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Barcelona: jornal critica silêncio, 'imunidade midiática' e poder de Messi no Camp Nou

Desde que o Barcelona foi humilhado pelo Bayern de Munique, despedindo-se da Champions League com uma goleada por 8 a 2, o silêncio virou a língua de Lionel Messi. E é justamente essa falta de ação que faz o argentino ser criticado duramente pelo jornal espanhol “El Confidencial”, em uma publicação longa, polêmica e forte contra o jogador nesta segunda-feira (24).

“Não se conhece na história do futebol nenhum outro caso de jogador que teve tanto poder em um grande clube”, disse uma fonte, que pediu anonimato, ao jornal.

O pedido para não ter o nome divulgado é o temor de represálias por “atacar” o grande nome do clube. A fonte assegura que, para ficar “longe de apuros”, ninguém ousa questioná-lo em público.

A publicação afirma que a adoração pelo argentino na imprensa catalã é particularmente unânime. Algo nada comum durante anos com seu grande rival, Cristiano Ronaldo, nos jornais madrilenos.

“Pelo que me lembro, não há colunista ou comentarista, seja Cruyffista ou Nuñista, em Barcelona que se atreveu a discutir abertamente a questão do poder de Messi", disse um jornalista do jornal "Sport" para a reportagem.

“É uma pergunta que só aparece tangencialmente em alguns encontros, mas todos passam na ponta dos pés. Até agora, Messi goza de imunidade midiatíca, algo que não acontece na Argentina”.

O publicação faz um recorte para dividir a era Messi. A primeira parte incluí o período de Pep Guardiola, que formou o mais espetacular Barça de todos os tempos. Ganhou duas edições da Champions League, uma a menos que o Real Madrid de Zidane.

O outro recorte é após a saída do técnico catalão, ou seja, após 2012. De lá para cá, o Barcelona, venceu apenas mais uma Champions League e foi há cinco anos. Desde então, as taças são somente domésticas.

“Essa imunidade agora revela seus custos, oito anos após a saída de Guardiola e dezesseis após a chegada de Messi ao time titular. Para além dos 100 milhões de euros brutos [R$ 622 milhões] cobrados pelo melhor futebolista do planeta (título que ocupou durante mais de uma década, até a semana passada), o capitão do Barcelona tem uma responsabilidade incontestável pela crise estrutural de uma equipa envelhecida, com custo acima de seu valor de mercado e sem fome, em que provavelmente muitas entradas e saídas dependeram de seus famosos silêncios: um olhar para o chão de Messi tem mais peso no clube do que um grito do presidente Bartomeu”, diz o jornal.

A publicação relembra que Messi é parte do problema estrutural do Barça que sofreu oito gols do Bayern, na maior humilhação internacional do clube. Nem mesmo o presidente Josep Maria Bartomeu conseguiu conversar com o argentino após a eliminação.

A primeira vez que o camisa 10 foi ouvido foi para falar o novo técnico, o holandês Ronald Koeman, na semana passada, com portas fechadas. Foi o primeiro jogador a ter contato com o técnico. Para muitos, ficou a sensação de que ele não quer mais ficar.

O jornal volta então a fazer críticas sobre a falta de críticos a Messi em Barcelona. Diz que na Argentina o jogador é sempre questionado pela falta de liderança e pelos fracassos com a seleção.

A ironia chega ao ponto do “El Confidencial”, jornal baseado em Madri, mas com escritórios em Barcelona, Valência, Sevilha, Málaga, Galícia e no País Basco, chamar de “Paraíso na Catalunha” o cenário que Messi encontra na cidade onde mora desde a infância.

“[Lá, ele] Sempre encontra um espaço de tranquilidade e reconhecimento”, diz o texto da publicação, que ressalta que algo, no entanto, vem mudando nas últimas semanas.

Aos 33 anos, em silêncio total, o argentino passou a atrair mais olhares que o questionam, querendo saber o que o argentino pode fazer pelo Barcelona. No meio de tudo isso existe a Inter de Milão, que torna a situação desconfortável para todos.

Ainda assim, “El Confidencial” concluí que para muitos no Barça Messi segue intocável.