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Campeão no Athletico-PR diz não se arrepender de passagem pelo Flamengo e que jogar no time atual seria 'mais fácil'

Marcelo Cirino guarda lembranças distintas de Athletico-PR e Flamengo, que farão nesta quarta-feira (28/10), na Arena da Baixada, o primeiro duelo das oitavas de final da Copa do Brasil.

Revelado no time paranaense, ele foi um dos maiores destaques do futebol brasileiro e foi especulado em várias equipes antes de ir para o clube carioca, em janeiro de 2015.

“Achei bem interessante a proposta do Flamengo, a gente não pode dizer não. Meu empresário me disse que o Athletico-PR tinha se acertado, eu só tive a decisão de dizer sim. Foi um Flamengo bem diferente, com o CT e tudo. Já era o Bandeira de Mello e já estavam reformulando tudo e quitando dívidas”, disse o atacante, atualmente, no Chongqing Dangdai-CHI, ao ESPN.com.br.

Depois de um começo promissor no Carioca de 2015, o atleta teve problemas na passagem pela Gávea.

“Eu acho que foi um contexto em que tudo leva para vários caminhos. Muita gente pode pensar que não estava focado no Rio, que fiz isso ou aquilo. Mas muito pelo contrário. Em 2015, fui artilheiro do Carioca e fui cogitado por muitos na seleção brasileira. Meu nome era um dos mais falados jogando em outra posição como centroavante. As coisas aconteceram de alguma forma. Depois, no futebol tudo pode acontecer e não foi da maneira que a gente imaginou”, afirmou .

“2015 foi um ano bem difícil, porque ficamos bem lá embaixo na tabela. Em 2016, as coisas não encaixaram. Não me arrependo de ter aceitado a proposta do Flamengo e ter vivido isso. Foi um marco na minha vida. Claro que as coisas poderiam ter sido melhores, mas Deus tem planos na sua vida que você não entende”, completou.

Ainda que não se arrependa, Cirino admite que as coisas não aconteceram da forma que ele desejava. Além disso, o jogador elogiou o time atual do Flamengo.

“Todo mundo sabe o poder do Flamengo, jogar no Maracanã lotado e fazer gols é inexplicável. As coisas não aconteceram como eu queria, minha família queria e a expectativa de todos os flamenguistas”, apontou.

“Se você coloca o time de hoje do Flamengo, as coisas ficam bem mais fáceis. Você pega jogadores de muita qualidade, com investimento e estrutura, as coisas fluem naturalmente. Fiz muitas amizades. Se as coisas tivessem acontecido da maneira como eu queria, não teria conquistado os títulos no Athletico, não teria ido para Dubai ou jogado no Inter, que era um clube onde sempre quis jogar”, ressaltou.

Retorno ao Athletico

Em 2018, depois de passar por Flamengo, Inter e Al-Nasr, Marcelo Cirino retornou ao Athletico-PR, onde conquistaria a Copa Sul-Americana e a Copa do Brasil.

“Foi um marco muito grande. Eu estava de férias depois de voltar de Dubai, não poderia ser inscrito e estava esperando propostas. Recebi sondagens de Sport, Bahia e Fluminense. O Fernando Diniz perguntou se eu poderia ir a Curitiba conversar com ele”, apontou.

“Nós fizemos uma reunião com a diretoria e eles perguntaram se eu poderia ficar no Athletico-PR. Tinha contrato, mas precisava acertar tudo de novo. Meu filho estava recém-nascido e perguntei o que minha esposa achava porque estávamos perto da família. Nós acertamos e foi uma coisa inexplicável”, completou.

Em 2019, pelas quartas de final da Copa do Brasil, o atacante reencontrou o Flamengo, posto como favorito do confronto. Ainda assim, a equipe conseguiu a classificação no Maracanã. “Contra o Flamengo tivemos que fazer 4 gols para valer um. O goleiro pegou a bola fora da área. Conseguimos segurar o empate no Maracanã”.

“Eliminar o Flamengo da qualidade que tem o elenco, treinador que ganhou tudo, não tem explicação. Dentro do Maracanã lotado, e muita gente falava que iriamos ser goleados. Foram vários fatores nos fizeram ter força e dar algo a mais. Depois foi muito bom ver as manchetes e ver a cara de quem disse que seriamos eliminados”, analisou.

Ainda assim, o jogo que gerou mais motivação pela ‘descrença’ no Athletico foi a semifinal. Segundo Cirino, o time se superou naquela partida, para chegar à decisão.

“A gente fez um jogo muito ruim contra o Grêmio fora de casa, a maioria dos veículos de comunicação já falavam que o Grêmio já estava classificado. Nós sabíamos da nossa capacidade e da força com nosso torcedor. Nós fomos muito acima até das nossas expectativas. O Grêmio não conseguia dar dois toques na bola porque a gente estava em cima. A maior motivação foi poder chegar em uma final. Nada paga isso”, revelou.

Na decisão, o atacante teve um momento especial ao participar da jogada do gol que selou a conquista do Furacão.

“Esse lance os torcedores recriaram e será inesquecível e vou levar para a minha vida. Ficou marcado na vida de muita gente. Tenho guardado em casa as placas e homenagens. E um lance inesperado e não vou ser mentiroso que queria fazer aquilo, mas aconteceu. Deixou o título ainda mais bonito”, relembrou.

Na partida desta quarta, o atacante não estará dentro de campo. Mas, mesmo que do outro lado do mundo, estará na torcida pelo Athletico e assistirá o duelo.

“O jogo será cedo na China, e vou ver. Estou vendo todos os jogos do Athletico que posso. É um jogo muito importante e o Athletico defende o título. Vou torcer para que o Athletico dê um passo muito importante”, finalizou.