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Caio Dantas, do Sampaio Corrêa, superou dificuldades para virar maior artilheiro do Brasil

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Caio Dantas diz qual foi o momento mais difícil de sua vida (0:43)

Na Série B, o atacante Caio Dantas, de 27 anos, vive fase goleadora no Sampaio Corrêa (0:43)

Principal artilheiro do Brasil em 2020 com 24 gols e da Série B, Caio Dantas precisou percorrer uma longa estrada até viver a melhor fase da carreira pelo Sampaio Corrêa.

Há pouco menos de três anos, a situação do atacante era bem diferente. Depois de passar por altos e baixos, o jogador foi levado para treinar no Botafogo de Ribeirão Preto na pré-temporada sem a garantia de que iria permanecer no clube. Ou seja, ele precisava se destacar no teste para agradar ao técnico Léo Condé e ser inscrito no Paulistão de 2018.

“Foi a minha última tacada porque arrumar algo depois disso seria muito difícil. Passei um bom tempo só treinando sem ser inscrito. Apareceram dois time de Minas Gerais para eu jogar a primeira divisão do Mineiro e pedi para sair, mas o Léo não me liberou. Ele disse que precisaria muito de mim e que acreditava em mim”, disse Caio ao ESPN.com.br.

Atacante acabou inscrito na segunda fase do Paulistão, mas não jogou as quartas de final contra o Santos, quando o time do interior foi eliminado. Apesar disso, ele permaneceu para a Série C do Brasileiro, mas seria reserva.

“O Jheimy não teve condição de jogar na estreia e fui bem no empate contra o Bragantino em 1 a 1. Depois, eu fiz um gol na vitória contra o Luverdense fora de casa por 2 a 1”, contou.

Assim que o titular voltou ao Botafogo, Caio ficou mais cinco partidas sem atuar. Quando teve outra chance, porém, começou a brilhar e não saiu mais do time. Ele foi o artilheiro da Série C com 11 gols e conseguiu o acesso para a Série B. “Recebi chances e fui muito bem. Foi um momento ótimo para mim e para clube. Já estava com 25 anos e pude retomar minha a carreira”, comemorou.

No ano passado, ele foi contratado pelo Cuiabá e teve um bom começo. “Fiz meus gols, mas depois no Estadual tive duas lesões que atrapalharam muito. Quando voltei não tive mais oportunidade”, contou.

Em 2020, Caio retomou a carreira no Boavista, no qual foi vice-artilheiro do Carioca, com gols. “Tive uma visibilidade muito grande e as portas se abriram novamente”.

Depois, foi contratado pelo Água Santa para as duas rodadas finais do Paulistão, mas quase não jogou. A equipe terminou rebaixada para a Série A2.

“Tinha uma chance grande de se classificar e enfrentar o Santos. Foi muito azar não conseguirmos o resultado. O time foi bem, mas por um detalhe acabou caindo”.

Assim que o Estadual terminou, o atacante foi contratado pelo Sampaio Corrêa para a Série B. “Já tinha conversas com o Sampaio porque gostaria de trabalhar outra vez com o Léo Condé e deu certo”, afirmou.

Mesmo chegando com a competição em andamento, ele virou o máximo goleador com 17 gols.

“Eu sempre esperei muita coisa porque confio muito em mim e achei que daria volta por cima. Eu trabalho demais antes de todos os jogos para ir bem. As coisas tem dado muito certo”.

“Sempre tive uma cabeça muito boa. Vim de lá de baixo, não tinha muitas coisas e tudo que conquistei foi bom. Recentemente tive a perda da minha mãe, que foi o momento mais difícil da minha vida. Ainda sinto muito, mas tenho uma família muito boa e amigos que me apoiam”.

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Carreira

Grande fã de Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho, Caio Dantas jogou muitos anos futsal em clubes como Gremetal, em Santos, antes de ir para o futebol de campo. Ele foi reprovado em um teste no Desportivo Brasil-SP antes de ser aprovado pelo técnico Eduardo Barroca na base do Audax-SP.

“Tento ajudar ao máximo o time na construção de jogadas e preparando para quem vem de trás, me movimentar pelo lados e buscar jogo lá atrás. Eu tive uma base muito boa no futsal e no Audax-SP. Fui aprovado como ponta, depois joguei a Copa São Paulo como meia e no profissional virei centroavante. Me ajudou muito conhecer os espaços do campo”.

Promovido aos profissionais em 2013 pelo técnico Antônio Carlos Zago, ele jogou ao lado do goleiro Sidão, do meia Tchê Tchê e do atacante Rafael Martins.

“Nos dois primeiros anos fui vice-campeão da Copa Paulista e tive o acesso para a Série A1 do Paulista. Consegui pegar uma base muito boa. Aprendi muito com o Fernando Diniz, que é um excelente profissional. Exige da gente muito no dia a dia e nos faz evoluir”, contou.

Comprado pelo Coimbra-MG, ele foi emprestado ao América-MG.

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Na Série B, o atacante Caio Dantas, de 27 anos, vive fase goleadora no Sampaio Corrêa

“Achei que ia dar uma engrenada boa na carreira. Ganhei a posição, mas no jogo seguinte, o [técnico] Silas caiu. Chegou outro treinador e não tive muitas oportunidades. Foi muito difícil porque era muito jovem e precisava retomar a carreira. Ainda era visto como promessa”, contou.

No ano seguinte ele foi para o Red Bull-SP, mas não conseguiu jogar o Paulista. Após a disputa da Série D do Brasileiro, ele passou por Uberlândia, Água Santa, Coimbra-MG, Botafogo-SP, Cuiabá-MT e Boavista-RJ até chegar ao Sampaio.

“Sempre digo que o tenho feito é muito pouco pelo que quero para minha carreia. Vou trabalhar para conquistar coisas grandes. Quero crescer muito e ajudar o time do Sampaio”.

Com contrato até o final da Série B com o time maranhense, Caio sabe que seu nome é especulado em diversos clubes do Brasil.

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“Eu e meus empresários tentamos no focar em jogar futebol. Algumas coisas ficamos sabendo, mas deixo para eles”.