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Barcelona: Presidente tem mais uma derrota nos bastidores, e processo que pode derrubá-lo avança

A direção do Barcelona está obrigada a convocar para esta terça-feira o referendo do voto de censura para realizá-lo durante os dias 1 e 2 de novembro. O cenário se deu depois da resposta que recebeu do governo da Catalunha de que “não há impedimentos jurídicos, nem sanitários” que evitem sua celebração.

O Barcelona, explicaram fontes do clube à ESPN, estudará o comunicado antes de tomar uma determinação, considerando que se apoia no seu desejo de adiar as votações para os dias 15 e 16 de novembro.

A diretoria de Josep María Bartomeu deveria se reunir com caráter de urgência para anunciar oficialmente a convocação ou, caso contrário, apresentar sua demissão, um cenário que o presidente descartou diante dos meios de comunicação nesta segunda-feira, por entender que não é momento de deixar o clube “nas mãos de um comitê gestor”.

A resposta do governo, no entanto, sendo a esperada, deixa o presidente azul-grená em uma posição de máxima fraqueza e com os promotores da moção de censura preparados para apresentar uma denúncia por descumprimento dos estatutos do clube.

Em sua carta, o governo faz menção à necessidade de incluir no protocolo organizacional os requisitos propostos pelos departamentos da Saúde e Interior, agrupados no Procicat (Plano de proteção civil da Catalunha), no dia 21 de outubro. O conteúdo da carta enviada pelo governo ao diretor-geral do clube, Òscar Grau, é o seguinte:

“Informamos a vocês que o Governo da Generalitat, representado pelos Departamentos de Presidência, Interior e Saúde, reitera que não há impedimentos jurídicos, nem sanitários para celebrar a votação do Voto de Censura, desde que estejam incluídos, no protocolo de organização do mencionado voto de censura, os requisitos que o grupo técnico do PROCICAT apresentou ao próprio FC Barcelona em uma reunião celebrada no último 21 de outubro.”

A resposta se produz apenas 20 horas depois de o presidente Bartomeu ter defendido a necessidade de adiar o referendo por 15 dias por questões de organização e para descentralizar em 21 pontos os lugares de votação (13 na Catalunha, sete em outros lugares da Espanha e um em Andorra) para poder cumprir os regulamentos de saúde impostos pela crise do coronavírus, uma circunstância que o governo catalão considera que não deve impedir a realização da votação nas datas previstas.

A partir de agora, Bartomeu, que não viajou a Turim para acompanhar a equipe de Ronald Koeman na partida da Champions League diante da Juventus, deveria convocar de urgência sua junta diretiva para estabelecer uma posição final. De acordo ao escrito à Generalitat, e para não descumprir os estatutos do clube, estaria obrigado a convocar a votação para os dias 1 e 2 de novembro hoje mesmo. A outra opção, apresentar a demissão, foi avaliada na reunião de segunda, mas o presidente rejeitou, conseguindo os apoios necessários e suspeitando, desde o início, que poderá responder novamente à Generalitat, sublinhando que a atual situação de alarme de saúde desaconselha a celebração do voto de censura.

Entre os serviços jurídicos do clube, considera-se que a suspensão do voto de censura por uma causa maior permitiria à diretoria de Bartomeu manter-se no comando de sua gestão até que a crise da COVID-19 diminuísse e a normalidade fosse restaurada.