Weston McKennie, meia da Juventus e da seleção dos Estados Unidos, disse que representa um país que "possivelmente nem me aceite apenas pela cor da minha pele".
McKennie prestou homenagem a George Floyd durante uma partida da Bundesliga pelo Schalke 04, seu ex-clube, enquanto usou uma braçadeira com as palavras "Justice For George".
Floyd, que era negro, morreu sob custódia policial em Minnesota em maio depois que um policial branco se ajoelhou em seu pescoço por vários minutos. O caso gerou protestos do movimento "Black Lives Matter" em cidades dos Estados Unidos.
McKennie, de 22 anos, é jogador da Juventus, mas disse que não está contente em apenas progredir em campo e quer destacar as questões de racismo que continuam a afetar tantas pessoas.
"Este ano, no início da temporada, jogamos e os torcedores depois do jogo estavam fazendo sons de macaco para mim", disse McKennie em um vídeo produzido pela Adidas. "É devastador. Voltei para casa em Dallas e tenho medo de dirigir à noite só porque não sei o que vai acontecer se eu for parado. Estou representando um país que possivelmente nem me aceita pela cor da minha pele".
"É definitivamente doloroso. Quando usei a braçadeira, senti que era um dever e uma responsabilidade: sendo norte-americano e sendo um norte-americano negro. Senti a necessidade de trazer consciência para o exterior. Recebi muito apoio e muito ódio também. 'Você é um jogador de futebol, não deveria estar fazendo declarações políticas', e estou apenas pensando na minha cabeça: 'Não vejo como isso seja uma declaração política’".
“Uma pessoa perde a vida, não vou calar a boca e driblar. Não vou rebaixar a minha opinião só porque as pessoas acreditam que eu deveria apenas jogar futebol. Não quero ser conhecido apenas como um grande jogador de futebol. Quero ser conhecido como um grande ser humano, como uma grande pessoa e é isso que estou começando a tentar e a fazer: a criar o meu legado. Esta versão de mim que eu amo”.
A morte de Floyd ocorreu em um momento em que os esportes competitivos estavam suspensos em todo o mundo devido à pandemia de coronavírus. A Bundesliga foi a primeira a retornar à ação, levando McKennie a ser o primeiro jogador de futebol de destaque a prestar homenagem.
Seu gesto foi seguido por outros: Marcus Thuram, do Borussia Monchengladbach, ajoelhou-se após marcar na próxima partida, e Jadon Sancho, do Borussia Dortmund, usou uma camiseta com as palavras "Justiça para George".
Desde então, várias homenagens foram apresentadas em todo o mundo em solidariedade ao movimento Black Lives Matter, inclusive na Premier League, onde os jogadores se ajoelharam antes do início de cada jogo.
McKennie é um dos vários jovens jogadores da seleção dos Estados Unidos - incluindo Sergiño Dest do Barcelona e Christian Pulisic do Chelsea - que estão em grandes clubes do cenário europeu.
