Rui Gomes da Silva, candidato da oposição à presidência do Benfica, concedeu entrevista exclusiva à ESPN nesta terça-feira para falar do assunto mais comentado em Portugal: a volta de Jorge Jesus ao clube de Lisboa. E não se mostrou tão empolgado com a notícia, como já tinha deixado claro em um texto publicado horas antes.
Segundo o adversário político do atual presidente Luís Filipe Vieira, o clube gastará 26,5 milhões de euros (R$ 158 milhões) em um contrato de três anos para o Mister, o que é um risco desnecessário não só pela crise financeira que vive o Benfica, mas pelo que isso pode causar internamente.
"Diria que, daqueles que fazem o ambiente do estádio, 90% estão contra Jorge Jesus. Mas o presidente não ouve sócios, só seus interesses. Tem todo o direito de proteger seus interesses, mas não pode usar o Benfica em prol de sua vida pessoal", afirmou o advogado de 61 anos, que disse o que faria com esses valores.
"Já disse, e repito aqui também, que Jorge Jesus não seria meu treinador. Com 26,5 milhões de euros, eu iria buscar Mourinho, Ancelotti, quase o Guardiola, Allegri, alguma dessas grandes figuras míticas do futebol europeu", disse.
Para ele, a contratação de Jorge Jesus é um reflexo do desespero do atual presidente, que ficou a mercê do ex-técnico do Flamengo para tentar se fortalecer para as eleições marcadas para outubro. Quem se beneficiou foi o Mister, que, segundo Rui Gomes da Silva, "fez o que quis" com o cartola.
"Jorge Jesus percebeu essa fragilidade do presidente do Benfica, que disse a ele que teria que vir, se não perderia as eleições. Percebeu isso e aceitou vir nas condições que gostaria. Vai receber 4 milhões de líquidos por ano, trazendo todos os profissionais que queria, até falando da necessidade de ter outros jogadores. Fez o que quis com o presidente".
Jesus desembarcou nesta terça-feira em Lisboa e foi recebido com festa no aeroporto da capital portuguesa. O trabalho para valer começa daqui algumas semanas, quando o Benfica inicia a preparação para a temporada 2020-21. Se ganhar o pleito em outubro, Da Silva disse como pretende ligar com o treinador.
"Quando for presidente, o Benfica não estará em condições financeiras. Portanto, não estará em condições de mandar embora um treinador de 26 milhões de euros. Apesar de não ter sido a minha escolha, se não houver outras razões, eu cumprirei esse contrato. Verei se Jorge tem estabilidade emocional e intelectual para trabalhar. Mas o problema não é esse. Há eleições em outubro e assumiram compromisso para 3, 4 ou 5 anos. O Benfica não é de Vieira, o Benfica é dos sócios".
