Para superar o arquirrival Corinthians na Neo Química Arena, nesta quinta-feira, pelo Campeonato Brasileiro, o Palmeiras conta com a força das categorias de base.
Além dos titulares Patrick de Paula e Gabriel Menino, o time de Vanderlei Luxemburgo tem à disposição o jovem Gabriel Veron.
Antes conhecido pelo grande número de contratações nos últimos anos, o clube alviverde vive uma situação bem diferente em 2020.
“A mudança foi bem positiva porque o Palmeiras é um dos maiores ganhadores da base no Brasil. Tínhamos talentos para serem lapidados e aproveitados no profissional. Procuramos fazer isso, ainda mais com essa pandemia vai ser a salvação para nós. Muito difícil hoje um clube fazer um alto investimento em algum atleta”, disse Edu Dracena, assessor técnico do Palmeiras, ao ESPN.com.br.
“O Palmeiras tem essa visão hoje de dar mais chances para os garotos da base. E o Vanderlei gosta muito de lançar jogadores jovens. Isso casou bem. A gente está colhendo os frutos agora com o Gabriel Veron, Gabriel Menino e o Patrick de Paula. Temos outros que ainda não tiveram tanta oportunidade, mas que poderão ter no futuro”,
Além do trabalho com a base, o ex-zagueiro, que aposentou-se no fim do ano, contou como foram os últimos passos como jogador e como tem sido a nova rotina fora dos gramados.
Veja a entrevista com Edu Dracena:
Como surgiu a ideia de trabalhar fora dos campos?
Sempre quis depois que terminasse a carreira ficar nomeio do futebol porque passei a maior parte da minha vida nisso. Saí de casa aos 13 anos para ir ao Guarani. Sempre procurei estar integrado na parte extracampo. O Palmeiras me convidou para ser assistente técnico e fiquei muito feliz de ter o trabalho reconhecido. Agora faço parte do time fora de campo.
Primeiros passos na nova profissão
A adaptação tem sido muito rápida e boa. Estou tendo muita ajuda do Anderson Barros, Cícero Souza e do Vanderlei Luxemburgo. O presidente sempre esta em contato também. É um mundo bem diferente do vivi ao longo dos últimos 20 anos, mas é importante para crescer na função.
Como foi parar de jogar?
No meio do ano passado já tinha definido na minha cabeça que ia parar. Nos últimos anos me preparei para que pudesse parar para curtir um pouco a minha família e depois ia ver o que ia fazer. Mas o Palmeiras me convidou no final do ano e aceitei. Eu vivo como se ainda estivesse jogando porque estou no clube todos os dias de manhã e saio depois dos jogadores. Minha vida é bem parecida, só não jogo ou treino. Está sendo muito bom.
Como foram os últimos momentos?
Ano passado eu ainda estava jogando e me dedicando ate o final do ano. Meu último jogo foi contra o Goiás, vencemos e pude contribuir. Depois, eu tive a sensação de dever cumprido e relaxei. Resolvi seguir minha vida em outras áreas. Esse ano comecei o curso de gestor de futebol da CBF Academy em julho. Vai terminar em novembro e estou aprendendo bastante na parte extracampo.
Você quando jogador tinha uma dieta muito rígida e até pesava a comida numa balança. Isso mudou com a aposentadoria?
Não faço mais isso (risos). Estou dano um tempo até mesmo para o meu corpo relaxar, mas não relaxei totalmente. Ainda faço meus exercícios físicos e como de uma forma menos regrada de quando era jogador. Mais para me manter, mas engordei uns 5kg, o que é normal. Faço boxe e muay thai.
Como tem sido?
Nunca tinha feito nenhum esporte fora do futebol. Eu quis experimentar outros esportes e gostei muito. Faz uns três meses que estou praticando e tem sido muito proveitoso. Estou movimentando músculos que não estava acostumado.
Como surgiu a ideia de lutar?
Eu vi na internet e fiquei com vontade. Falei coma minha esposa para fazermos juntos. Eu conheci um personal de Boxe e Muay-Thai e duas vezes por semana a gente treina. É bem desgastante, rala bastante e queima muitas calorias. Não é fácil, você sai pingando de suor. O braço fica pesado, mas tenho curtido.
Fale sobre como é a sua função e rotina
Minha rotina é bem parecida. Eu vou todos os dias de manhã e vou embora depois dos atletas. Sou o elo entre jogadores, diretoria e comissão técnica. Sou um cara que se tem algum problema tento resolver ou intermediar para que ele não vire algo maior. Eu também acompanho alguns treinos e jogos da base.
O Palmeiras está apostando mais na base em 2020
A mudança foi bem positiva porque o Palmeiras é um dos maiores ganhadores da base no Brasil. Tínhamos talentos para serem lapidados e aproveitados no profissional. Procuramos fazer isso, ainda mais com essa pandemia vai ser a salvação para nós. Muito difícil hoje um clube fazer um alto investimento em algum atleta. O Palmeiras tem essa visão hoje de dar mais chances para os garotos da base. E o Vanderlei gosta muito de lançar jogadores jovens. Isso casou bem. A gente está colhendo os frutos agora com o Gabriel Veron, Gabriel Menino e o Patrick de Paula. Temos outros que ainda não tiveram tanta oportunidade, mas que poderão ter no futuro.
Como é o seu contato com esses meninos da base?
Os garotos da base treinavam no CT da Barra Funda e eu via a maioria dos treinos. Agora, eles voltaram para Guarulhos e irei alguns dias da semana para lá para acompanhar os treinos e jogos. Mas eu fico mais com os profissionais para dar uma ajuda.
Como é a conversa com Patrick de Paula e Gabriel Menino?
A gente fala para manter o foco e os pés no chão. A gente sabe que eles são a ‘bola da vez’ e isso é normal. Muitos já passaram por isso. E pedimos para não desviar o foco e pensar em primeiro lugar em jogar futebol. O restante é secundário. Precisa treinar bem, estar descansado para fazer boas partidas.
Evolução e expectativa em cima do Patrick
Acho normal pelo talento que ele nasceu. É um jogador com características bem boas de ver e jogar. Tem qualidade, personalidade e isso atraem olheiros e muitos interessados em um jogador como ele. Claro que precisa lapidar ainda mais e aprender bastante. Mas é um menino que tem total condição de em breve ser um dos ídolos do clube.
Como é o Patrick no dia a dia?
Eu falei para ele o futebol é muito dinâmico. Por isso não podemos nos empolgar e nos acharmos mais do que somos. É manter os pés no chão com humildade e trabalhar. Muitos sobem rapidamente e podem cair rapidamente. Futebol é assim. Precisa fazer um alicerce forte para poder assimilar as orientações diárias do Vanderlei e dos companheiros de clube.
Palmeiras tem meta de jogadores da base no profissional?
Nos últimos anos foram poucos jogadores que tiveram essa oportunidade e se mantiveram. Estamos mudando isso e os clubes precisam dar oportunidade. Quanto mais tivermos, melhor. Mas para fazer isso é preciso ter um material humano, algo que temos agora. Essa safra que subiu tem muito talento e precisamos ter calma. Não podemos colocar totalmente a responsabilidade em cima deles e quem sabe possamos subir mais jogadores da base para o profissional.
Mais promoções da base
Esse ano acho que só teremos mais promoções da base para o profissional se for algo posição ou características que o Vanderlei precisar. Estamos de olho em todos eles. O Paulista sub-20 vai começar e vamos olhar mais de perto. Quem sabe se alguém se destacar a gente não suba.
Trabalho na Libertadores
A gente está encarando com maior reponsabilidade possível. A gente sabe que é um campeonato totalmente diferente, ainda mais em mata-mata com países sul-americanos. Vamos estar bem focados e preparados para esse retorno.
O fato de você ter ganho a Libertadores ajuda no trabalho?
Acho que sim porque vencer é muito difícil. Você precisa passar por experiências vividas que nunca passou antes. Cada momento é diferente. Quando venci para agora mudou. Mas qualquer esforço para ajuda é benéfico.

Maiores dificuldades
Hoje se igualou muito. Ainda mais com o var e a arbitragem. O time que for mais competitivo, jogar pra frente e fazer gol, tendo uma consistência na defesa também forte essa mescla tem totais condições de conseguir o titulo.
