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Ex-técnico do Atlético-MG, Thiago Larghi fala sobre saída do Goiás e desejo de voltar a trabalhar

Após comandar o Goiás no Campeonato Brasileiro de 2020, Thiago Larghi espera acertar com um clube ainda nesta temporada. O ex-treinador do Atlético-MG acredita estar preparado para um novo desafio.

“Pretendo assumir um time desde que surja uma proposta interessante. Estou em condições e a cabeça está tranquila. Estou confiante e preparado. Esse ano o calendário é diferente porque só terminará em 2021. Vejo como algo natural. Trabalhos que têm continuidade conseguem sucesso”, disse ao ESPN.com.br.

Natural de Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro, ele jogou no futebol amador e em categorias de base em alguns clubes, mas quando percebeu que não teria uma carreira de sucesso como jogador resolveu estudar para ser treinador. Fez curso de treinador e formou-se em educação física.

Durante o curso, ele conheceu um observador técnico da CBF, que o convidou para trabalhar como seu auxiliar na seleção brasileira.

Larghi colaborou no auxílio de análise de desempenho da seleção na Copa de 2006 e foi trabalhar no Botafogo, ajudando na contratação do meia Lodeiro.

“A gente observava o Lodeiro jogando pelo Nacional-URU, time B do Ajax e também na seleção uruguaia. Vimos que ele jogava em várias funções no meio de campo e o recomendamos. Foi um jogador que ajudou bastante ao clube. Naquela época era mais difícil porque não tinham tantas facilidades como hoje em dia para ver os jogos e softwares”.

Em janeiro de 2013, foi convidado para ser observador técnico e analista de desempenho da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014. Ele ajudava a montar relatórios e vídeos para a comissão técnica comandada por Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari.

“Foi um aprendizado muito grande trabalhar com os dois últimos técnicos campeões mundiais. Lembro que observei o time da Alemanha e o que mais me chamou atenção foi a forma como o Toni Kroos jogava. Ele dava só dois toques na bola e fazia o jogo ficar muito rápido”, contou.

O meia, atualmente no Real Madrid, foi um dos principais jogadores na vitória alemã por 7 a 1 sobre o Brasil na semifinal da Copa.

Após o Mundial, Larghi foi tirar a licença da Uefa na Itália e passou uns dias acompanhando os treinos do Bayern de Munique durante uma data Fifa.

“Estava decidido a deixar a função de analista e virar um auxiliar-técnico. Conversei bastante com o auxiliar do Guardiola, e pude ver a forma como eles trabalham. Achei interessante que os treinos são curtos intensos e muito voltados para o que eles farão nos jogos”, contou.

Na volta, ele foi convidado para integrar a comissão técnica de Oswaldo de Oliveira e virou seu auxiliar no Sport, Corinthians e Atlético-MG.

Passagem no Atlético-MG

Após a demissão de Oliveira, em fevereiro de 2018, a equipe mineira o convidou para ser interino enquanto procurava outro treinador. Larghi esperava virar técnico alguns anos depois, mas precisou antecipar os planos.

“Eles não conseguiram fechar com outros nomes, o time reagiu e eu fui ficando. Conseguimos nos manter sempre entre os quatro primeiros do Brasileiro e até lideramos a competição”, afirmou.

“Nós tínhamos problemas para contratar e demos mais espaço para os meninos da base como Cleiton, Alerrandro e o Bremer, que pouco depois de virar titular foi vendido para o Torino. Além disso, demos chance ao Emerson Royal, que tinha acabado de chegar da Ponte Preta e para o Adílson, que não estava sendo usado. Eu gostava muito do estilo de jogo dele e tive uma conversa franca. Também ajudamos a resgatar o Róger Guedes que vinha em baixa no Palmeiras”, contou.

Larghi acredita que o desempenho da equipe começou a cair depois da lesão de Blanco e as saídas de Bremer e Róger Guedes, então artilheiro do Brasileiro.

Ele foi demitido depois de oito meses (49 jogos) de trabalho: 23 vitórias, 12 empates e 14 derrotas (55% de aproveitamento). O Atlético-MG estava na sexta posição do Brasileiro.

Passagem no Goiás

Depois de sair do time mineiro, Larghi passou em 2018 no Barcelona e na Fiorentina. No ano seguinte, fez estágio de 15 dias no Braga, que era comandado por Abel Ferreira, atualmente técnico do Palmeiras. O brasileiro voltou a assumiu uma equipe em agosto de 2020, quando foi treinador do Goiás.

O treinador contraiu a COVID-19 nas semanas entre os jogos do Inter e do Ceará. “A gente tinha reuniões diárias com a comissão técnica para definir os treinos. Eu acompanhava tudo por meio dos vídeos. Após o treino a gente fazia a avaliação do treino. A gente conseguiu manter a qualidade do processo pelo uso da tecnologia”, explicou.

Apesar de ter pedido reforços e não ser atendido, Larghi o treinador resolveu utilizar os jogadores vindos da base.

“Demos oportunidade ao David Duarte, que vinha se se recuperando de lesão. O Breno e o Vinícius Lopes estavam no banco e precisavam de oportunidade. Vimos que eles tinham potencial e estão sendo mantidos na equipe”.

O Goiás vinha de três jogos invictos - dois empates e uma vitória sobre o Internacional -, mas Larghi foi demitido.

“Foi um trabalho interrompido em que a gente pegou um clube em uma situação muito difícil. Fisicamente o time estava mal, jogadores estavam fora do peso. Técnica e taticamente precisava de melhoras. Estávamos analisando reforços com cuidado e chegassem para jogar. Passamos nomes para as diretorias e só trouxe um jogador. O trabalho não foi aquilo que foi acordado com o conselho. Eles queriam um time que propusesse e quando conseguimos três jogos sem perder e vencemos o Inter, que era o líder, o trabalho foi interrompido”.

Nos últimos dias, ele chegou a ser especulado no Botafogo, mas negou que tenha recebido qualquer oferta oficial do time alvinegro. “Não chegou nada para mim. Meu empresário não passou nada”, garantiu.