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Arthur na Juventus teve Daniel Alves, Douglas Costa e Alex Sandro como chaves nos bastidores

O brasileiro Arthur Melo já foi oficializado como jogador da Juventus. Por sua vez, Miralem Pjanic fará o caminho inverso e se vai defender o Barcelona pelas próximas quatro temporadas, mas a dupla operação anunciada oficialmente na última segunda-feira (29) esteve perto de ‘quebrar’ em várias ocasiões nas últimas semanas.

A Juve viu Arthur como um jogador ideal para o futebol proposto pelo técnico Mauricio Sarri e várias fontes disseram à ESPN que o clube italiano começou a trabalhar para contratá-lo há dois meses, quando, durante a Semana Santa, fizeram primeira investida pelo atleta.

Após uma primeira tentativa e uma proposta insuficiente no aspecto econômico, Arthur já sabia que os italianos estavam sérios no negócio para contratá-lo, embora tenha deixado claro a intenção de permanecer no clube catalão.

As conversas entre os times continuaram e logo todos entenderam que uma ‘troca’ seria a maneira mais viável de chegar a um acordo devido à falta de liquidez de ambas as entidades por conta da crise gerada pela pandemia de coronavírus.

O Barcelona valorizou Arthur como um jogador de futebol interessante para o seu futuro, mas os diretores do clube viram que o brasileiro seria a peça mais cobiçada por valer uma boa quantia econômica e atingir os 124 milhões de euros (R$ 758 mi) em vendas necessárias para equilibrar suas contas antes de 30 de junho.

As duas equipes começaram o jogo de cartas e uma fonte revelou que naqueles primeiros momentos os nomes de Rodrigo Betancur ou Mattia di Siglio estavam sobre a mesa. No entanto, logo Miralem Pjanić se tornou o ‘escolhido’.

Uma fonte próxima à negociação disse à ESPN que a Juve estava disposta a deixá-lo sair porque seu relacionamento com Sarri não era dos melhores e o Barcelona recebeu com agrado a possibilidade de sua chegada. De fato, o clube catalão já avaliou as contratações que fez em 2017 e 2018, embora sem sucesso.

A predisposição de Pjanic também foi importante. Além disso, a mesma fonte garante à ESPN que o bósnio prometeu por escrito assinar pelo Barça e até concordou em incluir uma penalidade em um contrato privado, caso ele não assinasse o clube catalão no final da negociação.

Assim, o acordo entre três das quatro partes foi quase um fato desde o início, mas Arthur nem quis ouvir a oferta dos italianos e interrompeu a operação.

Enquanto isso, no Camp Nou, eles também tinham muito claro e sabiam que ele era o homem escolhido para reforçar o meio-campo. Além do mais, se Arthur tivesse se recusado a sair, o Barcelona provavelmente tentaria a contratação independentemente da resposta do brasileiro.

A Juventus escolheu o veterano Giovanni Branchini para ser o seu representante. Ele estava encarregado de liderar as negociações, mas sua primeira viagem à Espanha não teve êxito e retornou à Itália sem o objetivo alcançado após a recusa de Arthur em ouvi-lo.

A mudança de estratégia da Juventus e a 'ajudinha' de companheiros de seleção brasileira

A Juve não desistiu. Deixou alguns dias passar e voltou à briga com a mesmo agente que conseguiu a chegada de Daniel Alves do Barcelona ao clube italiano em 2017: Bibian Weggeelar.

Weggeelar é holandesa, mas reside em Barcelona. Ela ​tomou a posição de Branchini e organizou uma reunião telemática com Arthur e sua família. O pai e o irmão do jogador ouviram com interesse a proposta econômica e esportiva da Juve, mas deixam a decisão final por conta do próprio atleta.

O jogador de futebol brasileiro estava feliz em Barcelona e seu desejo ainda era ter sucesso no Camp Nou, mas ao mesmo tempo sabia que seu salário era um dos mais baixos da equipe. Quando ele assinou pelo clube catalão em 2018, teve a ideia de entrar em um valor próximo de quatro milhões de reais, mas a realidade é que esse valor era bruto. Assim, seu entusiasmo por usar a camisa do Barça foi tal que ele aceitou a proposta na esperança de que o clube revisasse seu contrato neste verão.

Arthur pediu ao Barcelona uma reunião para discutir essa melhoria, mas a resposta dos catalães foi enfática. Não apenas eles não tinham intenção de aumentar seu salário, mas também o aconselharam a encontrar uma nova equipe. Assim, longe de receber uma promoção, Arthur viu seu salário reduzido como o restante da equipe em meio à pandemia de coronavírus.

A Juventus conhecia essa situação e insistiu novamente em oferecer-lhe um salário muito mais alto, atingindo quase o triplo do que recebeu em Barcelona, ​​enquanto assistia Weggeelar suavizar gradualmente a posição de Arthur. Lá, os italianos decidiram tirar toda a artilharia. De maneira organizada, o meio-campista brasileiro começou a receber ligações de Turim sobre como seria sua vida na Itália, seu papel no projeto Sarri e a grandeza do clube.

Nesse sentido, uma fonte revelou à ESPN que Alex Sandro, Douglas Costa e até Dani Alves foram a chave para Arthur finalmente aceitar a proposta.

Sandro e Costa, companheiros de Arthur na seleção, conversaram com ele sobre o dia a dia na equipe, enquanto Dani Alves era mais paternalista. A mesma fonte relata que o camisa 10 do São Paulo o ajudou a entender que a Juve o tornaria mais importante e que também aumentaria suas opções de crescer com Tite à frente da Copa América de 2021 e da Copa do Mundo de 2022.

Arthur estava gradualmente mudando de idéia e, de acordo com a ESPN, em 20 de junho ele recebeu uma oferta que já parecia insubstituível. No entanto, não houve assinatura e quatro dias depois, fontes próximas à operação admitem que tudo quase caiu completamente depois que Arthur reivindicou de Barcelona alguns pagamentos que ainda estavam vencidos.

A operação ficou suspensa por algumas horas, mas Grascar Grau, CEO do Barça, interveio e, depois de uma reunião com o pai de Arthur, tudo foi resolvido para que, na ausência de pequenos detalhes, o brasileiro seria contratado pela Juve e Pjanic chegasse para ser seu substituto em Barcelona.

Dois dias depois, no dia 26, a ESPN anunciou o início do contrato e o resto é história. Arthur, que havia declarado publicamente e privadamente que não queria deixar Barcelona, ​​viajou à Turim no domingo para se submeter ao exame médico e na segunda-feira a Juve já oficializava a contratação após dois meses de ‘cabo-de-guerra’.