dourado, que não tem nada a ver com essa história e fez o gol, explicou, é que a linha estava descalibrada e valeu a linha dentro do campo. Se o VAR não estivesse funcionando, paralisasse a partida. No caso, foi o Vasco, mas poderia ter sido o Inter prejudicado. Quem perde é o futebol brasileiro”, finalizou.
Veja abaixo a nota da Hawk-Eye:
A quem possa interessar, Durante a partida VASCO DA GAMA x INTERNACIONAL na data 14 de fevereiro de 2021, ocorreu, lamentavelmente, um problema técnico que afetou a disponibilidade das linhas de impedimento.
Esse inconveniente foi causado pelo baixo ângulo das câmeras, em conjunto com a sombra se movendo no campo.
Embora seja uma ocorrência muito incomum no software, a equipe operacional imediatamente seguiu o procedimento para recalibrar o sistema, o que foi concluído em poucos minutos. Infelizmente, esse processo não havia sido concluído quando a revisão foi solicitada e as linhas não estavam disponíveis para uso. A questão foi comunicada ao VAR, que seguiu o protocolo de acordo com os requisitos da FIFA e da IFAB, informando ao campo a situação, e que nenhum erro claro e óbvio poderia ser determinado apenas com base nas imagens da TV, recomendando ao árbitro de campo manter sua decisão inicial de validar o gol.
O sistema estava totalmente operacional no início da partida e imediatamente após a recalibração, conforme as imagens abaixo. A tecnologia Hawk-Eye e nossos operadores cumprem os mais altos padrões de qualidade, no entanto, situações como essa nos inspiram a sempre nos dedicarmos no sentido do aprendizado e da inovação.
A Hawk-Eye gostaria de pedir desculpas à CBF e aos torcedores de futebol em geral por este inconveniente, e garantir que temos o compromisso de innovar continuamente e aprimorar a tecnologia para tornar todos os esportes, inclusive o grande jogo de futebol, uma experiência mais justa e mais emocionante
