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Carlos Augusto revela por que trocou Corinthians pelo Monza, que é gerido por ex-dono do Milan

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Jogos mais marcantes, melhor momento... Carlos Augusto fala sobre seu tempo no Corinthians (0:47)

Lateral-esquerdo era dono da posição no Timão quando foi para a Itália (0:47)

Vendido no final de agosto pelo Corinthians ao Monza, da 2ª divisão da Itália, Carlos Augusto dá seus primeiros passos no futebol europeu.

O lateral-esquerdo, que também atua como zagueiro, subiu aos profissionais em 2018 e foi bicampeão paulista.

Titular neste ano com o técnico Tiago Nunes em vários jogos, o jovem se encantou com o projeto da dupla Silvio Berlusconi e Adriano Galliani, que comandou o Milan entre 1986 a 2017 e venceu cinco vezes a Champions League.

Com um investimento pesado desde 2018, o Monza tem grandes ambições: chegar à elite do futebol italiano e brigar com as potências do continente.

Veja a entrevista com Carlos Augusto:

Como você avalia sua passagem pelo Corinthians?

Devo tudo na minha carreira ao Corinthians porque passei praticamente metade da minha vida por lá. A gente sabe o quanto é difícil vestir a camisa, mas quem joga na base vem crescendo com essa pressão que existe. O jogador da base é mais acostumado com isso. Quando subi ao profissional foi muito diferente porque tinha muito o que aprender. Só fui ter uma sequência maior de jogos em 2020. Nos primeiros anos tive essa dificuldade por causa de modelo de jogo, velocidade, etc... Todo jogador passa por isso e sempre trabalhei para ser um grande jogador.

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1:05

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Quais os momentos mais especiais no Corinthians?

Os jogos mais marcantes foram a minha estreia em jogos oficiais contra o Athletico-PR e o gol que marquei na Chapecoense, em 2019. Mas o momento mais especial foi o Paulistão de 2019 que fomos campeões e joguei o primeiro jogo da final. Eu tinha vencido em 2018, mas não tinha jogado. A gente sabe que é muito bom ganhar no Corinthians, mas quando perde tem uma pressão enorme.

Seu nome foi especulado em vários times. Houve alguma oferta antes do Monza?

O sonho de todo jogador brasileiro é jogar na Europa. Houve muita especulação, mas não teve nada concreto. Quando veio a proposta do Monza eu vi que era um projeto muito grande e bom para mim. Foi o momento certo de sair porque estava jogando bem. Precisava começar a me adaptar e a fazer as coisas na Europa. Quero jogar em grandes times, é claro, mas o Monza abriu as portas e é um grande projeto e um grande clube. Quero honrar esse projeto ao máximo.

Como foi a negociação?

As conversas começaram no início do ano com o Adriano Galliani e o diretor-esportivo do Monza com o meu representante. Demorou um pouco por causa do coronavirus, mas, graças a Deus, deu tudo certo. Estou aqui para dar o meu melhor.

É difícil a adaptação em um lugar novo?

Quando você muda de país pela primeira vez é muito diferente. Nos primeiros meses meu pai ficou aqui comigo para me ajudar na adaptação. No começo foi difícil para me comunicar, mas estudo Italiano todos os dias e em um curto período de tempo já consigo conversar bem e entender o pessoal. O grupo é bom demais e me acolheu super bem.

Você já teve contato com o Berlusconi e o Galliani?

Eles estão sempre presentes nos jogos porque sabem que é importante. São grandes caras que tem uma história imensa no futebol e tenho muito respeito, Eles estão fazendo um grande trabalho e quero retribuir essa confiança que têm em mim.

O Galliani e o Berlusconi têm um histórico pesado em contratar brasileiros no Milan...

Eu sei que eles contrataram grandes jogadores e espero ser mais um brasileiro que deu certo. Estou trabalhado muito para fazer uma grande temporada para ajudar o clube.

Como foi a estreia oficial?

Tinha feito alguns amistosos antes de jogar contra a Triestina pela Copa da Itália. Nós vencemos por 3 a 0 e pude dar uma assistência. Trabalhei para dar o meu melhor e ajudar a equipe. Espero aproveitar todas as oportunidades ao máximo e aprender sobre táticas de jogos. Isso vai me ajudar muito. Sei que posso melhorar ainda na temporada.

Você joga com o Kevin-Prince Boateng. Como ele é?

A comunicação no começo foi um pouco difícil. Mas o cara tem uma história no futebol que respeito muito. É um cara de grupo, super do bem. Cobra todo mundo porque quer vencer e irá nos ajudar muito. È diferenciado e vai dar tudo certo na temporada;

O Monza gastou muito dinheiro na temporada. Como é esse projeto?

O projeto é grandioso para fazer o Monza ser uma das grandes equipes da Itália e da Europa. Tudo feito passo a passo porque em primeiro lugar precisamos subir para a Série A. Foi por isso que escolhi esse clube. Espero fazer parte da história disso tudo.

Você tem passaporte italiano. Pensa em jogar pela Itália?

Eu tenho cidadania italiana e isso me ajuda porque tem limite de estrangeiros no clube. Minha primeira opção será sempre o Brasil e quero vestir essa camisa. Não penso nessa hipótese ainda [jogar pela Itália]. Já joguei um Sul-Americano sub-20 e sei o quanto é bom. Espero um dia, com muito trabalho, vestir a camisa da seleção principal.

Seu técnico é o Brocchi, ex-Milan e Lazio. Como ele é?

Ele tem uma história no futebol e é um grande treinador. Conversa muito com o grupo porque sabe como é um vestiário. Ele quer saber como os jogadores estão. Ele fará um grande trabalho porque temos um elenco muito bom. Esperamos conseguir o acesso para a Série A.

Qual o estilo de jogo do time?

A gente sai jogando com a bola e cria grandes oportunidades. Isso me ajuda muito porque todo jogador quer atuar com a bola no pé. O estilo de jogo é muito bom e pode dar frutos.

É tranquilo para você atuar como zagueiro e lateral-esquerdo?

Eu era atacante na base (risos). Mas no sub15 virei lateral-esquerdo e no sub20 joguei como zagueiro. Acho muito bom para a minha carreira fazer as duas funções, e gosto de jogar nas duas. Se o treinador precisar, eu faço com toda a vontade. Hoje, jogo mais como lateral, mas se me colocar como zagueiro vou saber jogar. Não tem problema.

Como tem sido a vida com o coronavírus na Itália?

O coronavírus complicou um pouco em tudo. Estou me adaptando bem aqui na Itália. Estou ajeitando as coisas. Daqui uns meses vou estar mais tranquilo. A Itália é um grande país, e Monza é uma cidade bonita que fica perto de Milão. Tem tudo para dar certo.