Recentemente, Gonzalo Higuaín chocou o mundo do futebol ao trocar a Juventus pelo Inter Miami CF, da MLS. O atacante, que ainda era pretendido por grandes equipes da Europa, decidiu tomar um novo rumo na sua carreira e escolheu os Estados Unidos como o passo seguinte.
Quando muitos concluíram que a decisão era puramente financeira, o centroavante da Argentina na Copa de 2014 oferece uma nova perspectiva: a do resgate ao amor pelo futebol e a diminuição da pressão que a vida na elite do futebol traz ao jogador.
"No último ano eu não desfrutei como deve ser desfrutado o futebol na elite. Não desfrutei e, bom, algo tinha que mudar. Já estava saturado da pressão da elite, saturado de constantemente estar tendo que provar o que fiz no futebol, o que não foi pouco e não é ruim, mas dia a dia, jogo a jogo durante 14 anos mexe com a cabeça", disse em entrevista exclusiva à ESPN.
"Tive um momento ruim e a verdade é que pensava em outras coisas.É simples assim. Tinha vontade de diminuir o nível midiático e de pressão extra-campo e pressão futebolística também. É uma liga (a MLS) que vai crescer muito. Não vou negar que, vendo de fora, achava que seria mais fácil me adaptar. Ainda assim tenho tido chances de gols em que a sorte não me acompanhou, mas é uma liga física em que se você não estiver concentrado pode sofrer."
Higuaín também falou sobre a pressão que sofrem os jogadores de futebol e como são "espremidos até a última gota", principalmente no futebol de elite.
"Penso isso do jogador de futebol: não é de gole em gole. Vão servindo, servindo, servindo e servindo e quando não há mais Coca-Cola, o que você faz? Espreme a garrafa, amassa, tira tudo que é possível", disse.
"Mas eu sei que é assim: quando nós, jogadores de futebol, não servimos mais, somos descartáveis. Dói, mas eu entendi e quando entendi sofri menos. Mas não tenho dúvida que quando não servimos mais vão pisar nós e vamos parar de existir. Te espremem até morrer e também por isso eu queria sair um pouco disso."
Na Europa e no futebol de elite, Higuaín teve uma carreira bastante vitoriosa. O jogador, porém, ficou marcado por conta da final da Copa do Mundo de 2014, no Maracanã, quando perdeu uma grande oportunidade e ficou com o estigma de responsável pela Argentina não ter vencido a Alemanha e conquistado o Mundial no Brasil.
O atacante falou sobre aquela decisão, revelou que nunca mais conseguiu assistir à partida e que prefere focar na parte boa, de ter disputado uma decisão de Copa.
"Já se passaram seis anos. Obviamente fica a lembrança de que estivemos tão perto, vai ser sempre uma espinha entalada na garganta, mas fica também o que vivi: poder jogar uma final de Copa", comentou.
"Creio que essa geração, as Eliminatórias ganhamos de ponta a ponta e, no Mundial, chegamos alguns baleados, mas mesmo assim fizemos um grande Mundial e perdemos para uma grande seleção, que poderíamos ter ganho pelas chances que tivemos. Vi resumos, mas não tem problema. Fico com o que teve de bom que é chegar em uma final de Copa, creio que é algo muito valioso".
Pela seleção, Higuaín também teve a experiência de jogar ao lado de Lionel Messi. O atacante descreve a sensação de jogar ao lado do maior argentino de sua geração como "mágica" e também defendeu o camisa 10 pela vontade de deixar o Barcelona.
"Leo é mágico. É tudo natural. Nasceu assim, está em seu DNA e isso é admirável, que faça tudo sem esforço. Coisas que todos tem que se esforçar, Leo faz naturalmente. Isso é o que o faz ser único", analisou.
"Entendo todos os jogadores quando pensam no seu melhor. Leo é inteligente e maduro para decidir o que é melhor para ele. E espero que tenhamos Messi ainda por muito tempo porque já disse que quando não tivermos mais Leo, o futebol não será o mesmo".
Em sua carreira, Higuaín também teve momentos mágicos, como a realização do sonho de vestir a camisa do Real Madrid. O atacante revelou que era um "sonho de infância" e contou que achou que seu pai estivesse mentindo quando contou que o Real havia comprado seu passe.
"Existe um vídeo, para que você não ache que estou mentindo tem o vídeo, que eu quando sou criança digo que meu sonho é jogar no River e ir para a Europa, para o Real Madrid, devia ter 10 ou 11 anos. E consegui as duas coisas", contou.
"Quando soube do interesse do Real eu estava dormindo de manhã e meu pai me acordou gritando 'Gonzalo! Gonzalo!' e eu 'que? Que?' e ele me disse 'o Real Madrid te comprou' e 'está bem, depois você termina de me contar'. Achei que ele estava me zoando e não era real, não acreditava no momento. Quando acordo estava por todos os lados que o Real iria me comprar. 'Uau, é verdade!'. Foi muito louco, foi muito louco."
Por fim, Gonzalo também elegeu os melhores 9 do futebol atual, colocou Ronaldo como o maior de todos os tempos e revelou que sempre quis ser como o Fenômeno.
"Da atualidade, para mim, são Lewandowski, Haaland e Karim Benzema. Karim que está há muito tempo aí, é elite faz 12 anos. Lewandowski aonde jogou fez gols e venceu, é um animal. E Haaland que é uma grande promessa com um grande futuro. Me surpreendeu, mas é um grande atacante", analisou.
"Na história temos Suárez, Lewandowski, Cavani, Benzema, David Villa, Ibrahimovic e o melhor, que está, ironicamente falando, no céu, inalcançável, Ronaldo. Eu sempre quis ser Ronaldo, por mais longe que eu esteja. Sempre quis copiá-lo", finalizou.
