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Maradona 60 anos: As primeiras experiências (mal-sucedidas e polêmicas) como técnico nos anos 1990

Um dos maiores nomes da história do futebol, Diego Armando Maradona Franco comemora nesta sexta-feira 60 anos. O ícone argentino, porém, não estará descansando durante o seu dia: afinal, às 19h (de Brasília), ele vai comandar o Gimnasia La Plata na volta do futebol no país contra o Patronato pela Copa da Superliga.

"El Pibe D'Oro" mantém firme sua carreira como técnico, onde já passou por seleção argentina, dois times nos Emirados Árabes (Al-Wasl e Al-Fujairah) e um no México (Dorados).

Uma passagem pouco conhecida dessa faceta de Maradona no banco de reservas aconteceu ainda nos anos 1990, enquanto tentava se recuperar de um dos piores momentos de sua vida.

Durante a Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos, o camisa 10 fora flagrado em exame antidoping com cinco substâncias proibidas em seu sangue.

A Fifa aplicou uma suspensão de 15 meses para o então jogador do Newell's Old Boys, o que lhe deixaria mais uma vez fora dos gramados (em 1991, Diego foi punido pela primeira vez por doping pelo uso de cocaína e com o mesmo período de sanção).

Ele, no entanto, não estava impossibilitado de atuar no futebol de outra maneira.

Foi então que Maradona e Carlos Fren, seu ex-companheiro nos tempos de Argentinos Juniors, foram convidados pelo presidente Roberto Cruz para assumir o comando do Deportivo Mandiyú, time da primeira divisão nacional.

Pedro González saiu como técnico da equipe de Corrientes após dois empates e três derrotas nas primeiras rodadas.

"Don Diego", porém, ainda não tinha licença para atuar à beira dos gramados, e sua estreia como treinador do Deportivo Mandiyú aconteceu em 3 de outubro de 1994 da arquibancada do Estadio José Antonio Romero Feris contra o Rosario Central. Uma derrota por 2 a 1. Depois dessa partida, conseguiu a permissão para comandar do banco de reservas.

A experiência em Corrientes, porém, durou apenas dois meses: em 12 jogos, apenas uma vitória, seis empates e cinco derrotas, e o pedido de demissão em dezembro disparando contra o presidente Roberto Cruz.

"Saímos de Mandiyu com vontade enorme de seguir trabalhando, mas não pudemos continuar. Cruz se meteu no vestiário, e no vestiário, mando eu", disparou Maradona. Em 2005, ele voltou a falar de sua primeira experiência como técnico: "Mandiyu, inesquecível, por todas as pessoas. Infelizmente tínhamos um gordo que não nos pagava nunca, por isso faliu".

Maradona, porém, teria outra oportunidade logo em janeiro de 1995, quando o Racing o procurou para assumir como técnico novamente ao lado de Carlos Fren.

Novamente os resultados não apareceram (duas vitórias, seis empates e três derrotas), mas as polêmicas estavam sempre ali: dedos médios erguidos para a torcida do Ferro Carril, garrafa de água atirada contra um bandeirinha - que lhe rendeu multa de mais de 3,5 mil dólares à época - e uma lesão nas costas jogando pádel que o impediu de ir a treinos e jogos.

O ídolo nacional, enquanto isso, preparava sua volta aos gramados após a suspensão, que acabaria em setembro de 1995.

O Racing, porém, lhe negou a oportunidade com sua camisa, e o Boca Juniors abriu as portas para o retorno. Maradona colocou a condição de ser jogador-treinador do time xeneize, o que a diretoria não concordou.

O camisa 10, mesmo assim, acertou seu retorno à Bombonera para o último capítulo como jogador. O adeus definitivo aos gramados aconteceu em 25 de outubro de 1997, mas a lenda nunca saiu do imaginário popular.