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Champions: Guardiola já 'traiu' a si mesmo, foi atropelado pelo Real Madrid e fez 'pior c*** da carreira'

Manchester City e Real Madrid decidem nesta sexta-feira, a partir das 16h, uma vaga no avião para Lisboa, sede da fase decisiva da Champions League. Será mais um embate entre o gigante espanhol, maior campeão europeu com suas 13 taças, e Pep Guardiola, técnico que conhece tão bem a força do adversário.

Com vantagem adquirida pela vitória por 2 a 1 em Madri, em 26 de fevereiro, Guardiola espera que o mata-mata termine a seu favor, ainda mais depois da última vez que topou com o Real em uma fase decisiva da Champions. O dia em que o técnico, famoso pelo detalhismo na montagem dos times, fez, de acordo com suas próprias palavras, "a pior c** da carreira".

A história está no livro "Guardiola Confidencial", traduzido no Brasil pela editora Grande Área, e conta detalhes do atropelamento sofrido pelo Bayern de Munique contra o Real Madrid, na semifinal da Champions League da temporada 2013-14. O time alemão, dirigido por Pep, levou 4 a 0 em plena Allianz Arena.

Horas depois da primeira partida da semifinal, em que o Bayern perdeu por 1 a 0, mas ofereceu dificuldades ao Real no Santiago Bernabéu, Guardiola reuniu os auxiliares - entre eles Domènec Torrent, hoje treinador do Flamengo - para falar dos planos para o segundo confronto. E saiu de lá com uma certeza: jogar no 3-4-3.

"Dome, não me deixe mudar de opinião. Tem que ser assim", disse Guardiola, que imaginava, com o esquema, povoar o meio-campo e ter Mario Gotze como um falso centroavante, capaz de se aproximar dos meias e aumentar a dificuldade para a defesa merengue.

Só que o plano durou poucas horas. No avião, a caminho de Munique, Guardiola pesou prós e contras, lembrou o pouco tempo de prática com três zagueiros e pensou em manter o 4-2-3-1, tradicional esquema usado em toda a temporada. A ideia, porém, mudou novamente na segunda-feira - e para pior.

Influenciado pelos desejos dos jogadores, que, segundo o autor Marti Perarnau, "pediram para jogar com o coração, partir com tudo e atacar ferozmente desde o primeiro minuto", Guardiola cedeu: montaria o Bayern em um arriscadíssimo 4-2-4. Lahm iria para a lateral e abriria um buraco no meio-campo. Buraco incorrigível.

Pois foi assim que o gigante alemão entrou no Allianz naquele 29 de abril de 2014. Abalado emocionalmente pela morte de Tito Vilanova, seu grande amigo e sucessor como técnico do Barcelona, que faleceu no fim de semana anterior, Guardiola acompanhou, atônito, à surra do Real Madrid, que abriu 3 a 0 no primeiro tempo e fechou a noite com quatro gols: dois de Sergio Ramos e dois de Cristiano Ronaldo.

"Eu me equivoquei, cara. Me equivoquei por completo. Fiz uma grande c***. A pior c*** que já fiz como técnico", admitiu Guardiola, minutos depois daquela que até hoje é sua maior derrota na carreira. "Toda a temporada me negando a usar um 4-2-4, todo o ano resistindo. E uso no dia mais importante... que grande c***".

Dias depois, o baque ainda era grande a ponto de Guardiola lembrar outro erro da sua carreira: a derrota para a Inter de Milão, na semifinal da mesma Champions, em 2010.

"É minha culpa. Em vez de seguir minha ideia, segui a os jogadores, mas sem ideia. E errei. É a segunda vez que acontece: em 2010, condicionei o jogo à estrela contratada por 60 milhões [Zlatan Ibrahimovic], em vez de aprofundar o modo de jogar em que eu acredito. Contra o Real, provavelmente teríamos perdido de qualquer forma porque eles estão no momento perfeito, mas teria sido com ideias claras, não com uma salada que não era nada", disse Guardiola ao autor do livro.

Seis anos depois, Guardiola tem uma nova chance. Se é impossível reparar o erro daquela noite em Munique, o técnico pode levar o Manchester City às quartas de final pelo terceiro ano consecutivo. E dessa vez eliminando um gigante adversário, que já o fez sorrir muitas vezes e lamentar outras. Nenhuma mais do que aquele fatídico 29 de abril.