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Ibrahimovic já 'esnobou' jantar com Berlusconi, recusou Milan para jogar na Inter e acirrou clássico italiano

Zlatan Ibrahimovic deve ser a grande novidade do Milan para o dérbi deste sábado (17) contra a Inter de Milão, às 13h (de Brasília), pelo Campeonato Italiano. Recuperado de COVID-19, o artilheiro sueco é esperança de gols da equipe rubro-negra, que começa bem a temporada, contra o maior rival local. E pensar que já foi ao contrário...

Há 14 anos, o então jovem goleador Ibra recusou a chance de se juntar ao Milan, à época de Maldini, Pirlo e Kaká, para defender a Internazionale, que estava em situação bem menos confortável que o oponente e carente de um grande ídolo. A história, contada na biografia do atacante ("Eu sou Zlatan", traduzida no Brasil pela editora Realejo), ilustra o tamanho da rivalidade.

Tudo aconteceu no verão de 2006. Ibrahimovic estava desesperado para deixar a Juventus, que havia acabado de ser punida com a perda de dois títulos italianos e o rebaixamento na Serie A pelo "Calciopoli", um esquema de manipulação de resultados que envolvia árbitros e clubes poderosos da Itália. Na mesa, duas ofertas: Milan e Inter.

As negociações eram tratadas por Mino Raiola, empresário polêmico que até hoje cuida da carreira de Ibrahimovic. O Milan tinha como trunfo um time de estrelas, que, naquela temporada prestes a começar, ganharia a Champions League. Já a Inter, "beneficiada" pela punição da Juventus, estava em reconstrução. Ibrahimovic ainda tinha dúvidas, mas parecia mais disposto a aceitar o desafio nerazzurri.

Até que, em 8 de agosto, Ibrahimovic e Raiola receberam um convite para jantar com Silvio Berlusconi, ex-primeiro ministro da Itália e dono do Milan. Eles se encontrariam após a partida do clube contra o Estrela Vermelha, de Belgrado, pela fase preliminar da Champions.

Em vez de irem, os dois tramaram um plano para chamar atenção de Massimo Moratti, presidente e dono da Internazionale. Desesperado com a possibilidade de perder Ibrahimovic para o Milan, o cartola enviou Marco Branca, diretor de esportes do clube, até Turim para negociar diretamente com o craque

"Estou mandando alguém para conversar com vocês agora mesmo", disse Moratti, segundo mostra a biografia do sueco. Entre muitos cigarros, Branca chegou a um acordo financeiro com Ibrahimovic, ouviu o sim do atacante e confirmou o acordo: o atacante seria contratado por 24,8 milhões de euros.

Faltava a parte chata da negociação: cancelar o jantar com Berlusconi. A tarefa coube a Raiola, que telefonou para o vice-presidente do Milan, Adriano Galliani, para informar que Ibrahimovic havia fechado com a Inter.

"Às vezes as coisas aceleram...", justificou o agente.

E assim foi feito. Ibrahimovic ganhou a camisa 8, passou três temporadas na Inter, conquistou o tricampeonato italiano e mais duas Supercopas da Itália. Fez 117 jogos, anotou 66 gols e deu 29 assistências até ser vendido por 68 milhões de euros ao Barcelona, no verão europeu de 2009.

O Milan apareceu na vida de Ibra um ano depois, quando o desgaste entre o jogador e o técnico Pep Guardiola era insustentável. Comprado por 24 milhões de euros, o atacante vestiu a camisa rubro-negra por duas temporadas, foi campeão italiano em 2010-11 (último Scudetto do clube, por sinal) e saiu em 2012 para atuar no Paris Saint-Germain.

Voltou ao Milan em janeiro de 2020, após o encerramento da passagem pelo Los Angeles Galaxy. No total, fez 70 gols e deu 29 assistências em 107 partidas. Ibrahimovic é o grande nome de um elenco que tenta, seja no Campeonato Italiano ou na Liga Europa, devolver o protagonismo ao time rubro-negro. O clássico deste sábado, que o craque conhece tão bem, é uma boa oportunidade de começar.