<
>

São Paulo: Tiago Volpi saiu da Série D e venceu concorrência de primo para brilhar

play
Volpi aponta as dificuldades em substituir Rogério Ceni e dispara: 'É uma covardia, não tem como comparar o incomparável' (1:05)

Goleiro tricolor pegou dois pênaltis na vitória contra o Flamengo (1:05)

Tiago Volpi jogou por todas as divisões nacionais antes de virar titular absoluto do São Paulo, que enfrentará o Grêmio no Morumbi, nesta quarta-feira, pela partida de volta das semifinais da Copa do Brasil.

O goleiro começou a carreira na base do São José-RS e passou duas temporadas no Fluminense antes de retornar ao clube de Porto Alegre.

Promovido ao time profissional em 2010, ele estreou no meio de uma partida do Campeonato Gaúcho contra o Internacional na vaga de Rafael, que se lesionou em uma dividida com o atacante Alecsandro.

“O jogo estava 0 a 0, e o Inter era um timaço que depois venceria a Libertadores. Em um lance, o Taison acertou uma bomba no travessão, e no rebote o Tiago matou a bola no peito e saiu jogando com os pés. Eu pensei: ‘A gente não perde mais’”, contou o técnico Argel Fuchs, que comandava o São José, ao ESPN.com.br.

O "Zequinha" venceu a partida por 3 a 0. O jovem arqueiro foi tão bem que acabou mantido na equipe até a semifinal do Estadual, partida perdida nos pênaltis contra o Pelotas.

Em seguida, ele jogou a Série D do Brasileiro sob o comando do técnico Luiz Carlos Winck, mas acabou eliminado na primeira fase do torneio.

No ano seguinte, disputou outra vez o Gauchão e a Copa do Brasil antes de ser emprestado ao Luverdense - por indicação do treinador Lisca - para jogar a Série C do Brasileiro, mas não conseguiu o acesso.

A vida de Tiago Volpi mudaria em 2012, depois de jogar o terceiro Estadual seguido pelo "Zequinha" e ser contratado aos 21 anos pelo Figueirense, do técnico Argel.

“O time estava meio mal, mas queria colocá-lo como titular. Fomos fazer uma semana de treinos em Atibaia e ele deu azar porque quebrou a fíbula”, contou o treinador.

Após ficar alguns meses parado, ele virou terceiro goleiro – atrás de Wilson e Ricardo - e conheceu pessoalmente um parente que viraria também seu concorrente na posição: Neto Volpi, filho de um primo do seu pai, que estava no clube desde a base.

“Eu sabia que tinha um primo goleiro que jogava no Figueirense, mas não o conhecia. Não posso levar para o lado da família. Tem um ditado que diz: Amigos, amigos, negócios a parte” explicou Tiago à época.

Apesar da disputa, os parentes procuravam manter uma boa amizade e uma convivência pacífica.

“A gente passava muito tempo juntos e contávamos histórias. A gente apostava muito nos joguinhos dos treinos porque somos competitivos”, disse Neto.

“Ele sempre foi muito seguro e nunca foi omisso. Aprendi a ter mais coragem porque ele não tem medo de errar", disse o primo de Tiago.

Brilho no Figueira

Em novembro de 2012, ele contou com as ausências dos outros dois goleiros para jogar pela primeira vez pela equipe catarinense na derrota para o Santos por 2 a 0 na Vila Belmiro.

A vida de Tiago Volpi mudaria mesmo no ano seguinte, ao virar titular na campanha do Figueirense que terminou com o acesso para a elite do Brasileiro e com o título do Catarinense de 2014. Depois de um começo muito ruim do time na Série A, ele viraria destaque ao reencontrar Argel Fuchs.

“O time era considerado quase rebaixado, mas conseguimos salvá-lo. Eu o coloquei como capitão da equipe porque tem muita personalidade. Cobra os caras dentro do vestiário e você precisa até dar uma segurada (risos)”, disse o treinador.

“Teve um jogo do Figueirense contra o São Paulo que terminou 1 a 1. O Rogério Ceni foi até trocar camisa com ele. O que o Tiago fez naquele jogo...”, disse.

Após o Brasileiro, o arqueiro foi vendido para o Querétaro, do México, no qual jogou com Ronaldinho Gaúcho.

“Depois de conversar com o Tiago falei para o presidente vendê-lo porque ele queria sair e o clube ia ganhar um bom dinheiro. Além disso, a gente poderia colocar o Alex Muralha para jogar”, afirmou Argel.

O goleiro virou ídolo da torcida, foi campeão da Copa do México e chegou a ser cogitado para a seleção mexicana.

Em 2018, Tiago voltou ao Brasil para defender o São Paulo. Depois de um começo com altos e baixos, ele passou a ter grandes atuações e conquistou os são-paulinos.

“Ele sempre jogou bem com os pés e porque sempre estava jogando futevôlei. É um garoto muito bom. É meu ‘filho’, nos falamos sempre”, contou o técnico.

“Tiago é hoje o melhor goleiro do Brasil. Pegou dois pênaltis contra o Flamengo no Maracanã! Ele trabalha para caramba, tem muita confiança e não tem medo”, elogiou Argel.

Com 110 jogos pelo São Paulo em duas temporadas, o goleiro comanda a defesa menos vazada do Brasileirão, com apenas 22 gols sofridos.

Outros goleiros na família

Além do primo Tiago, Neto Volpi tem um irmão cinco anos mais novo que também é goleiro profissional: Fabian Volpi. Formado no Inter de Lages-SC, ele já passou Hercílio Luz, São Bernardo e Metropolitano antes de chegar ao Joinville.

“Somos muito ligados e sempre gostei de tê-lo por perto. Nós jogamos juntos no Inter de Lages-SC em 2016 e foi muito legal”.

Quando jogava pelo Tubarão, Neto enfrentou Fabian no empate contra o Inter de Lages por 2 a 2 pela Copa Santa Catarina de 2017.

“Foi uma sensação muito estranha porque ao mesmo tempo que queria vencer o jogo não queria que meu irmão levasse um gol”, disse Neto.