<
>

Ferencváros, rival do Barcelona na Champons League, tem torcida fanática: 'Parece a do Corinthians'

play
Torcida do Ferencvaros lota estádio e faz festa incrível em comemoração de título (0:08)

Clube foi campeão na Hungria e a torcida usou sinalizadores para comemorar - via @scespn (0:08)

Depois de 25 anos, o Ferencváros, maior clube da Hungria, jogará a Champions League. E a estreia não poderia ser mais emblemática: um duelo contra o Barcelona, nesta terça-feira, na Arena Puskàs, em Budapeste.

A equipe comandada por Serhiy Rebrov - semifinalista como jogador da Liga dos Campeões em 1999 com o Dinamo de Kiev - é a atual campeã da Liga Húngara.

Depois de passar pelos playoffs, o Ferencváros chegou à fase de grupos ao lado de Juventus, Barça e Dínamo de Kiev. Os jogadores estão empolgados com a chance de enfrentar Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.

“Quando a gente se classificou foi uma festa muito legal e todos ficaram muito felizes. O presidente esperava muito por isso. Todo jogador sonha em jogar a Champions e até falei para a minha esposa que queria um grupo forte para entrar para a história. Tivemos essa sorte de pegarmos dois times muito fortes com os dois melhores jogadores dos últimos 10 anos”, disse Isael, meia do time húngaro, ao ESPN.com.br.

“A ficha ainda não caiu. Acho que só vai cair quando entrar em campo contra os caras. Meu filho é fã do Messi e do Ronaldo e está louco. Ele não vê a hora de começar o jogo (risos)”, contou.

Isael espera no final da partida poder trocar o uniforme com algum craque do Barcelona.

“Todos os jogadores vão querer pegar a camisa do Messi. No primeiro jogo eu vou deixar algum jogador trocar com ele. Só de trocar com qualquer jogador vai ficar para história. Se for a camisa do Messi, melhor ainda”.

Apesar de ter poucas chances de avançar às oitavas de final, o Ferencváros espera fazer um papel bonito.

“É um grupo muito difícil. Estávamos vendo os vídeos do Barcelona, que é uma grande equipe e está a acostumada com a Champions. Nosso treinador falou: ‘Não caímos de paraquedas e não chegamos aqui à toa. Brigamos para estarmos aqui e vamos tentar jogar de igual para igual’. Sabemos que é difícil a classificação, mas vamos buscar cada pontinho”, contou.

“Foi engraçado que o nosso treinador falou na hora de mostrar o vídeo:’ Vou apresentar o time do Barça. Eu sei que os jogadores vocês já conhecem, mas vou apresentar taticamente’”, afirmou.

Além de Isael, o Ferencváros tem outro brasileiro no elenco: o meio-campista Somália, ex-Bangu. Leandro, ex-jogador da base do Corinthians, é ídolo da equipe – jogou na seleção húngara – e está em processo de transição para ser diretor clube.

'A torcida é bem fanática'

Fundado em 1899, o Ferencváros tem como mascote uma águia verde, já venceu 31 Campeonatos Húngaros e 23 Copas da Hungria. Os torcedores tinham fama de violentos no passado, e o clube já sofreu punições financeiras e de proibições por causa de episódios de hooliganismo e até de racismo.

“A torcida é bem grande, fanática e corresponde a do Corinthians no Brasil. A torcida organizada chama “Green Monster” [monstro verde, em inglês], e os caras têm tatuagens, é coisa de louco! Conhecemos uma brasileira casada com um húngaro que tem tatuagens no corpo todo do clube. Aonde a gente joga, eles vão”, contou.

“O Leandro, que está aqui há muito tempo, contou que antigamente era igual ao Corinthians. Chegou a rolar agressão a jogador e parar ônibus no meio da estrada. Hoje, isso mudou. Os caras respeitam mais, mas o fanatismo continua”, afirmou.

Em 2006, o clube chegou a ser rebaixado como punição por problemas financeiros, mas conseguiu recorrer e voltar à elite do futebol.

A última vez que disputou a Champions League foi na temporada 1995/1996, quando enfrentou o Real Madrid e foi eliminado na fase de grupos. Com uma boa estrutura, centro de treinamentos e salários em dia, o clube quer virar presença constante na competição.

Uma das tradições mais curiosas é que a cada conquista, o elenco precisa ir até a estátua de Flórián Albert, maior ídolo da história do Ferencváros. O ex-atacante, que jogou 16 anos no time (1958- 1974) e venceu a Bola de Ouro de melhor jogador da Europa em 1967, faleceu em 2011.

“Toda vez que ganhamos um título temos que ir até lá, colocar a faixa de campeão e tirar uma foto com ela.”

Apesar de mandar os jogos na Groupama Arena – capacidade para 22 mil pessoas -, o Ferencváros irá jogar contra Barcelona e Juventus na Puskás Arena, que cabe 67 mil pessoas e foi construída para a Euro 2020.

“Com o coronavírus não poderemos ter capacidade total. Todo mundo no país quer ver jogos contra o Barcelona e a Juventus. Por isso, optaram jogar na Puskás Arena para venderem até 22 mil ingressos. O país está em êxtase. Até quem não é torcedor do Ferencváros tem pedido ingresso para a gente”, disse.