O Corinthians criou um código de conduta para os torcedores participarem virtualmente dos jogos do clube na Arena, com possibilidade de terem a imagem transmitida ao vivo pelo telão, durante o período de quarentena pela pandemia do novo coronavírus. Tem sido uma forma de manter os jogadores e a torcida unidos, algo que sempre foi a marca da agremiação, mas há regras. Algumas evocam a tradição corintiana, enquanto outras são rígidas e determinam até em qual canal ver a partida.
Ao todo, são dez cláusulas que o torcedor tem de concordar para participar. Vale explicar que a torcida virtual é algo restrito, por enquanto, para quem faz parte de algum plano do programa Fiel Torcedor.
Começando pela parte tradicional, o Corinthians determina que nenhum torcedor pode usar itens de cor verde, “incluindo suas mais variadas tonalidades”, de qualquer clube do Brasil ou do exterior, durante a participação.
Não está escrito o nome do Palmeiras nesta cláusula (a segunda), mas não é necessário muito conhecimento sobre a história do clube para saber que o recado é sobre o arquirrival. Algo que tradicionalmente era seguido até dentro no clube social, pelos associados que frequentavam o Parque São Jorge, e em reuniões de diretoria, seja no conselho ou fora.
A mesma cláusula coloca como exigência que o torcedor use uma camiseta do Corinthians ao aderir, embora não coloque condições ou restrições quanto a logomarcas expostas em uniforme antigos, por exemplo.
Já outras cláusulas são mais rígidas, como a primeira, que obriga o participante a ver o jogo exclusivamente na TV Globo, detentora dos direitos de transmissão dos jogos do time, vetando inclusive o pay-per-view, propriedade do grupo Globo.
O Corinthians tem contrato de exclusividade com a emissora há anos e é um dos que mais recebe boas receitas pelo acordo, inclusive em anos em que competitivamente não vai bem. Ano passado, com rendimento baixo no Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil, recebeu R$ 189 milhões (no ano anterior, tinham sido R$ 206 milhões como finalista da Copa do Brasil).
A cláusula terceira proíbe o torcedor de usar linguajar inapropriado, tais como “palavrões, xingamentos, palavras ofensivas, de baixo-calão, indecorosas ou que possam configurar dano à imagem, honra e/ou à reputação do Corinthians e/ou qualquer terceiro”.
Assim, imagina-se, que explosões de raiva (aquelas que são comuns na arquibancada) contra um jogador, treinador, adversário ou não, não podem acontecer para quem integra a torcida virtual. Nem mesmo protestos contra a diretoria.
É o que atesta a quarta cláusula, vetado, inclusive, “propagar e/ou divulgar qualquer mensagem, verbal ou escrita (por quaisquer meios), de cunho político (relacionado ou não ao Corinthians), religioso, discriminatório, ofensivo, machista, homofóbico, injurioso, calunioso e/ou difamatório”. Também impede a exposição de marcas em forma de propaganda ou divulgação.
A quinta cláusula determina que o torcedor que decida fazer parte da torcida virtual se comprometa a ter no máximo um convidado ao seu lado, “evitando aglomerações”. É uma medida para atender as recomendações dos agentes de saúde.
As cinco cláusulas restantes versam sobre direitos de imagens, autorização do uso da imagem e do som e não garantem que, ao aderir à torcida virtual, a imagem obrigatoriamente será mostrada no telão. Ainda eximem o Corinthians de arcar com qualquer custo indenizatório ou não caso o torcedor não tenha sua imagem exposta ou não goste da exposição.
A torcida virtual corintiana passou a ser uma realidade desde que as competições foram retomadas no Brasil. A primeira vez foi na partida contra o Palmeiras, em 22 de julho, na Arena, pelo Campeonato Paulista.
Naquele jogo já foi possível ver torcedores no telão, com poucas falhas no sistema corintiano.
A tecnologia envolve salas virtuais, como as utilizadas para videoconferências, em um projeto que tem o envolvimento da IBM, empresa parceira do Corinthians desde 2018 para gerir o programa Fiel Torcedor.
Desde aquela partida com o Palmeiras, quase 30 dias atrás, o clube vem trabalhando para melhorar a qualidade, diminuir o “delay” da imagem e do som e tornar a força da torcida virtual maior nos jogos do Brasileirão.
