<
>

Ex-Atlético-MG, Douglas Santos superou lesão na juventude, atraiu interesse do Flamengo e hoje joga Champions League

play
Melhor jogador do mês, Malcom fica abismado ao receber 'prêmio pelos ares' (0:37)

Brasileiro fez cara de espanto pela forma como a premiação chegou ao seu apartamento (0:37)

play
0:37

Melhor jogador do mês, Malcom fica abismado ao receber 'prêmio pelos ares'

Brasileiro fez cara de espanto pela forma como a premiação chegou ao seu apartamento

Titular no Zenit, que irá jogar contra a Lazio, nesta terça-feira, em duelo válido pela fase de grupos da Champions League, Douglas Santos não teve um começo de carreira dos mais fáceis. Ele precisou superar uma grave lesão na adolescência e algumas frustrações antes de se firmar como jogador profissional.

Depois de começar a jogar bola em um campinho no terreno baldio perto de casa, ele passou por escolinhas e chegou a fazer testes em vários clubes do Brasil.

"Passei duas semanas no Corinthians, mas não tinha empresário. Foi o pai de um amigo meu que conseguiu um teste e não tinha quem cuidasse de mim, e os treinadores viram que não tinha como me manter e não ficaram. Depois, fiquei um mês em avaliação no Internacional e não deu certo, e mais duas semanas no Grêmio. Ainda fiquei no Criciúma, mas não deu certo", contou Douglas, ao ESPN.com.br.

Depois das frustrações, o jovem viveu um momento ainda mais difícil quando foi jogar uma final do paraibano de futsal pelo colégio Estrela do Mar, do qual era bolsista.

"Em um lance me dei mal e fraturei o fêmur. Tive que operar e fiquei um ano meio sem jogar, quatro meses sem pode andar. Eu tinha só 15 anos e poderia ter acabado minha carreira ali", contou.

Depois, Douglas voltou a treinar e resolveu dar uma "cartada final" no Náutico em uma peneira repleta de jovens.

"Falei para o meu pai: 'É o meu ultimo teste, pode conseguir um emprego para mim porque não quero mais depender do senhor'. Acho que foi nesse momento que foquei mais nos meus objetivos e no que eu queria", afirmou.

"Tinha tentado como meia esquerda nos outros times, mas na hora do teste o treinador perguntou quem era meia. Nisso, uns 50 garotos levantaram a mão. Quando ele perguntou quem era lateral tinham poucos, e resolvi tentar. Depois de 15 minutos de treino, o treinador me pediu para sair, falou que tinha passado e iria me avaliar com o grupo".

Poucos meses depois, Douglas já estava entre os profissionais. Em 2012, passou a jogar o Estadual e o Brasileiro com o treinador Alexandre Gallo e foi chamado pela seleção sub-20 e depois pela principal por Luis Felipe Scolari, que só convocou jogadores do Brasil.

"Eu estava no treino e me disseram que fui chamado para a seleção, mas eu achei que fosse para a sub-20. Eu me emocionei por tudo que tinha passado e fiquei feliz demais. Foi um dia importante para mim porque era um menino novo e sem perspectivas de vida até então. Tinha feito poucos jogos no profissional, mas fui bem e chamei atenção. A gente sabe como é difícil para um jogador de fora de Rio e São Paulo ser chamado", afirmou.

"Depois dessas oportunidades, as portas se abriram. A minha vontade de crescer aumentou muito depois disso. Fui para esse jogo e o Ronaldinho Gaúcho estava lá, um cara que sempre acompanhei. Eu não joguei, mas foi uma experiência muito boa", disse.

Depois de destacar pela seleção no Torneio de Toulon, na França, Douglas foi contratado pela Udinese-ITA. "Eu não joguei muito, mas aprendi a ser profissional, ter horários, focar mais no trabalho e me alimentar melhor. Foi uma escola para mim".

No meio de 2014, ele voltou ao Atlético-MG, pelo qual faturou a Copa do Brasil em cima do arquirrival Cruzeiro.

"Foi uma final histórica porque foi um clássico. Durante a semana nós falávamos muito, mas sabíamos que iriamos conquistar de qualquer forma. Nos treinos estávamos muito alegres, felizes e confiantes. Antes de uma final todos ficam tensos, mas não ficamos. Nos divertimos muito e isso me marcou. O atleticanos ficaram muito felizes com isso", disse.

Após ser campeão olímpico pela seleção brasileira em 2016, Douglas foi vendido ao Hamburgo-AL. No meio do ano passado, ele recebeu uma oferta do Flamengo quando passava férias em João Pessoa-PB, mas acabou acertando com o Zenit-RUS.

“O Flamengo veio falar comigo e o meu empresário, mas meu intuito é permanecer por muito tempo na Europa. Ainda estava no Hamburgo e não tínhamos conseguido subir para 1ª divisão da Alemanha”, disse o jogador.

“Eu fiquei muito feliz porque minha família toda é flamenguista. Muita gente me parava na rua perguntando se iria ao Flamengo, se tinha acertado. Eu disse para ter calma porque as coisas iriam ocorrer como Deus quisesse. Eu fiquei feliz. No futuro próximo, pode ser. Mas eu estou focado em permanecer na Europa”, garantiu.