Corinthians: Davó fez avó ficar famosa no bairro e alegrou família alvinegra com gol

Matheus Davó foi o herói inesperado da vitória do Corinthians sobre o Internacional no último sábado pelo Campeonato Brasileiro. Depois de seu primeiro gol como profissional, o atacante vive a expectativa de ser aproveitado pelo técnico Vágner Mancini nesta quarta-feira, às 21h30, no jogo de volta da Copa do Brasil contra o América-MG, em Belo Horizonte.

Bem antes de virar jogador, o garoto de Pirituba, bairro em São Paulo, passava o dia todo na casa da avó Helena Alvarenga enquanto os pais trabalhavam. Ela era a responsável por levar o neto para escola e os treinos de futebol, o que acabou rendendo o apelido que o fez famoso.

“Quando eu cheguei na primeira escolinha, não sabia o meu sobrenome, os caras perguntaram qual era e eu falei "Davó". Aí pegou, ficou Davó para toda a vida", contou o jogador.

A avó de Davó

Helena Alvarenga, hoje com 83 anos, foi criada em Piracaia, interior de São Paulo, e teve três filhos. Funcionária pública, ela foi cozinheira na capital e trabalhou no famoso hospital psiquiátrico Phillipe Pinel, em Pirituba, São Paulo.

“Eu gostava muito de trabalhar por lá. Era um sacrifício deixar os filhos, mas venci a minha batalha”, disse, em entrevista ao ESPN.com.br.

Após a aposentadoria, ela ajudou na criação dos três netos, incluindo Matheus. “Ele ficava comigo direto e eu o levava para escola e para treinar no campo. O pai dele também levava. Eu ficava lá com ele”.

“Ele era muito bonzinho quando era criança, não me dava trabalho. Sempre estava com uma bola debaixo do braço e queria ser jogador. Eu adoro o Corinthians e nossa família é cheia de corintianos”, conta ela, que não esquece os detalhes da vida do neto mais famoso.

“O prato preferido dele era um macarrão especial com muçarela, molho e amor (risos) Era muito gostoso. Ele gostava tanto de comer que trazia até o amiguinho para comer em casa.”

“Tinham muitos Matheus na escola. Quando eu ia buscar, a professora perguntava: ‘Quem chegou para buscar?’ Ah, é o Matheus da avó. E ficou Matheus Davó”.

“Foi muito gostoso quando ele virou jogador, fiquei muito feliz! Mas ficava triste porque ele não jogava, mas agora melhorou. A emoção dele fazer gol foi muito grande!”.

A fama do neto, aliás, fez Helena ficar conhecida também onde mora. “Agora sou a famosa avó do Matheus aqui no bairro (risos). Todo mundo assiste e diz que está feliz que meu neto está jogando e fazendo gol. Principalmente os parentes, que são corintianos estão vibrando de alegria. Eu estou mais feliz ainda.”

Só falta um “detalhe” para a alegria ficar completa. “Eu não consegui ainda ver o Matheus jogando pelo Corinthians no estádio. Espero que ele seja um vencedor na vida, que continue sendo uma pessoa boa como ele é. O que mais desejo é que ele seja feliz!”.

Cobiçado na Copinha

Davó começou a carreira na Portuguesa, em 2016, e jogou o Paulista Sub-17, Paulista Sub-20 e Copa São Paulo. No começo de 2018, ele não renovou contrato com a equipe da capital e foi para o Guarani.

“Ele é muito rápido, tem uma força física grande – arrastando os zagueiros - e tem qualidade para finalizar muito bem com as duas pernas e de cabeça. É inteligente e sabe se posicionar, fizemos muito trabalho para que ele melhorasse isso e não ficasse impedido. É um jogador que chama gol”, disse o técnico Márcio Zanardi, que trabalhou com Davó na Lusa e no Bugre, ao ESPN.com.br.

Davó ficou conhecido no Brasil depois que marcou quatro gols contra o Internacional na Copa São Paulo de 2019. Davó ajudou a equipe de Campinas a chegar às semifinais, ao balançar as redes por seis vezes na competição.

“Depois do jogo contra o Inter ele recebeu várias propostas interessantes de fazer um pré-contrato. A gente teve uma conversa no quarto e ele pediu a minha opinião. Eu coloquei na cabeça dele que o momento dele iria chegar. Queria que ele chegasse ao profissional do Guarani porque iria receber propostas melhores. Às vezes precisa ter um pouco de paciência”, disse Zanardi, que comanda atualmente o sub-20 do São Bernardo FC.

Cobiçado por Santos e Corinthians, Davó teve o contrato renovado no Guarani, mas não teve chances no Paulistão entre os profissionais.

O jogador só foi ter chances a partir da sexta rodada da Série B, quando jogou por 19 minutos na derrota por 2 a 1 para o Brasil de Pelotas, no Brinco de Ouro. Em julho, contra o Sport (fora de casa), marcou o primeiro gol como profissional.

Depois, não saiu mais do time atuando como um atacante pelo lado de campo, apesar de ter sido centroavante na base. Com três gols em 30 jogos, ele ajudou a equipe de Campinas a evitar o rebaixamento para a Série C.

Altos e baixos no Corinthians

A saída do jogador para o Corinthians foi cercada de polêmicas. O juiz Francisco José Blanco Magdalena, da 9ª Vara Cível de Campinas, expediu uma sentença apontando “fraude” na compra no valor de R$ 700 mil dos direitos econômicos do atleta, por uma penhora anterior nas contas do Guarani – o dinheiro pelo jogador garantiria o pagamento de uma dívida.

Já no Corinthians, Davó não teve chances com o técnico Tiago Nunes. Foram apenas três partidas (uma delas de pré-temporada) e 71 minutos em campo. Por causa disso, ele quis voltar por empréstimo ao Guarani no meio de 2020, mas o negócio não aconteceu.

Com a saída de Tiago Nunes e a chegada do técnico Vágner Mancini, Davó foi aos poucos retomando espaço no elenco. Após ficar um longo tempo sem ser relacionado, ele entrou como titular contra o Internacional e marcou o gol da vitória.

“Quando veio o Corinthians ele me ligou agradecendo e disse que iria me dar uma camisa. É um cara do bem e que escuta bastante. Se tiver mais oportunidades ele irá agradar bastante ao torcedor corintiano”, disse Zanardi.