O presidente do Atlético-MG, Sérgio Sette Câmara, declarou em entrevista à Rádio Itatiaia que a contratação do atacante Róger Guedes, atualmente no Shandong Luneng, da China, é seu sonho de consumo. O que distância o sonho da realidade é que o clubeteria de bancar boa parte do salário do jogador e pagar uma multa ao Palmeiras por trazê-lo de volta ao Brasil.
A busca por Róger Guedes esquentou porque especula-se que os brasileiros que atuam na China podem enfrentar restrições para retornar ao país por causa da pandemia do novo coronavírus. Isso abre possibilidade para que eles sejam emprestados.
“O Róger é meu sonho de consumo. […] Mas, entre o sonho e a realização, vai uma série de circunstâncias que teriam de ser vencidas. Se conseguirmos chegar a uma possibilidade mínima de arcar com a vinda dele para cá nesse ano, vou ficar muito feliz”, disse o presidente do Galo à Rádio Itatiaia
“Estamos de olho nesta situação do futebol chinês também, claro. Se o time de lá não arcar com grande parte do salário do jogador, fica inviável. O Alexandre [Mattos] que está à frente dessas negociações todas e vai me passando na medida que a coisa vai tomando uma certa maturação”, acrescentou o mandatário.
O clube já tem encaminhada a vinda dos volantes Alan Franco e Léo Sena, o interesse em Róger Guedes e tratativas com o Vasco para contratar o atacante Marrony, 21. Tudo isso levanta uma questão: como contrata mesmo sem dinheiro?
A dívida do Atlético-MG supera R$ 740 milhões. Salários de funcionários do clube estão atrasados e a direção tem feito muitos esforços para reduzir a folha de pagamento durante a quarentena pela COVID-19.
Ao mesmo tempo, a diretoria tenta cumprir o que prometeu ao técnico Jorge Sampaoli. Isto é, investir em reforços para o elenco. Foi a condição para que ele aceitasse a proposta de trabalho (e ele já deixou claro que quer um zagueiro).
De acordo com o presidente Sette Câmara, quem tem ajudado a bancar as contratações no futebol são investidores parceiros do clube. Eles têm emprestado verba para a equipe se reforçar.
“Nossos parceiros não estão dispostos a colocar dinheiro para ficar pagando dívida. Se for para pagar dívida, não vai pôr. Esse dinheiro é feito para aplicar em jogadores que possam performar tecnicamente e, depois, trazer lucro para o clube. Não podemos parar de fazer isso, sob pena de ficarmos em situação complicada, não só em relação à participação dos campeonatos como também na questão de poder fazer dinheiro”, disse o presidente, em entrevista à Rádio Itatiaia.
Pelo raciocínio explicado, com um elenco mais forte, o Atlético-MG acredita que aumentará as receitas, pagando a diferença. Também crê na valorização de jogadores da base ou vindos de fora no elenco principal.
“O clube tem duas grandes receitas: televisão e venda de jogadores. Na minha gestão, o Atlético fez os dois anos de maiores vendas da história. Em 2018 e 2019, vendeu mais de R$ 100 milhões em jogadores. Temos um saldo em relação ao que gastamos com jogadores e o que nós ganhamos em negociações de mais de R$ 100 milhões, de lucro. Um dos negócios do clube é trazer jogadores jovens para que esse jogador nos dê retorno técnico e, depois, dar dinheiro para o clube”, disse.
“Esse dinheiro de reforço, que vem através dos nossos parceiros, é um dinheiro que não é doado. Ele vem como mútuo, com juros lá embaixo, praticamente zero, quando não é zero. Quando a gente faz a venda do jogador, eu vou lá e pago. Muitas vezes, eles reinvestem no clube”, afirmou.
Apesar da movimentação no mercado e a busca para formar um elenco forte, o Atlético-MG busca soluções para problemas antigos. Isto é, quitar salários de jogadores e funcionários, além dos direitos de imagem atrasados do elenco.
