A prestigiada revista “Forbes” reflete sobre o futuro do Flamengo, depois da saída de Jorge Jesus, em texto publicado em seu site na noite deste domingo. A publicação destaca a impressão positiva deixada pelo clube, de que poderia se tornar “o primeiro superclube fora da Europa”, mas questiona se o novo treinador conseguirá manter a “filosofia”.
O texto, que questiona “o que há pela frente” logo em seu título, inicia colocando Jesus no “panteão dos deuses do futebol do Flamengo”. “Em um ano, o técnico português transformou o clube que foi assombrado por seu passado e o auge da lenda Zico nos anos 80”, escreve.
“Jesus, contudo, foi grande o bastante para o Flamengo, o clube das massas no Brasil, por sua mitologia e sua patológica obsessão pela vitória”, complementa a publicação.
O futebol rubro-negro foi definido como “moderno”, “finalmente entrando na era do coletivo de alta pressão”, nas palavras da revista. “A defesa (de Jesus) jogou em linha alta, seu time queria a posse e atacava. Esses elementos deveriam ser claros no futebol moderno, onde os três P’s, posse, pressão e posicionamento, estão na moda, mas não no contexto brasileiro”.
Entre os jogadores, a Forbes destacou a parceria de Gabigol com Bruno Henrique e colocou o zagueiro espanhol Pablo Mari como “chave para o sucesso da formação do Flamengo”. A final do Mundial de Clubes, derrota por 1 a 0 para o Liverpool, na prorrogação, é outro destaque.
“A Europa estava começando a notar: poderiam os brasileiros ser o primeiro superclube fora do Velho Continente”, questiona a revista com base na atuação diante do time de Jürgen Klopp.
Mas em 2020 as coisas mudaram...
É então que a Forbes faz um contraponto ao ano mágico vivido pelo Flamengo em 2019, com o título do Campeonato Brasileiro e da Copa Libertadores. A começar pelo Maracanã, “que já não estava mais em festa”, transformado em hospital de campanha contra a COVID-19.
Mas as dúvidas também estão dentro de campo na visão da revista, apesar do título do Campeonato Carioca. “A saída de Mari para o Arsenal alterou a dinâmica de todo o time”, escreve. Na análise, os substitutos Léo Pereira e Gustavo Henrique não têm “a mesma velocidade”, e o “jogo de passe do Flamengo está mais lento como consequência”.
A saída – “elegante” na definição da Forbes – de Jesus para o Benfica aumenta as dúvidas; “Os técnicos brasileiros vão seguir a filosofia de jogo do português? O Flamengo pode seguir no caminho de se tornar uma peça global entre os clubes de futebol?”, questiona.
“A austeridade durante o período do presidente Eduardo Bandeira de Mello beneficiou muito o Flamengo, mas estabelecer uma hegemonia no futebol brasileiro é difícil. Nunca houve um Bayern de Munique ou Juventus no Brasil. Antes, Palmeiras e São Paulo falharam em sustentar sua superioridade quando em modos vencedores. Por que o Flamengo seria diferente?”
Sobre o sucessor de Jesus, a revista aposta em “um longo caminho para definir a direção do clube”. “O campeão brasileiro precisa de um novo homem milagroso para repetir os triunfos de Jesus e cultivar uma filosofia progressiva. Voltar atrás e apontar um ‘medalhão’ brasileiro não é uma opção. Para competir no mais alto nível, o Flamengo simplesmente precisa continuar absorvendo novas ideias”, encerra a publicação.
