Como um clube com tanto investimento como o Cruzeiro acaba sendo rebaixado à Série B do Campeonato Brasileiro? A "receita" do fracasso vem sendo discutida à exaustão nos últimos meses, sempre com a má gestão de recursos apontada como o principal problema. Mas qual era o reflexo disso dentro de campo? Em entrevista para lá de especial ao Resenha ESPN, o meia Rodriguinho, hoje no Bahia, deu uma visão inédita, com os detalhes de quem viveu isso de dentro.
O Resenha ESPN com Rodriguinho vai ao ar nesta sexta-feira, às 22h (de Brasília), na ESPN Brasil e no ESPN App.
“Eu vi a bomba toda pelo Fantástico. A partir dali é que as coisas ficaram bem claras para gente, que o clube estava devastado. Só que era uma maquiagem muito boa para todo mundo, ninguém percebia. Até então estava tudo organizado, tudo certo. A gente não estava tendo nenhum problema. A partir que saiu no Fantástico é que começou a desandar”, contou Rodriguinho.
A "bomba" citada por Rodriguinho veio em uma matéria veiculada pelo programa da TV Globo no final de maio, revelando que o clube havia chegado a R$ 500 milhões em dívidas, com investigações por operações irregulares.
Até ali, de fato, o clube vinha bem na temporada, com o título do Campeonato Mineiro e a classificação antecipada para o mata-mata da Libertadores. O começo no Brasileirão já era preocupante (duas vitórias e quatro derrotas), mas ele era minimizado pelo time estar priorizando as outras competições.
De junho até o final do ano, porém, foram apenas mais seis vitórias.
“Foi se desenhando um cenário caótico. E aquilo ali se refletiu dentro de campo. E muito forte porque estava todo mundo abalado com as coisas que estavam acontecendo. Daqui a pouco começou a ter problema de treinador, problema de jogador com jogador, problema de jogador com treinador... virou uma bagunça! Jogador não aceitava ficar no banco, jogava colete e saia do treino, não ia para a viagem... Virou terra de ninguém! E isso foi cada vez piorando mais”, conta Rodriguinho.
O jogador é enfático: tudo começou por conta da administração do clube. E a situação saiu ainda mais do controle com a saída de Mano Menezes e a chegada de Rogério Ceni.
“Esse ambiente ruim veio a partir da diretoria. O Mano saiu antes de explodir toda a bomba. Ele já tinha três anos de clube, já estava há muito tempo com os caras... Ficou desgastado e saiu. Mas sem problema nenhum, saiu numa boa, cabeça erguida, falou com todo mundo. Quando chegou o Rogério, ele teve um grande problema com vários atletas que estavam lá. Começou a piorar a situação. Mais essa coisa da diretoria, salário começou a atrasar, funcionário começou a reclamar, jogador começou a reclamar de treinador e diretoria...”, diz.
Mesmo assim, o meio-campista acreditava que seria possível se salvar do rebaixamento.
“Eu achei que mesmo com todas as dificuldades, o nosso time, pela qualidade que tinha e pelos jogadores que tinha, não iria cair, só passaria aperto”, diz.
“Mas não tem jeito. Não ganhava porque não tinha que ganhar. Esse é o futebol. Se não fizer tudo certinho, a bola não vai entrar, você não vai acertar, e assim as coisas acontecem!”, completa.
O Cruzeiro ainda teve várias chances de se salvar, mas perdeu os últimos cinco jogos que fez. Na última oportunidade, precisava de uma combinação de resultados, mas sequer fez a sua parte: foi derrotado pelo já campeão Palmeiras e acabou rebaixado em pleno Mineirão.
