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Guia (da volta) da Libertadores: calendário, protocolos para COVID-19 e situação do futebol em cada país

O principal torneio de clubes da América do Sul volta nesta terça-feira: a Copa Conmebol Libertadores, paralisada ainda em março por causa da pandemia de COVID-19, recomeça com a terceira rodada da fase de grupos após seis meses. A competição terá cobertura completa no ESPN.com.br, na ESPN Brasil e no ESPN App, além da transmissão de vários jogos ao vivo no FOX Sports (veja programação detalhada mais abaixo).

A Libertadores agora tem um calendário que se estende até 2021 e retomará suas atividades seguindo protocolos e regras para evitar o contágio do coronavírus entre jogadores, comissão técnica e staff da Conmebol.

As 32 equipes, porém, voltarão em ritmos distintos por causa da volta (ou não) do futebol em cada um dos dez países.

Por isso, o ESPN.com.br fez um guia com as informações atualizadas da retomada do torneio e a explicação de jornalistas espalhados pela América do Sul sobre a situação dos clubes locais.


COMO PAROU A COMPETIÇÃO?

A Libertadores foi paralisada em 12 de março, uma quinta-feira, após os últimos jogos da segunda rodada da fase de grupos. Dos três duelos que aconteceram neste dia, um já não teve a presença de torcedores: Racing-ARG 1x0 Alianza Lima-PER. Os duelos Nacional-URU 1x0 Estudiantes de Mérida e Grêmio 0x0 Internacional foram os últimos com arquibancadas ocupadas.

A SITUAÇÃO DOS BRASILEIROS

Veja ao final do guia jogos e transmissões da terceira rodada

No grupo A, o Flamengo está 100% após dois jogos e divide a liderança com o Independiente del Valle, seu próximo rival, no Equador. No B, o Palmeiras também conquistou seis pontos e agora visita o Bolívar e sua altitude.

O Athletico-PR e o São Paulo estão respectivamente nas emboladas chaves C e D, onde todos os oito times têm três pontos. O Furacão visita o Jorge Wilstermann na Bolívia, enquanto o Tricolor do Morumbi recebe o atual vice-campeão, River Plate.

No grupo E, Grêmio e Internacional - que empataram um clássico pra lá de tenso - dividem a primeira colocação com quatro pontos e enfrentam na devida ordem Universidad Católica-CHI (fora) e América de Cali-COL (casa).

Na chave G, o Santos lidera com seis pontos e recebe o vice-líder Olimpia-PAR.

PROGRAMAÇÃO ATÉ O FIM

- Fase de grupos: de 15 de setembro a 22 de outubro

- Sorteio dos confrontos e do chaveamento do mata-mata: 24 de outubro

- Oitavas de final: ida na semana de 25 de novembro; volta na semana de 2 de dezembro

- Quartas de final: ida na semana de 9 de dezembro; volta na semana do dia 16 de dezembro

- Semifinais: ida na semana de 6 de janeiro de 2021; volta na semana de 13 de janeiro de 2021

- Final única: Mantida para o Maracanã e com três possíveis datas - 23, 24 ou 30 de janeiro.

PROTOCOLOS

O torneio continua sem a presença de torcedores nos estádios. Os times que jogarão fora de casa vão ter auxílio da Conmebol para contratar voos fretados e precisarão seguir estritas regras durante a passagem pelo país visitado.

O número de jogadores inscritos por cada time aumentou de 40 para 50, e as cinco substituições vão ser permitidas. Um atleta poderá disputar a competição por dois clubes, algo proibido até hoje.

No dia do jogo, está proibido cuspir e assoar o nariz antes, durante e depois na área de competição (gramado e banco de reservas), beijar a bola e também trocar camisas com um adversário.

VEJA ABAIXO A SITUAÇÃO DO FUTEBOL EM CADA PAÍS DA AMÉRICA DO SUL


ARGENTINA

Nicolás Baier, ESPN

Como está a volta do futebol no país?

A volta do futebol argentino ainda é uma incógnita. Se especulava com um possível retorno para meados de setembro, mas recentemente se adiou para outubro. À falta de comunicação oficial, espera-se o aval do Governo e que as condições sanitárias permitam retomar a atividade.

Como as equipes que disputam a Libertadores sofreram durante a pandemia (muitos casos positivos, polêmicas, entrada e saída de jogadores)?

Desde que os clubes argentinos puderam voltar aos treinos, no começo de agosto, eles aparecem nas manchetes pela quantidade de casos positivos. O caso emblemático é o do Boca Juniors, que sofreu o contágio de meio plantel. Pelo lado de River Plate, Racing, Tigre e Defensa y Justicia, o impacto foi muito menor.

Quanto ao mercado de transferências, o Boca contratou dois velhos conhecidos: o colombiano Edwin Cardona e o goleiro Javier García, proveniente do Racing. Enquanto isso, o River de Marcelo Gallardo mantém a base, mas já não terá Ignacio Scocco nem Juanfer Quintero.

Acredita que a parada pela pandema prejudicará as equipes do país na Libertadores?

Claramente a parada pode acabar muito prejudicial para as equipes argentinas, que não competem oficialmente desde meados de março. Naquele momento começou a quarentena no país, uma das primeiras da América do Sul.

River e Racing lideram seus grupos. Boca é vice do Libertad, seu próximo rival, enquanto Tigre e Defensa y Justicia precisaram se recuperar do mau início. Em campo se verá se a falta de rodagem acaba sendo chave no que resta de primeira fase.


BOLÍVIA

Víctor Quispe Perca, diário La Prensa

Como está a volta do futebol no país?

O futebol ainda não voltou. Está previsto começar em 21 de outubro e só se jogaria o restante do torneio Apertura.

Como as equipes que disputam a Libertadores sofreram durante a pandemia (muitos casos positivos, polêmicas, entrada e saída de jogadores)?

Os times treinaram virtualmente, e os clubes reduziram os salários em até 70%. Foram registrados vários casos de COVID-19 nos elencos, quase cinco por clube. Saíram mais jogadores do que entraram nos times, muitos estrangeiros se foram.

Acredita que a parada pela pandema prejudicará as equipes do país na Libertadores?

Prejudicou muito, porque faz apenas um mês que voltaram ao trabalho e ninguém pode jogar amistosos. As equipes irão para cada partida após seis meses inativos.


BRASIL

Mário Marra, ESPN

Como está a volta do futebol no país?

O futebol voltou aos poucos e sem uma coordenação. Alguns clubes voltaram a treinar e até mesmo a jogar bem antes de outros. Claro que é preciso contextualizar e entender as dimensões do país e o andamento da pandemia em diferentes centros, mas não dá para dizer que todos os clubes brasileiros estejam vivendo o mesmo estágio de preparação.

Como as equipes que disputam a Libertadores sofreram durante a pandemia (Muitos casos positivos, polêmicas, entrada e saída de jogadores)?

Os clubes brasileiros que disputam a Libertadores fizeram as fases finais de seus estaduais e iniciaram o Brasileiro. Flamengo, Grêmio, Palmeiras e Athetico levantaram taças, mas dois deles já não seguem com os treinadores que idealizaram a temporada.

O Flamengo de Jorge Jesus foi dominador e um novo Flamengo está se montando - Domènec Torrent vive seus primeiros passos à frente de uma realidade totalmente diferente em sua carreira profissional.

O Furacão também não permitiu sequência a Dorival Jr., mas Eduardo Barros, que já conhece o elenco, não vive uma situação tão confortável na tabela de classificação do Brasileiro e convive com a sombra da dúvida do que há de vir.

São Paulo e Rio de Janeiro sofreram e sofrem muito com números elevados de contaminados e vítimas fatais do coronavírus. Porto Alegre e Curitiba tiveram números melhores e ainda assim são cidades que também sofreram bastante. Todos os clubes testaram jogadores, funcionários e comissões técnicas e em todos os clubes ao menos um teste deu positivo para o vírus.

Acredita que a parada por causa da pandemia prejudicará as equipes do país na Libertadores?

A parada é prejudicial, mas é prejudicial para todos os clubes participantes de todos os países. Não dá para falar que um clube perdeu ou ganhou a Libertadores por causa da pandemia. É mais honesto observarmos as mudanças de comando técnico e de elenco.


CHILE

Cristobal Escudey, ESPN

Como está a volta do futebol no país?

O futebol chileno voltou em 29 de agosto com alguns jogos pendentes, e desde então até hoje se jogaram três rodadas até completar a décima jornada do campeonato local. Nos estádios não se permite torcedores, só alguns jornalistas nas cabines, enquanto que no campo só os jornalistas do canal oficial que transmite o torneio podem ficar.

Como as equipes que disputam a Libertadores sofreram durante a pandemia (Muitos casos positivos, polêmicas, entrada e saída de jogadores)?

Colo Colo e Universidad Católica são as duas equipes chilenas na Libertadores. O Colo Colo teve inconvenientes com os dirigentes por causa da pandemia e do tema dos salários: os jogadores não aceitaram uma redução, e o clube decidiu deixar de pagá-los - os atletas, então, começaram a pedir seguro-desemprego. Depois, o elenco chegou a um acordo com a Blanco y Negro (concessionária que controla o Colo Colo) para reduzir seus salários enquanto durar a pandemia.

No entanto, houve meses em que o time não treinou desde suas casas com um preparador físico de maneira virtual como faziam o restante das equipes (ao menos não o fizeram de maneira oficial, talvez por conta própria, mas isso poderia afetar o desempenho físico dos atletas).

O tema físico é algo que se notou no Colo Colo, já que baixou consideravelmente seu rendimento com o passar dos minutos e dos quatro jogos desde o retorno do torneio, conseguiram dois empates e duas derrotas, apenas na 14ª colocação com só quatro pontos a mais do que o lanterna Deportes La Serena.

Por sua parte, a Universidad Católica teve um tropeço em seu retorno ao torneio, pois perdeu por 1 a 0 para a Unión Española no San Carlos de Apoquindo, perdendo a invencibilidade como mandante. No entanto, nos outros dois jogos seguintes, conseguiu a vitória sobre Coquimbo Unido e Huachipato. A Católica é líder isolada do campeonato, onde parece não ter rivais, mas na Libertadores está em último, e é uma dívida que tem pendente há vários anos. Durante a pandemia, a UC trabalhou a partir de suas casas com atividade especial que lhe entregava a comissão técnica para não dar maior vantagem no tema físico em seu retorno.

Cabe mencionar que as duas equipes, principalmente o Colo Colo, dosaram a utilização de seus jogadores para chegar da melhor maneira à Libertadores. O Colo Colo tem Esteban Paredes, artilheiro histórico, com 40 anos, e por isso não estão fazendo que ele jogue durante a semana.

Quanto a algum contágio, nenhum clube apresentou maiores problemas - o Colo Colo anunciou um caso, mas não revelou seu nome e ficou em quarentena sem maiores inconvenientes.

Acredita que a parada por causa da pandemia prejudicará as equipes do país na Libertadores?

A falta do futebol de da preparação física pode prejudicar os dois times, porém é mais preocupante com o Colo Colo, pois não teve o mesmo tempo de trabalho como outras equipes chilenas que estiveram com trabalhos virtuais e que inclusive voltaram antes aos campos - já que a quarentena lhes permitiu isso.

A queda física dos albos é notória durante o torneio nacional, enquanto que a Católica, apesar do mau início no campeonato, demonstrou que segue com bom futebol, mas isso precisa provar no âmbito internacional, onde precisa somar três pontos para deixar a lanterna. Os dois times não apresentam lesionados com gravidade, e o tempo de parada favoreceu para recuperar alguns jogadores que tinham problemas, mas a falta do futebol é o que agora pode passar a conta.


COLÔMBIA

Damián Didonato, ESPN

Como está a volta do futebol no país?

O futebol profissional colombiano voltou na última semana com a Superliga, uma final entre os dois últimos campeões nacionais. América de Cali e Atlético Junior, dois dos três representantes do país na Libertadores, disputaram o título, e o time de Barranquilla levou a melhor. A Liga retornou no último final de semana com jogos adiados e seguirá normalmente a partir de sexta. As equipes do país estão treinando desde o início de julho.

Como as equipes que disputam a Libertadores sofreram durante a pandemia (Muitos casos positivos, polêmicas, entrada e saída de jogadores)?

América, Junior e Independiente Medellín sofreram diversos problemas nestes meses. O time de Cali, atual campeão, foi talvez o mais prejudicado: o técnico brasileiro Alexandre Guimarães deixou seu cargo pelas dificuldades econômicas relacionadas com seu contrato e chegou Juan Cruz Real. Também deixaram o clube duas peças-chave, Matías Pisano e Michael Rangel. Por outro lado, o Junior manteve Julio Comesaña e contratou o próprio Michael Rangel, por isso pode-se dizer que saiu beneficiado. O Independiente Medellin também sofreu algumas baixas importantes.

Casos positivos de COVID-19 aconteceram em quase todos os times do futebol colombiano, ainda que a maioria já esteja superada, e isso já não representa um problema. O que a pandemia trouxe, sim, foi prejuízo econômico, pois obrigou vários clubes a perderem jogadores.

O América de Cali perdeu dois nomes fortes (citados acima), mas conseguiu manter jogadores de peso como Adrián Ranis, Independiente Medellín perdeu Andrés Ricaurte, seu maior jogador, e também ficou sem Juan Fernando Caicedo, Maicol Balanta e Adrián Arregui, entre outros. Contratou somente o argentino Israel Escalante.

O Junior Barranquilla - um dos primeiros times a entrar em quarentena preventiva em março - manteve a base do elenco e espera fazer valer essa estabilidade. No entanto, na última segunda, o técnico Julio Comesaña deixou o clube.

Acredita que a parada por causa da pandemia prejudicará as equipes do país na Libertadores?

Sem dúvidas. A Colômbia só voltou a jogar algumas partidas na semana passada. As equipes de Brasil, Equador, Peru e Uruguai chegarão com mais rodagem. Além disso, as mudanças de jogadores - quase em todos os casos - apresentam mais problemas do que soluções.


EQUADOR

Luigi Marchelle, canal Ecuavisa

Como está a volta do futebol no país?

A Liga PRO retornou na metade de agosto com muitos jogos seguidos e pouco tempo de descanso. O calendário ficou apertado, mas as equipes estão cumprindo sem problema. De fato, estamos muito perto de conhecer o primeiro finalista do torneio em pouco tempo, pois está por finalizar o primeiro turno.

Como as equipes que disputam a Libertadores sofreram durante a pandemia (Muitos casos positivos, polêmicas, entrada e saída de jogadores)?

O tema econômico afetou a todos, mas alguns retornam à competição com caras nuevas. A LDU finalizou seu vínculo com Antonio Valencia, o que representou uma baixa muito sensível, já que era um jogador muito importante em sua estrutura esportiva. Contratou o argentino Ezequiel Piovi, que mostrou coisas interessantes em seus primeiros jogos; sua chegada, porém, significou que tinha que liberar uma vaga de estrangeiro, e por isso o zagueiro uruguaio Carlos Rodriguez foi emprestado ao Delfín. No time "albo" houve oito casos positivos de COVID-19, dos quais dois eram jogadores, mas hoje estão todos recuperados e disponíveis.

O Independiente del Valle transferiu Alan Franco ao Atlético-MG, mas em seu lugar ficou Moisés Caicedo, que é uma das joias do futebol equatoriano. Caicedo já estreou - inclusive marcou na Libertadores - e está se consolidando com boas atuações. O atual campeão da Copa Sul-Americana incorporou o atacante Edson Montaño, que é uma boa alternativa.

O Barcelona já não conta com Fidel Martínez, atual artilheiro da Libertadores, que foi vendido para a China. O time "toreto" contratou José Angulo, que cumpriu uma suspensã da Conmebol; Adonis Preciado, um jovem jogador que surpreendeu por sua velocidade e habilidade; e Jefferson Orejuela, que potencializará o meio-campo.

O Delfín teve alguns problemas de resultados ao retornar o torneio, por isso despediram o técnico Carlos Ischia e os jogadores Martín Alaníz e Richard Calderón. O novo treinador do campeão equatoriano (o terceiro neste ano) é o argentino Miguel Ángel Zahzú. Além disso chegou Carlos Rodríguez (LDU).

Acredita que a parada por causa da pandemia prejudicará as equipes do país na Libertadores?

As equipes vêm competindo há um mês e ninguém deveria ter problemas de desempenho em seus jogos, pois todos chegam com ritmo de competição. Talvez o apertado calendário possa afetá-las, mas LDU e Barcelona gozam de elencos grandes. LDU, Del Valle e Barcelona estão na luta pelo título do primeiro turno. Do que se viu no último mês: a LDU ganha seus jogos com muita ordem e eficiência. O Del Valle é um time que causa muito dano no ataque, mas tem problemas para se defender. O Barcelona tem alguns problemas para sustentar resultados, mas a qualidade de seus jogadores pode ser um fator que marque diferença. O Delfín é um time que custa ganhar e que ainda não encontra seu rumo futebolístico.


PARAGUAI

Edgar Cantero, ESPN

Como está a volta do futebol no país?

O futebol retornou com todos os protocolos de saúde: jogadores sem concentração, de suas casas para o treinos e de volta para seus casas, e de lá para os estádios.

Dos meios de comunicação, somente estão habilitados os cronistas de rádio. Existe um oficial de mídia que é o único que faz as perguntas apenas para os treinadores ao terminar os jogos. As perguntas são feitas pelos jornalistas que foram credenciados via WhatsApp.

Casos positivos aconteceram, mas em menor escala, entre jogadores de várias equipes. Mas não aconteceu maiores danos. O campeonato continua, e faltam três rodadas para o final.

Como as equipes que disputam a Libertadores sofreram durante a pandemia (Muitos casos positivos, polêmicas, entrada e saída de jogadores)?

Os times viveram a pandemia de formas distintas. O Libertad foi o que melhor passou economicamente falando, mas custou voltar a um bom nível futebolístico, perdeu vários jogos na retomada, porém agora está sendo regular e brigando pelo campeonato.

O Olimpia vendeu Erick López, jogador da base que rendeu um bom valor ao Atlanta United, e não pode voltar a ter Emmanuel Adebayor, que veio no começo de 2020 para disputar a Libertadores. Com os protocolos sanitários e quarentenas nos países, decidiram chegar a um acordo e terminar o vínculo com o togolês.

O Guaraní também viveu um pouco mal na parte física, custou a retomar o ritmo, arrancando de forma muito irregular o campeonato, mas após nove rodadas os três times estão recuperando nível. Com relação ao coronavírus, os três elencos tiveram casos positivos, mas que foram controlados.

Acredita que a parada por causa da pandemia prejudicará as equipes do país na Libertadores?

Todas as equipes foram afetadas pela parada da pandemia, e é que infelizmente este vírus não perdoa - no entanto, foram tomadas as medidas adequadas nos primeiros momentos.


PERU

Damián Didonato, ESPN

Como está a volta do futebol no país?

A Liga1 do Peru foi uma das primeiras em retornar na América do Sul. Em 7 de agosto, Universitario e Cantolao empataram sem gols, mas o campeonato foi suspenso no mesmo dia pelas manifestações dos torcedores nas ruas. Retornou uma semana e meia depois. Alianza Lima e Binacional chegarão à Libertadores com cinco jogos oficiais disputados pelo torneio local.

Como as equipes que disputam a Libertadores sofreram durante a pandemia (Muitos casos positivos, polêmicas, entrada e saída de jogadores)?

Alianza Lima e Binacional começaram os treinos há mais de dois meses e terão uma boa preparação e ritmo de competição na volta à Copa. No entanto, está claro que sofreram vários problemas nestes meses, principalmente o conjunto de Juliaca, que mudou sua comissão técnica e também seu local como mandante - jogou na altitude contra o São Paulo, mas não poderá fazer o mesmo contra River Plate e LDU.

O Binacional tive várias dificuldades. O colombiano Flabio Torres deixou de ser técnico da equipe pelos maus resultados na retomada do campeonato, e Javier Arce é quem será o responsável pelo time na Libertadores. Além disso, o atual campeão peruano perdeu jogadores importantes durante a pandemia, como Reimond Manco.

O Alianza Lima mudou sua comissão técnica no começo de abril, e Mario Salas já tem alguns meses no comando do elenco, que perdeu Aldair Rodríguez, uma de suas grandes promessas. Ambos os times sofreram vários casos de COVID-19, a maioria já recuperada.

Acredita que a parada por causa da pandemia prejudicará as equipes do país na Libertadores?

A parada vai prejudicar todos, apesar de os times peruanos chegarem com boa atividade. O fato de não jogar na altitude será um grande problema para o Binacional, que apostava boa parte de suas possibilidades na sua casa. O Alianza Lima, por outro lado, espera aproveitar a falta de atividade de Racing e Estudiantes de Mérida, dois dois rivais de seu grupo.


URUGUAI

Pablo Gama, ESPN

Como está a volta do futebol no país?

Em 13 de março, quando foram detectados os primeiros casos de COVID-19 no Uruguai, o futebol no país foi suspenso. Em maio, começou a discussão sobre uma data de retorno das atividades, e ficou definida para o fim de semana de 8 e 9 de agosto.

Em junho, a associação uruguaia (AUF) realizou testes para o coronavírus nos jogadores de primeira e segunda divisões, e todos vieram negativos. No mesmo mês, foi retomado o treino de forma progressiva assim como o reencontro entre colegas de time (mas sem compartilharem vestiários). Em julho, os amistosos foram permitidos.

Então, em 8 e 9 de agosto, o futebol teve reinício no Uruguai com uma novidade: jogos do campeonato local durante a semana, algo totalmente atípico. O torneio foi retomado na quarta rodada, e no último fim de semana encerramos a 12ª.

Em todos os campeonatos organizados pela AUF, até o momento, apenas um caso de COVID-19 foi confirmado: um jovem sub-15 do clube Juventud de Las Piedras. Como o resultado positivo aconteceu na última quarta, 10 de setembro, os elencos sub-15 e sub-14 do Juventud estão realizando quarentena de 14 dias.

Como as equipes que disputam a Libertadores sofreram durante a pandemia (Muitos casos positivos, polêmicas, entrada e saída de jogadores)?

O Peñarol demitiu o técnico Diego Forlán em 31 de agosto após 11 partidas oficiais (quatro vitórias, três empates e quatro derrotas) e contratou Mario Saralegui. Não teve casos de COVID-19 e não contratou jogadores, mas conseguiu recuperar atletas que estavam afastados por problemas físicos como Walter Gargano e Jonathan Urretaviscaya.

Perdeu, no entanto, dois nomes durante a pandemia: o lateral esquerdo Gabriel Rojas (voltou ao San Lorenzo), o zagueiro Ezequiel Busquets (emprestado ao Marbella-ESP) e o meia Guzmán Pereira (sem contrato renovado a pedido de Forlán). Atualmente ocupa a sétima posição do torneio Apertura com Saralegui conseguindo uma vitória e dois empates até agora.

Já o Nacional, também livre do coronavírus, não perdeu jogadores e conseguiu se reforçar com dois brasileiros: o defensor Paulo Vinicius (ex-Fehérvár, da Hungria) e o meia Felipe Gedoz, que estava sem clube. O time comandado por Gustavo Munúa está invicto desde a volta do futebol: são sete jogos com seis vitórias e três empates, na liderança do Apertura.

Acredita que a parada por causa da pandemia prejudicará as equipes do país na Libertadores?

As equipes uruguaias enfrentarão a Libertadores com uma vantagem inédita: diferentemente do que acontece todos os anos, nesta edição Peñarol e Nacional terão uma rodagem ou ritmo de jogo melhor do que a maioria de seus rivais do continente. Também é certo que os times uruguaios não estão acostumados a jogar partidas de forma tão seguida; mas a principal razão de suas derrotas quando jogam a Libertadores no começo de cada ano é que os rivais de outros países têm mais jogos disputados.

Geralmente, os clubes uruguaios começam a Libertadores com poucos duelos oficiais. Exemplo: neste 2020, a estreia do Nacional na Libertadores foi o terceiro jogo oficial do ano; e o debute do Peñarol no torneio continental contra o Athletico-PR era a terceira partida oficial deste ano.


VENEZUELA

Esteban Rojas, agência AFP

Como está a volta do futebol no país?

Não voltou o futebol. Foram dias bastante agitados. O presidente da federação venezuelana (FVF), Jesús Berardinelli, foi preso por acusações de corrupção e morreu sob custódia das autoridades por uma crise respiratória. Havia discussões entre Berardinelli e a Liga, sem chegar a acordos. Agora a Fifa põe em marcha uma comissão normalizadora presidida pelo ex-presidente da FVF Laureano González. Por ora, não há notícias formais do novo torneio (um campeonato relâmpago que começaria do zero), mas extraoficialmente se fala do dia 15 de outubro como data de início.

Como as equipes que disputam a Libertadores sofreram durante a pandemia (Muitos casos positivos, polêmicas, entrada e saída de jogadores)?

O Caracas sofreu com casos positivos de COVID-19 e anunciou publicamente, mas sem precisar quantos foram afetados. A imprensa apurou tratar-se de seis atletas e dois integrantes da comissão técnica. Perde um jogador importante, Bernardo Añor, um lateral esquerdo com muita projeção ofensiva (o acordo de liberação já foi acertado).

O Estudiantes de Mérida não anunciou casos de coronavírus, mas tem um problema com seu técnico, o argentin Martín Brignani, que não é certo que possa voltar à Venezuela para dirigir a equipe pelas restrições de voos existentes pela pandemia.

Acredita que a parada por causa da pandemia prejudicará as equipes do país na Libertadores?

Basicamente os clubes da Venezuela não jogam partidas oficiais desde março, quando se paralisou a temporada 2020. Retomaram os treinos no final de junho, depois que o governo levantou uma proibição a toda atividade esportiva por causa de COVID-19. A falta de jogos e, por consequência, ritmo competitivo pode jogar contra, é claro. A temporada 2020 foi suspensa definitivamente e por isso é que se planejou a ideia de um torneio relâmpago para definir as vagas na Libertadores e na Copa Sul-Americana do próximo ano.


Veja, abaixo, o calendário da terceira rodada da fase de grupos* - para ver o completo, clique aqui:

Terça-feira, 15 de setembro

Grupo C
19h15 - Colo-Colo-CHi x Peñarol-URU - Transmissão do FOX Sports
19h15 - Jorge Wilstermann-BOL x Athletico-PR

Grupo D
21h30 - Binacional-PER x LDU-EQU

Grupo G
21h30 - Santos x Olimpia-PAR

Quarta-feira, 16 de setembro

Grupo B
21h30 - Bolívar-BOL x Palmeiras - Transmissão do FOX Sports

Grupo E
19h15 - Internacional x América de Cali-COL - Transmissão do FOX Sports
21h30 - Universidad Católica-CHI x Grêmio

Grupo F
19h15 - Estudiantes de Mérida-VEN x Alianza Lima-PER

Grupo H
21h30 - Independiente Medellín-COL x Caracas-VEN

Quinta-feira, 17 de setembro

Grupo A
21h - Independiente del Valle-EQU x Flamengo
23h - Barcelona de Guayaquil-EQU x Juniior de Barranquilla-COL

Grupo B
23h - Guaraní-PAR x Tigre-ARG

Grupo D
19h - São Paulo x River Plate-ARG - Transmissão do FOX Sports

Grupo F
17h - Racing-ARG x Nacional-URU

Grupo G
19h - Defensa y Justicia-ARG x Delfín-EQU - Transmissão do FOX Sports

Grupo H
21h - Libertad-PAR x Boca Juniors-ARG - Transmissão do FOX Sports

*Horários de Brasília